Ministério dos Negócios Estrangeiros alvo de ciberataque

Este ataque foi detetado pelos Serviço de Informações de Segurança (SIS), num processo de rotina de monitorização e vigilância aos sistemas informáticos às estruturas do Estado.

Por João Miguel Mesquita

Segundo noticio a revista SÁBADO, esta não é a primeira vez que a rede informática do MNE é alvo de um ciberataque. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva assegurou em declarações à TVI que a “informação confidencial não está comprometida”. “Infelizmente, nos dias que correm estamos sempre sujeitos a ciberataques, que vamos respondendo e superando”, afirmou o ministro. Tendo ainda garantido que está ser feito “um investimento muito forte para robustecer as redes informáticas do MNE”.

Este ataque foi detetado pelos Serviço de Informações de Segurança (SIS), num processo de rotina de monitorização e  vigilância aos sistemas informáticos às estruturas do Estado. O ataque já foi comunicado à UNC3T, a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da Polícia Judiciária, que estão a avaliar a profundidade e a origem do mesmo. Há um histórico de tentativas de intrusão na rede do MNE que tem como alvo o roubo de credenciais de acesso.

Segundo a Sábado, “os serviços do ministério utilizam várias redes. Uma, que não teve qualquer interrupção de funcionamento, é a utilizada, por exemplo, pelo gabinete de Augusto Santos Silva, que tem a designação mne.gov.pt e  que faz parte da chamada rede RING, gerida pelo CEGER, Centro de Gestão da Rede Informática do Governo. É uma rede com maior segurança e por onde circula informação classificada. A segunda rede – mne.pt – é a utilizada por toda a estrutura do ministério, da secretaria-geral às várias direções-gerais, do departamento de assuntos jurídicos aos diplomatas colocados em Portugal e no estrangeiro.”

Este ataque não deve ser lido como algo exclusivo de Portugal ou um ataque ao país, é sim consequência de uma cada vez maior eficiência dos cibercriminosos e da deficiência dos sistemas de segurança quer do Estado, quer das empresas, quer de cada um de nós individualmente. A preocupação com o uso da informação tende ser algo que deve estar na consciência de cada um de nós. Quer na vida pessoal, quer na vida profissional, da mesma forma que não abrimos as gavetas de casa ou do escritório onde guardámos os documentos importantes não devemos faze-los circular por email ou em redes que não são acreditadas como seguras.

Tendo o ataque ao MNE um par de horas e estando o mesmo em investigação não é possível perceber os danos que terá causado. Eu acredito na capacidade e competência dos especialistas do SIS e da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da Polícia Judiciária, e tendo o ataque chegado aos órgãos de comunicação social de forma tão rápida é natural que os danos possam ser, ou nenhuns, ou poucos e sem relevância. Fiquei foi assustado com a observação de uma fonte diplomática da Sábado, que diz:  “É suposto que a informação classificada não circule por email, mas sim pelo sistema de cifra” “Contudo, há sempre informação útil e que pode ser utilizada”Para mim a questão está aqui. Não pode haver nem a informação útil a circular por uma rede que não seja pela RING, nem um diplomata pode fazer este comentário. Os cibercriminosos leem-nos os lábios sem olharem para nós.

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