Pouco conhecimento sobre eCommerce nas empresas

Maioria dos recursos humanos que deviam ter competências nas empresas ainda não as têm. E no entanto muitas das organizações olha para a actividade como panaceia, fiz João Paulo Girbal, presidente da Centromarca.

João Paulo Girbal_CentromarcaIndicadores da Kantar Worldpanel Portugal sugerem que quatro mitos estão a travar a aposta no eCommerce para a venda de artigos de grande consumo: a ideia de que esse negócio será pequeno, não gera lealdade, canibaliza as vendas e de que os consumidores online não são atractivos. João Paulo Girbal, presidente da Centromarca, acrescentou o entrave da fraca disseminação do conhecimento sobre o comércio electrónico e o facto de as PME pensarem no eCommerce como solução para os todos os problemas, com consequentes desilusões.

O conhecimento necessário para aproveitar as oportunidades está muito concentrado, “as pessoas que têm a visão ainda não constituem a maioria”, considerou João Paulo Girbal, em declarações para o Computerworld.  Existem, exemplifica, dificuldades entre as PME familiares, quanto aos marketing digital, à margem de uma conferência organizada pela associação na Universidade Católica.

“Outro problema são as empresas que assumem o eCommerce como panaceia para os problemas actuais nas relações com a grande distribuição. Se hoje temos grandes agentes, no futuro também haverá no eCommerce”. Mas para João Paulo Girbal a grande diferença é que as PME poderão beneficiar de uma ligação directa com os consumidores.

“Não existe obstáculo de distância e localização e ‘mais’ do que o comércio electrónico é essa ligação que tem de ser explorada”, defende.

“Internet não é plana”

O responsável diz isso, mesmo face à opinião João Confraria docente da Universidade Católica, o qual alerta por exemplo que a “Internet  não é plana” e a facilidade de acesso é relativa a muitos factores.

Além disso, os padrões de compra têm influências de geografia e da comunidade onde o consumidor se integra, ou as pessoas com quem ele interage. Confraria tem dúvidas sobre se o combate ao “geoblocking” vai ajudar mesmo as empresas, porque faz mais sentido do ponto de vista ideológico do que económico: muitos problemas continuam a ser de base geográfica, insistiu.

Lidar com eles envolve conhecimento e cabe à universidades e às escolas de gestão, formar as pessoas de forma clara. Para promover a adopção do eCommerce entre as PME, Girbal considera ser essencial esclarecer divulgar boas práticas e casos de sucesso.

Dados da Kantar World Portugal para “desmistificar”

No evento organizado na Universidade Católica,Teresa Cotrim Figueiredo, directora-geral da Kantar Worldpanel Portugal, apresentou vários dados no sentido de desmontar os referidos mitos:

Teresa Figueiredo Cotrim, directora-geral da Kantar Worldpanel Portugal

‒ os consumidores aumentam, em média 3,7%, os seus gastos depois de usarem as plataformas online, sendo isso é válido para pelos menos 59% dos lares;

‒ a taxa de lealdade ronda os 10% em Portugal e nos mercados mais sofisticados fica, em geral,  entre os 20 e 30%;

‒ o valor dos “cestos” atinge 18 dólares por acto de compra em contraste com 56 na loja física e na maior parte da vezes referem-se a grandes cestos;

‒ 26% diz que menos compras por impulso no online, o que indica haver o desafio de criar impulso;

‒ as marcas maiores ganham em modelos online onde há menos oferta;

‒ há três oportunidades para as marca menores vingarem: ter gama alargada para aumentar  a frequência de compra, disponibilizar produtos frescos, oferecem em geral maior rentabilidade ao retalhista, com menos guerra de preços;

‒ 6% dos lares portugueses compraram online artigos de grande consumo tendo o volume crescido 30%, em 2015;

‒ um investimento bem estruturado terá rapidamente resposta de perto de 31% dos compradores online;

‒ É preciso avaliar potencial das categorias e dos clientes e medir continuamente o comportamento do consumidor online e offline. Estar presente na lista do retalhista e do consumidor muito importante, dar prioridade à geração de tráfego e esperar retorno a longo prazo, além de se investir de forma sustentada, também são boas práticas.

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