Oracle praticamente “só tem olhos” para a cloud

A cloud vale ainda 5 a 6% do negócio global da Oracle e o mercado português não é excepção, mas está a aumentar e já está a alavancar o crescimento da empresa. O SaaS domina, mas a principal aposta está no PaaS. A cloud é quase tudo na estratégia da Oracle. E os parceiros que não consigam acompanhar esta estratégia poderão ficar pelo caminho.

Oracle-logo-Stephen-Lawson-IDGNSA equipa da Oracle Portugal juntou recentemente os órgãos de comunicação social para dar a conhecer as principais novidades do Oracle OpenWorld 2015 e de que forma impactam e têm consequências no mercado português, um evento internacional que contou com a participação de 40 clientes e 25 parceiros (o dobro do ano anterior).

Mas este encontro foi também uma oportunidade para a Oracle fazer o ponto da situação do negócio da empresa em Portugal, que está a crescer, deixar mensagens/avisos aos parceiros, aos clientes e aos concorrentes, nomeadamente sobre a segurança da plataformas e modelos de licenciamento de software.

A empresa tem presentemente cerca de 200 colaboradores, tem forte presença no sector público e tem pelo menos uma solução numa das empresas do PSI-20.

“Localizar” oferta e discurso

No discurso realizado e na estratégia apresentada no Oracle OpenWorld, que a subsidiária portuguesa tem que seguir e ao mesmo tempo fazer o exercício de localização da sua execução, a mensagem que ficou é que o tema cloud é quase totalitário. Na verdade, os responsáveis da Oracle parecem só ter um objectivo e uma estratégia: tudo na e para a cloud e tudo através cloud.

 A Oracle e a (in)segurança do SAP HANA

Questionados sobre as notícias recente que davam conta de eventuais vulnerabilidades no SAP HANA, e sem referir directamente o nome do concorrente, Fernando Dias salientou que “só se garante a segurança se conseguirmos fazer a encriptação desde o chip. E isso é o que nós fazemos. Nós não mudámos. Por defeito, a segurança faz parte da nossa actividade e da oferta que disponibilizamos aos clientes.

Quando existem várias camadas de software e a segurança não vem de raiz, é naturalmente que possam aparecer vulnerabilidades”. E rematou: “só podemos ter uma segurança integrada começando pelo chip. E isso nós asseguramos”.

A verdade é que a realidade é ainda pouco mais que uma vontade, um desejo ou uma intenção. Os números não mentem nem a Oracle os esconde. “O contributo da cloud para o negócio da Oracle Portugal ainda tem um peso pequeno, cerca de 5 a 6% do total”, estando em linha com o que acontece a nível internacional.

Segundo Hugo Abreu, o negócio principal continua a ser realizado pela via on-premises e a empresa está consciente que existe um trabalho árduo a fazer nos próximos anos no sentido da cloud.

O country manager deixa vincado que o negócio (software: aplicações, middleware e base de dados) “on-premises é o negócio hoje”, a que acresce a componente de hardware herdado da Sun, que no último trimestre terá crescido entre 12 a 15 por cento. Aliás, o responsável está optimista para o ano fiscal em curso que termina em 31 de Maio.

Negócio cloud duplica anualmente

A empresa admite um crescimento do negócio de um ou dois dígitos. “Estou optimista. Temos muitas oportunidades a trabalhar que dão perspectivas para que 2016 seja um ano de crescimento”, avança Hugo Abreu.

A diferença entre um ou dois dígitos de crescimento está dependente da incerteza sobre o orçamento de estado e a fatia para a destinar ao sector público, onde a empresa tem tradicionalmente muito peso, e também da evolução do sector financeiro.

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Hugo Abreu recusa armadilhas no OLMS 

À margem do Oracle OpenWorld, confrontámos a Oracle Portugal sobre alegadas armadilhas para os clientes que estarão contidas nos contratos on premises Oracle Licence Management Services, as quais estão a ser denunciadas por um escritório de advogados do Texas, em nome dos seus clientes. Hugo Abreu disse desconhecer a situação e que no mercado português existem clientes que têm contratos OLMS e que a questão nunca se colocou. Acrescentou que o contrato é claro sobre a utilização do software e que “está tudo explicado sobre os termos da utilização da nossa tecnologia”.

No entanto, o country manager da Oracle Portugal salienta que a cloud está a crescer bastante. Nos últimos dois anos fiscais “temos vindo a duplicar o negócio cloud”, em receitas e clientes. Também à área de engineered systems está a ter registar um crescimento pelo terceiro ano consecutivo.

Na área da cloud, o principal contributo tem origem na área de aplicações (SaaS), e só depois a área PaaS, que inclui as bases de dados e o middleware (exadata e outras plataformas); a área IaaS é pouco relevante.

Aposta em PaaS

Aliás, “a área de PaaS é a nossa principal aposta. O nosso ADN é PaaS”, salientou Hugo Abreu. Mas também porque é a oferta que melhor tira partido da cloud híbrida, que a Oracle diz a tendências nos próximos anos e para as três camadas: aplicacional, processamento e plataforma.

Por outro lado, parece também ser a oportunidade da Oracle de utilizar a cloud em Paas para “dar e levar o poder da nossa tecnologia aos clientes, para gerirem os dados em segurança. Os dados estão encriptados e a chave do acesso é do cliente”, salientou Fernando Dias.

O Sales Consulting Senior Manager da Oracle acrescentou que a aposta na Oracle passa pelos standards cloud e que esta só poderá ser uma commodity se houver standards, “o que nós temos vindo a fazer”. De acordo com o responsável, “a Oracle é a única empresa capaz de disponibilizar a mesma oferta tecnológica para ambientes cloud ou/e on-premises, o que facilita a tomada de decisões das empresas e lhes oferece níveis acrescidos de flexibilidade”.

Mercado cloud

A Oracle acredita que o caminho é a cloud não só por razões defensivas do negócio, mas sobretudo porque acredita que é um disruptor para libertar as organizações do que não é central na sua actividade e oferece flexibilidade ao negócio. No entanto, o principal driver talvez seja porque é um disruptor acelerador do crescimento do negócio e a favor da sua inovação.

Segundo os números da Oracle até 2025 95% dos gastos de TI sejam vão ser “deslocados” para a cloud. É uma transição “imparável”, mas não imediata, que durará entre 5 a 10 anos. A tendência é menos perceptível na Europa mas nos Estados Unidos já é muito clara, salientou Hugo Abreu.

Retomando as palavras do fundador e principal acionista da empresa, Larry Ellison, embora sem o tom provocatório, o responsável da operação no mercado português, reiterou que na área a SAP e a IBM não são concorrentes, até porque não estão entre as cinco maiores empresas na cloud, no que diz respeito a receitas.

Este ranking e dominado por empresas como a Amazon, Microsoft, Google e Salesforce, e a Oracle também não está na lista, embora figure no segundo lugar só se for contabilizada a área de SaaS (Software as a Service), logo atrás da Salesforce.

Parceiros: elogios e avisos

Segundo a Oracle, o crescimento na área cloud tem vindo a ser vindo feito na base instalada de clientes, mas há também novas referências. Manuel Gonçalves, Director Alliances and Channels da Oracle Portugal salienta que no capítulo das novas referências, “os parceiros têm sido muito relevantes, fazendo mais de 90% das vendas cloud e gerando cerca de 40% do total negócio”.

O responsável esclareceu que a empresa tem aproximadamente 150 parceiros (4000 profissionais acreditados em tecnologia Oracle) e que 20% são responsáveis por 80% da receita trazidas pelos parceiros. Manuel Gonçalves admitiu que a canalização do negócio através de parceiros é uma tendência que a Oracle assumiu nos últimos anos e que tem dados resultados positivos, sendo cada vez mais relevante nas receitas da empresa.

Sem deixar de elogiar o “saber fazer” desses parceiros deixou uma recomendação em jeito de aviso: os parceiros que não fizerem atempadamente a evolução para a cloud, dificilmente terão futuro no ecossistema Oracle Partner Network.

Porquê? Manuel Gonçalves revelou que a partir de 1 de Fevereiro a empresa vai anunciar uma reestruturação desta rede de parceiro, a qual terá nova categoria comum a todos: cloud. Segundo o responsável, eliminar-se-ão as barreiras à entrada dos Parceiros na Cloud através do Cloud Registered Level, que permite aos parceiros usufruírem dos benefícios dos programas da Oracle sem investimento inicial.

Oferta OracleWorld para Portugal

Durante o Oracle OpenWorld 2015 a empresa fez mais de uma dezena de eventos. Questionado sobre aqueles que terão maior relevância ou potencial impacto no negócio em Portugal, Hugo Abreu destacou três: a nova oferta para a área da segurança com o conceito always on, a nova família de servidores com os novos processadores com o SPARC M7, e ainda a oferta abrangente de cloud, que toca a área de aplicações, plataformas e infraestruturas.

Oracle Sparc-M7_Oracle_computerworld_plO conceito always on assenta no princípio de que as funcionalidades de segurança devem estar integradas desde a base do stack das soluções. Deste modo, se a segurança está por exemplo integrada no nível das bases de dados, as aplicações herdam estas funcionalidades. Da mesma forma, ao integrar a segurança no hardware está a proteger-se todo o software.

Neste âmbito a Oracle anunciou a inclusão da segurança no silício, com particular destaque para as funcionalidades de segurança incorporadas nos novos microprocessadores M7. A Oracle anunciou ainda uma vasta oferta de soluções de segurança incorporadas em todos os níveis da cloud.

A nova família de servidores dotados com o processador SPARC M7 incorpora funcionalidades de segurança e desempenho graças à tecnologia “Software in Silicon”, que inclui a encriptação assistida por hardware e a proteção da memória para fazer frente a possíveis ataques. A Oracle considera que esta nova família de processadores é o expoente máximo da sua estratégia de integração de Hardware e Software

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