Três “directivas” dos CEO servem a Outsystems

Os CEO estão a exigir a re-invenção da interacção com clientes, uma maior fluidez na experiência digital e a inovação em extremos das organizações.

São três as “directivas” dos CEO nas quais Paulo Rosado, líder executivo da Outsystems, alicerça os argumentos da oferta da empresa para Rapid Application Development e Application Lifecycle Management.

No evento anual de utilizadores da plataforma, o responsável colocou a necessidade de “reinventar o modelo de interacção com clientes”, como a primeira das orientações percebidas no discurso daqueles responsáveis.

“Significa fazer uma digitalização completa [da interacção], pensar no caminho que o cliente faz e remover os saltos necessários para tornar a viagem, completamente fluida com tecnologia”, explica, recorrendo a portais, à integração de centros de “contact centers” com aplicações móveis e “muito self-service”.

Para alcançar este patamar, torna-se necessário “alterar os processos no ‘back-end’”, a segunda directiva. Procura garantir que, quando o cliente telefona para o fornecedor, o interlocutor já conheça a situação.

Além disso, pode englobar ainda a existência de uma aplicação móvel, ou portal, ao qual o cliente poderá recorrer. “É a optimização de processos do lado do empregado, há muitos que estão partidos, feitos com papel e centrados numa lógica interna”. Isto é, não incorporam a interacção iniciada com o cliente.

A terceira ideia parte da exigência cada vez mais frequente de inovar, não de forma centralizada mas nos extremos das organizações, “mais próximo do campo de actividade”. Onde se sentem os problemas e de onde podem surgir as inovações mais disruptivas, consideram muitos analistas.

A grande explosão de linguagens de programação adensa o cenário de dificuldades das empresas na produção das aplicações, tornando difícil garantir as competências necessárias.

Cada vez mais “as inovações têm de ser acompanhadas com inovações digitais”, aponta Paulo Rosado. Acrescem às directivas vários pontos de pressão, e aquele face ao qual a Outsystems aposta a sua diferenciação: “a necessidade de se desenvolverem aplicações num prazo de 16 semanas, quatro meses no máximo que alimentam uma pressão descomunal nas TI”, afirma o CEO.

As novas gerações de profissionais agudizam o problema porque, se não têm os meios disponíveis internamente, recorrem a ofertas externas. Grande parte dos desafios têm a ver com o suporte às mudanças, em particular, nos sistemas legados.

Normalmente, existem inúmeras dependências entre aplicações e componentes das mesmas, não sendo fácil garantir as ligações entre elas com as alterações, recorda o executivo.

Acresce o tradicional problema da rotatividade de programadores, mais interessados em criar aplicações do que em ficar numa só empresa a mantê-las.

Com a sua oferta, a Outsystems procura aproveitar também as necessidades dos clientes em efectuarem mudanças nas aplicações disponibilizadas num modelo SaaS para poderem inovar.

Paulo Rosado evoca também a grande explosão de linguagens de programação para caracterizar o cenário de dificuldades das empresas na produção das aplicações. Torna-se difícil gerir e garantir as competências necessárias para isso.

Mobilidade acelera criação de tecnologia legada

O desenvolvimento de aplicações móveis é, segundo o executivo, um factor enorme de aceleração na “criação de tecnologia legada”.

Uma plataforma de ferramentas de desenvolvimento rápido, como as que a Outsystems propõe, deverá reduzir a manipulação de linhas de código, ao funcionar com a manipulação de objectos visuais. As dependências também serão mais pequenas, argumenta.

A Outsystems promete também eficácia na abrangência das camadas de software essenciais a modelar nas aplicações. É, de acordo com o CEO, particularmente difícil manter o controlo sobre este aspecto para todas as aplicações.

E quando uma camada não é abrangida, a eficiência das plataformas de RAD decresce, diz Rosado, acrescentando depois que a oferta da Outsystems oferece capacidades de auto-reparação ‒ embora isso não seja sempre suficiente.

Para garantir maior abrangência, o CEO disse ainda que a empresa decidiu manter a plataforma aberta à adição de código. “Suportar mudanças fora do modelo é ainda pior do que programar com linhas de código”, avisa.

Por isso, o fabricante apostou na incorporação de funcionalidades de medição e análise de impacto dentro da plataforma. As capacidades de medição análise servem também o suporte de metodologia DevOps, argumenta. Dão suporte tanto à implantação como ao restabelecimento do cenário prévio à instalação das aplicações, abrangendo a actualização de bases de dados.

Além disso, as medições incidem sobre aspectos não só de desempenho, como de utilização, servindo também objectivos de melhoria e afinação.

RAD é acrónimo de “má fama”

Em declarações ao Computerworld, Paulo Rosado respondeu a algumas críticas pelo regresso e enfoque no acrónimo RAD, com menos destaque para o “ágil”. O responsável reconhece “a má fama” associada, que diz ter surgido no final dos anos 80.

“As ferramentas tinham problemas, eram muito pequenas e mal feitas, não abrangiam a aplicação toda”, recorda, mas hoje não há outra forma de definir o que a plataforma da Outsystems e outras fazem. Além de o sector, incluindo consultoras, estarem a adoptar a sigla, argumentou.

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