“Quanto mais há tecnologia e informação, as pessoas fazem a diferença”

Para inovar, uma empresa precisa de antecipar os próximos processos de inovação. Essa é a grande dificuldade, segundo o CEO da Logoplaste, Filipe de Botton.

Muitas vezes criticada pela complexidade das suas aplicações de negócio, a SAP procura cada vez mais desfazer essa imagem. Essa linha de discurso esteve bem presente no SAP Forum, realizado esta quinta-feira em Lisboa e cujo mote era precisamente “Simplificar para inovar”.

No debate integrado no evento, o CEO da Logoplaste, Filipe de Botton, associou a simplificação do negócio a uma organização adequada da actividade nas empresas. “Simplificar dá muito trabalho e inovar implica organizar”, defendeu.

Carlos Coelho, da Ivity Brand, colocou as pessoas como potenciais factores de simplificação e inovação. Mas mediante uma transformação: serem preparadas para fazerem escolhas.

Botton acabou mesmo por considerar que “quanto mais tecnologia e informação existe [nas empresas], as pessoas fazem a diferença”. A organização, do seu ponto vista, envolve ter objectivos e procedimentos bem estabelecidos e comunicados,  num ambiente de partilha de objectivos, no qual os individualismos perdem prioridade.

Para inovar, diz, “é necessário ter um ambiente totalmente organizado, com procedimentos bem estabelecidos”. Além disso, a inovação tem de ser vista como um todo, e não cingir-se aos produtos, porque é a única forma de se inovar.

Na opinião do CEO, a grande dificuldade é “antecipar” os próximos “processos de inovar”. Essa é para ele uma das chaves para a inovação.

Torna-se importante as empresas não se fecharem no seu “casulo“ e estabelecerem ligações a parceiros, como por exemplo as universidades. Nessa abordagem, ganha importância o contacto com os clientes (B2B), mas também com os consumidores ou utilizadores dos produtos das empresas (clientes finais).

Pessoas são problema e factor diferenciador

“Todas as pessoas são formatadas para o fazer em quantidade e não o fazer escolhas”, considera Carlos Coelho, e essa é uma atitude que tem de mudar para haver simplificação: “Simplificar é fazer escolhas. Inovação e risco, é o que não gostamos de fazer”, defende.

O responsável alerta para o perigo de cair na simplificação básica e na “minimalização”. “Simplificar não é apenas passar do físico ao digital”, focado apenas nas reduções de custo e tempo inerentes, alertou o director-geral da SAP Portugal, Paulo Carvalho. Envolve ter em conta outras variáveis como os ganhos obtidos nas relações com o cliente, por exemplo.

Filipe de Botton acredita no poder diferenciador das pessoas capazes de tomarem decisões revelando ser essa a aposta, associada à implantação de processos, na Logoplaste. No âmbito da inovação, o potencial humano é também alimentado: “todos têm a mesma informação para inovar”.

Paulo Carvalho salientou nessa linha que “pela primeira vez a tecnologia disponível para as empresas está também disponível para os consumidores”. O responsável sugere assim haver maior potencial de inovação, mas diz que o grande desafio é disponibilizar as tecnologias de forma simples para as empresas.

Já durante o evento Sapphire 2014, o CEO da SAP, Bill McDermott, defendeu a importância de acolher os nativos digitais, cada vez mais presentes no mercado do trabalho e exigentes quanto à simplicidade dos sistemas e processos com os quais  têm de trabalhar.

Trata-se não só de promover a satisfação dos profissionais, como também a sua produtividade. Num contexto semelhante, Carlos Coelho defendeu a necessidade de as empresas portuguesas abrirem mais espaço para os recursos humanos mais jovens, nas suas estruturas: “O principal motor da inovação é a inocência”, justifica.

Noutra direcção, Paulo Carvalho revelou que a conjuntura de crise trouxe um incremento de “pragmatismo muito útil e interessante” em muitas organizações portuguesas, associando-se a uma ideia já antes defendida pelo professor do ISEG, João Duque, no caso das universidades .De acordo com o académico, as restrições orçamentais impostas às universidades têm levado as instituições a procurarem financiamento em ambientes mais competitivos e por outras formas.

Há também uma maior aproximação aos clientes, potenciais alunos e maior pré-disposição para a interligação com outras instituições. Uma maior vontade para as parcerias com as empresas também é notória, segundo o docente, num processo de transformação que “não é rápido nem lesto”.

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