Quatro caminhos para uma transformação digital bem sucedida

Um estudo da Bain & Company salienta que a velocidade não é o fator determinante para a transformação digital bem-sucedida.

Entre as equipas de liderança, há uma perceção crescente: a velocidade por si só não é suficiente para captar o valor total da transformação digital para uma organização. A conclusão é uma das ideias que o inquérito anual da Bain & Company traz. O estudo ouviu 1.200 líderes empresariais em todo o mundo.

As empresas muitas vezes dão prioridade a rapidez com que implementam transformações digitais nas suas organizações. No entanto, estas iniciativas de transformação digital muitas vezes promissoras perdem ímpeto e não produzem o impacto amplo necessário para competir no mundo de hoje.

Na análise da Bain, as empresas estão a aprender a priorizar o dimensionamento dos seus melhores serviços digitais para criar um impacto duradouro nas suas operações. Isto normalmente requer a reformulação da arquitetura tecnológica de uma organização e a integração da fluência digital nas suas funções empresariais.

Embora não seja suficiente – nem decisivo – para o sucesso dos projetos de transformação digital, a velocidade continua a ser um fator crucial. As empresas que melhor respondem às inovações digitais são aquelas que se concentram na velocidade em primeiro lugar.

“Rapidamente fazem mudanças onde é mais importante, lançando aplicações, formando esquadrões Agile, implementando novas análises e testando modelos de negócio digitais inovadores. Mas o caminho para o sucesso muitas vezes deparou-se com problemas como infraestruturas tecnológicas obsoletas, modelos operacionais incompatíveis, formas antigas de trabalho ou culturas resistentes à mudança”, diz a consultora.

Analisando os esforços mais eficazes das organizações, a Bain identificou quatro padrões de transformação digital que permitem às empresas reconstruir e competir ao mesmo tempo.

Padrão nº 1: estabelecendo as bases digitais

A primeira norma envolve empresas que estão sob pressão para desenvolver novas funcionalidades digitais e estão essencialmente a começar do zero. A ameaça é clara e evolui constantemente, mas ainda não produziu uma plataforma de mudança. Muitas empresas industriais encontram-se nesta situação.

Os grandes fabricantes, por exemplo, há muito que têm usado tecnologias como a robótica para automatizar e otimizar o processo de produção. Mas a aplicação industrial de dados e análises está a evoluir para uma nova base de concorrência. As empresas estão a utilizar modelos avançados de análises preditivas para melhorar tudo, desde a gestão da cadeia de abastecimento até à manutenção e serviço. A implementação de uma nova infraestrutura digital requer um conjunto inteiramente novo de funcionalidades básicas, especialmente em torno de sensores e análises utilizados para recolher e interpretar informações relevantes em toda a empresa.

Padrão nº 2: integração de uma paisagem digital fragmentada

As empresas que se enquadram neste padrão sofrem de fragmentação digital, o que significa que não faltam projetos digitais em toda a empresa, mas não têm a capacidade de priorizar as iniciativas mais promissoras e escaloná-las em toda a organização.

Isto é comum entre as empresas globais de bens de consumo com sistemas de TI legados que variam de uma região geográfica ou de uma função para outra. Embora possam estar a fazer muitas coisas inovadoras localmente para servir os clientes, a tecnologia incompatível dificulta que toda a empresa aprenda com estas ideias e as implemente.

Padrão nº 3: transformação digital de frente para trás

O terceiro padrão também confronta o enigma do legado no core business, mas o problema neste caso é diferente. Em vez de uma arquitetura de TI fragmentada, estas empresas têm anos de sistemas acumulados que foram construídos uns sobre os outros à medida que o negócio evoluiu. O emaranhado de infraestruturas tecnológicas resultantes acaba por ser ineficiente e inflexível, abrandando o tempo de reação da empresa.

Padrão nº 4: lançar uma nova frente digital

Uma nova frente digital é uma aposta ofensiva e ao mesmo tempo defensiva. No ataque, permite que as empresas entrem num novo mercado com uma solução leve e personalizada que esteja livre de bagagem antiga. Em defesa, pretende-se propor à empresa uma nova proposta de valor para atrair novos clientes no seu mercado existente – por exemplo, visando millennials, estudantes e jovens profissionais para construir a base de clientes do futuro.

“Estes quatro padrões não captam todos os riscos e desafios que as empresas enfrentam ao contemplarem a melhor forma de se transformarem para competir num mundo digital. São concebidos como arquétipos amplos que destacam a interação de realidades práticas que qualquer viagem de transformação implica, especialmente durante um tempo de rutura acelerada. Eles encorajam os líderes corporativos a considerar dois fatores críticos”, conclui a Bain.

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