Do negócio baseado em produto para um dedicado a serviços: como a Warner Music se reestruturou digitalmente

Qualquer pessoa que ouve música e tem mais de 40 anos sabe que o consumo de música mudou radicalmente ao longo dos anos. Há muito tempo, a música era comprada em forma de vinil ou em cassete, mais tarde, chegou o CD; então, com o advento do iPod, começamos a comprar música através de downlowd. Hoje, compramos música num modelo de assinatura via Spotify ou Apple Music.

Embora a mudança para a distribuição por assinatura tenha sido bastante indolor para os fãs de música, foi muito exigente para as editoras, que tiveram de mudar o seu negócio até então baseado em produtos para um negócio baseado em serviços.

No modelo de produto legado, as etiquetas geriam uma cadeia de suprimentos física, fabricação e distribuição para uma rede de lojas. Hoje, com um produto digital, artistas e editoras têm muita flexibilidade no que lançam e quando lançam. “Os artistas podem lançar uma faixa ou uma coleção inteira”, diz Ralph Munsen, que é CIO do Warner Music Group desde 2017. “Artistas e editoras ainda planeiam muito, mas temos muito mais agilidade e capacidade para responder ao mercado em tempo real”.

No início, a maioria das editoras, incluindo a Warner, tentou executar faixas digitais em sistemas e produtos existentes. “Ninguém sabia para onde a indústria musical estava a ir, então continuar a usar os nossos sistemas legados parecia a maneira mais rápida de resolver um problema”, diz Munsen. “Esta situação durou cerca de uma década, mas nos últimos cinco anos, com a adesão das assinaturas, atualizamos as nossa tecnologia e processos”.

Reestruturar a organização de TI

Como se reprograma e automatiza um conjunto de processos de negócios que foram projetados para criar e entregar um produto físico? Esta era a questão que Munsen, a sua equipa e os seus colegas enfrentavam quando chegou a empresa em 2017.

Munsen começou a reestruturar a organização de TI. Criou dois grupos: Aplicações Corporativos, que manteriam os sistemas legados a funcionar, e Inovação, que se concentraria no futuro e empregaria princípios de desenvolvimento agile de produtos. Para o grupo de Inovação, ele identificou pessoas, internas e externas à empresa, que tinham familiaridade com tecnologias de computação em nuvem e com desenvolvimento agile. Se tivessem experiência em média, isso seria uma vantagem, mas para Munsen era mais sobre sua experiência com abordagens modernas de desenvolvimento de software.

“Mudamos de uma cultura de back-office isolada para uma cultura colaborativa e responsiva com um relacionamento direto com a frente da empresa”, diz Munsen.

“A equipa da Warner que trabalha diretamente com os artistas usaria as nossas novas ferramentas, então precisávamos de uma conexão mais estreita com eles”.

Essa conexão mais estreita permitiu que Munsen e a sua equipa entregassem um conjunto de ferramentas de autoatendimento aos artistas que lhes permitia ter maior controle sobre sua produção.

Ferramentas de autoatendimento para artistas

No passado, depois que um artista gravava uma coleção de canções num estúdio, as faixas tinham de ser masterizadas e enviadas para a fabrica, que faria a impressão num CD. O departamento de arte e o artista selecionariam o design da capa do álbum, que então voltaria à fábrica. “Hoje, podemos fornecer a artistas e gestores ferramentas e tecnologia para aprimorar sua arte dentro ou fora do estúdio”. Uma dessas ferramentas é o Opus, uma aplicação móvel que permite que artistas e gestores entendam dados de desempenho em tempo real.
Para oferecer suporte às novas ferramentas de autoatendimento, Munsen e a sua equipa substituíram os sistemas legados por uma camada de computação em nuvem modular, baseada em micro serviços e baseada em API. “…além disso, temos front-ends Angular ou React que também são modulares”, diz Munsen. “Por trás de tudo, temos um big data lake e alguns repositórios de metadados na cloud”.
Munsen pensa na arquitetura como três camadas horizontais. “No passado, tínhamos uma arquitetura monolítica de três camadas com hardware dedicado. Agora temos cada camada – dados, microsserviços e IU – como sua própria unidade”, diz. “Então, em vez de ser verticais, agora somos horizontais. Basicamente, pode misturar e combinar tudo e criar a experiência que deseja”.

Mova-se rapidamente com as novas ideias

O conselho de Munsen para a criação de uma abordagem moderna para entrega de software para apoiar um negócio em rápida mudança resume-se a dois pontos: Primeiro, “não pode ter medo de desenvolver novas ideias rapidamente”, diz ele. “Os profissionais de TI tendem a ser muito cuidadosos com o planeamento, pois não querem quebrar nada. Não estou a dizer “jogue a cautela ao vento”, mas a tecnologia não é tão frágil quanto se pensa. Às vezes, mover-se mais rápido é mais importante do que analisar em excesso”.
O segundo ponto é a volta da cultura. “Certifique-se que tem parceiros no negócio que o ajudam a liderar a mudança”, diz. “A inovação tecnológica requer uma mudança na forma como interage com outras partes do negócio. É preciso deixar todos cientes de que está a mudar a maneira como desenvolve software e como o usa. Não importa o quão forte você seja como líder. Você não pode fazer isto sozinho”.

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