Setor de TI terá de mudar drasticamente nos próximos cinco anos

Estudo identifica onde as empresas precisam de melhorar para se prepararem para um futuro tecnológico ágil.

Para sobreviver às drásticas mudanças, ainda desconhecidas, que o surto do coronavírus trará às empresas, o setor de IT precisará mudar para ser relevante no ambiente de negócios, segundo levantamento do Hackett Group.

O relatório “CIO Agenda” da empresa norte-americana especializada em estratégias de negócios, mostra que as organizações deverão usar estrategicamente das TI para agregar valor aos seus negócios e a tecnologia permitirá que elas fomentem o mercado, superem concorrentes e melhorem satisfação dos clientes.

Cabe ao CIO a responsabilidade de preparar as organizações para esta mudança, de acordo com o relatório. O setor gerará mais valor às empresas, entretanto é essencial a liderança do CIO para acompanhar o mercado, otimizar a experiência do cliente e permitir tomadas de decisão ágeis.

Segundo Rick Pastore, Diretor Sênior do The Hackett Group, o antigo modelo operacional de uma TI centralizada no planeamento e na execução fica muito distante do cliente, tornando-se um processo lento e ineficaz. Pastore diz que a maior barreira às TI é sua incapacidade de controlar é a procura dos projetos de tecnologia, sendo assim, as “TI precisam obrigar os líderes de negócios a tomar a decisão do que entrar no pipeline e a fazer concessões dando prioridade ao seu trabalho como base nos objetivos estratégicos”. Segundo o relatório, a função de TI deve deixar de ser um fornecedor de serviços para se tornar ponto estratégico nos negócios.

As empresas com operações de TI de alto nível apresentam melhor desempenho em RH, compras, finanças e resultados, segundo o relatório. Num novo formato, os developers juntam-se às equipes multifuncionais dedicadas a clientes e produtos.

O documento orienta que as organizações redefinam os seus modelos operacionais de TI num modelo centrado no produto, num modelo de serviço de negócios e um modelo que intermedeia, integra e orquestra a operação. Sempre centrado no cliente e cercado por ações ágeis, orientadas às melhores práticas de dados e práticas digitais.

O relatório também recomenda os componentes principais para estar na base de todos os modelos, incluindo tecnologia, design de serviços, análise e gestão de informações, organização e governança, parceria de serviços e capital humano.

Organizações ágeis

Estas organizações ágeis atuam com menos custos operacionais (- 26%), uma margem líquida maior (30%), e lucro 49% maior, antes dos níveis de juros, impostos, depreciação e amortização, segundo o relatório, que também descreve as ações que as tornam organizações ágeis:

  • Cultura ágil com o cliente em primeiro lugar, quatro vezes mais hipóteses de ter stakeholders de negócios que percebem a TI como um parceiro valioso;
  • Organização orientada a valor, 32% menos equivalentes em tempo integral de TI a um custo 21% menos;
  • Fortalecimento da segurança dos dados, 100% das organizações líderes veem a cibersegurança como uma competência empresarial multifuncional;
  • Gestão de talentos, 20% menos turnover;
  • Modelo de implantação de plataforma digital, 28% mais transações sem intervenção humana, 54% mais processos por meio de recursos de autoatendimento.

Para as empresas alcançarem este patamar, precisam de avaliar o que já possuem e então projetar o futuro com um plano de práticas ágeis.

Desafios

As empresas têm de enfrentar ainda alguns desafios, segundo o estudo:

  • Cultura herdada, a qual apresenta maior rigidez e resistência à mudança;
  • Ameaças à cibersegurança, com aumento de volume, gravidade e complexidades dos ataques, sobretudo com o aumento de dados em aplicações na cloud e ainda um tempo de resposta reduzido;
  • Infraestrutura e grandes volumes de aplicações com estratégias de fornecimento e gestão de ativos limitados ou inflexíveis;
  • Falta de estratégia para satisfazer o aumento de procura ;
  • Competências desatualizadas;
  • Ausência de transparência de custos e muito tempo e dinheiro investidos para “manter as luzes acesas”;
  • Falta de uma mentalidade de transformação e pouco suporte para laboratórios e centros de inovação.
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