Migrar dados para a cloud: uma “batata quente” para os CIO

Custos ocultos e riscos de segurança: surpresas não desejadas.

Por Israel Serrano | Infinidat

De acordo com dados do Eurostat, mais de metade das grandes empresas europeias (56%) e um quarto das PMEs (25%) utilizaram a cloud em 2018. No entanto, muitas das que já estão nacloud começam a pensar em voltar ao data center local, porque perceberam que os custos dispararam, que há problemas com a soberania dos dados ou que foi criada uma excessiva dependência para com o fornecedor.

De acordo com dados do Eurostat, mais de metade das grandes empresas europeias (56%) e um quarto das PMEs (25%) utilizaram a cloud em 2018. No entanto, muitas das que já estão nacloud começam a pensar em voltar ao data center local, porque perceberam que os custos dispararam, que há problemas com a soberania dos dados ou que foi criada uma excessiva dependência para com o fornecedor.

No entanto, estão a surgir novas alternativas que permitem que as empresas aproveitem os benefícios da cloud pública ao mesmo tempo que mantêm a soberania sobre os seus dados numa cloud privada.

Muitas vezes, a cloud não proporciona as reduções de custos que promete; rapidamente, a empresa descobre que os pagamentos mensais estão sempre a aumentar; por outro lado, a segurança continua a ser uma preocupação, devido às continuas fugas de dados. Como resultado, muitos CIOs estão a ponderar se devem optar, ou não, pela “repatriação de dados”.

Custos ocultos e riscos de segurançasurpresas não desejadas

Uma dor de cabeça comum para as empresas que operam na cloud é, por exemplo, passar de um fornecedor de cloud para outro. Ou passar de um ambiente de cloud para um local. Os fornecedores aplicam penalizações (uma espécie de “taxa de saída” ou egress tax) pela eliminação dos dados, o que acaba por provocar uma “catividade” do fornecedor. Também é habitual que estes ofereçam melhores preços aos novos clientes do que a clientes existentes, o que é injusto para quem já lá está.

Para mitigar alguns destes problemas, algumas empresas decidiram adotar uma estratégia multicloud, mas isto – que não é uma má solução – agrega complexidade e aumenta os custos e,como é lógico, dificulta ainda mais a repatriação dos dados.

Quanto à segurança, há um problema adicional ao próprio risco de sofrer um ataque, que é a enorme escassez de valências no campo da segurança na cloud, situação que os peritos como os da Gartner consideram que se vai manter. Os skills necessários para proteger a organização a nível perimetral são muito mais comuns, acessíveis e fáceis de obter, mas no caso da cloud, uma vez mais, a história é outra.

Por outro lado, aspetos como a soberania dos dados também continuam a ser um motivo de grande preocupação em sectores como a saúde, a banca ou os serviços públicos, já que é quase impossível manter um controlo completo sobre os dados uma vez que estão na cloud. Por último, mas não menos importante, a nova legislação em matéria de privacidade (o famoso RGPD) obriga as empresas a compreender e controlar onde residem os seus dados e quem tem acesso a eles.

Há que ter em conta todos estos riscos para obter uma visão precisa do custo total de propriedade dos ambientes de armazenamento na cloud. E, mesmo assumindo que haverá sempre dados a circular na cloud como resultado do consumo e execução de aplicações e serviços, a migração de todos os dados para a cloud pode acabar por incrementar os custos em vez de propiciar a tão prometida poupança. 

Adicionar inteligência ao armazenamento de dados

Para responder a esta problemática, estão a surgir novos modelos que se centram na otimização dos custos através de infraestruturas mais inteligentes. Novas infraestruturas e soluções podemoferecer um armazenamento mais rentável, mantendo sempre a soberania sobre os dados, masaproveitando os benefícios do mundo cloud.

Se o que se pretende é elasticidade, flexibilidade e agilidade, isso pode resolver-se de forma local, sem incorrer em custos adicionais. Os novos modelos permitem armazenar dados num único repositório e, ao mesmo tempo, proporcionar aceso a múltiplos serviços de cloud pública, com o qual as organizações podem obter o melhor de ambos os mundos. As aplicaçõesempresariais podem ser executadas de forma nativa numa cloud privada, enquanto o armazenamento adjacente garante a segurança, a fiabilidade e a alta disponibilidade. E não é preciso pagar pela transferência de dados.

Eliminar a dependência

Embora a cloud signifique agilidade e flexibilidade, como referi antes, também implica uma dependência face ao fornecedor. E isto é relevante sobretudo quando a empresa tem que migrar grandes aplicações para a cloud, já que impede que se aproveite a competitividade de preços que existe entre as diferentes ofertas. Além disso, os fornecedores de cloud pública têm múltiplos mecanismos de faturação em função dos requisitos de capacidade, da repatriação de dados, dos requisitos de proteção, etc. e não é fácil prever com antecedência e exatidão quais serão os custos. 

Independentemente de se os dados das empresas residem numa cloud pública ou numa privada,a empresa deve poder contar com a flexibilidade de escolher entre múltiplas clouds, fórmulas económicas atrativas e com a disponibilidade que exigem as operações de negócio. Além disso, devem ter também a opção de escolher entre diferentes modelos de preços para ver qual funciona melhor no seu caso, seja em função do consumo, ou da flexibilidade de crescimento à medida que os requisitos de armazenamento crescem ou reduzem, ou optar simplesmente por uma tarifa plana mensal.

As novas soluções de armazenamento definido por software oferecem a opção de utilizar diferentes plataformas de cloud pública enquanto os dados se armazenam de forma local ounuma cloud privada, o que permite à empresa não só antecipar com maior precisão os seus custos, como também reduzi-los.

Em conclusão

No final, e em função do tipo de empresa e dos dados armazenados, a cloud pode não ser necessariamente a opção mais inteligente. Para os que estão a ponderar se deveriam migrar os dados da sua empresa para cloud, talvez devessem começar por analisar seriamente se existem razões para o fazer e quantificar exatamente os resultados que esperam, antes de iniciar um caminho que pode vir a ser dispendioso e de difícil retorno.

Talvez a resposta consista em conseguir um equilíbrio adequado, o que pode significar separaros dados das aplicações e infraestruturas da cloud pública, sem deixar de usufruir dos benefícios que esta oferece. Assim, todos ganham.

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