Como uma empresa com 200 anos pensa inovação?

Gigante do setor imobiliário JLL passou a adquirir empresas de tecnologia, lançou fundo para startups e criou uma dedicada a soluções digitais.

Por Carla Matsu

JLL carrega uma trajetória histórica que atravessa, pelo menos, os últimos 200 anos. Resultado de sucessivas fusões, tornou-se uma das mais prestigiadas empresas do sector imobiliário em todo o mundo. Recentemente, a empresas passou por uma grande transformação digital. Afinal, é preciso se reinventar para também competir com empresas que surgem para ganhar, em pouco tempo, títulos de unicórnio. “Hoje somos uma empresa de tecnologia focada no ramo de real estate”, resume Poliana Brandãodiretora de Digital Solutions da JLL América Latina.

Nos últimos cinco anos, a JLL tem adquirido uma série de empresas de tecnologia para alavancar a sua transformação. Uma delas é a ValuD Consulting, integradora de software IBM e serviços de consultoria. A aquisição tem no horizonte o crescente interesse – e necessidade – do mercado imobiliário em espaços inteligentes e conectados. Afinal, nada mais diz economia (e lucro) a longo prazo do que conectividade e análise de dados. Outro sinal de que a JLL está atenta à transformação digital é o lançamento de um fundo de cem milhões de dólares, o JLL Spark, dedicado a investir em startups que possam alavancar o mercado. No ano passado, a JLL contratou um dos grandes nomes do Google, Vinay Goel, para Chief Digital Product Officer. Na Google, Goel foi responsável, pelo Google Maps.

Experiência seamless

Ao ler qualquer plano estratégico de transformação digital de uma empresa encontrará frequentemente o termo “experiência do utilizado” como imprescindível. Soma-se a isso, soluções que conseguem entregar experiência sem fricção ou seamless. É o tipo de solução que tem se popularizado nos meios de pagamento – como quando pede um Uber e sai do carro sem ter um meio físico de pagamento. No setor imobiliário, esse tipo de experiência esta a ganhar valor entre aqueles que pensam inovação e aqueles que a usam, claro.

No Brasil, por exemplo, no escritório da JLL, em São Paulo, a área de Digital Solutions implementou um projeto piloto para testar um aplicação proprietário que consegue orquestrar as “facilitis” do edifício, como agendar salas para reunião ou saber se há lugares de estacionamento disponíveis. “O que faz-mos é dar visibilidade ao utilizador de tudo que tenha um edifício”, explica Poliana. A ideia é fazer uma aplicaçã que centralize diversas funções, incluindo recursos para chamar um Uber, encontrar bikes ou trotinetes para partilhar ou acompanhar horários do transporte público.

Um dos grandes casos de sucesso recente da divisão de Digital Solutions da JLL, está num edifício inteligente do McDonald’s. Na nova sede da gigante de fast food, localizada no centro de Chicago, a maioria dos espaços são abertos e não são designadamente fixos. A ideia é que os funcionários tenham liberdade para escolher onde se querem sentar e trabalhar. A gestão do espaço, assim como outras funções, é feita por uma aplicação pensada pela JLL. A estratégia da JLL foi desenhar um escritório inteligente que consegue dar apoio a mobilidade interna dos colaboradores. Sensores ainda medem e reportam a frequência de utilização dos espaços. Após quatro meses da mudança para a nova sede, 83% dos funcionários reportaram que o novo prédio encoraja a colaboração. A empresa também aumentou em 22% a sua aquisição de talentos após a mudança.

Como pensar inovação quando se tem um legado histórico?

Um dos grandes obstáculos das organizações para inovar está relacionado com à própria estrutura da companhia. Se há um legado, há dificuldades. Muito diferente do que ocorre com as startups que já nascem digitais e orientadas para inovar sectores, já as grandes companhias lidam com um arcabouço herdado. Inovar não é uma tarefa trivial.

Para Poliana Brandão, a inovação precisa ser pensada de uma forma holística e orientada. Para além de implementação de metodologias ágeis, Poliana destaca os esforços da JLL no constante acompanhamento das tendências de mercado IT e da sua inovação. “Não pensamos sozinhos. Temos uma equipa global, que esta integrada na equipa de transformação e inovação. Uma vez por mês, as equipas encontram-se e falam das tendências. Somos muito focados no estudo as novas tendências, e das novas tecnologias para as quais temos de olhar. E aí, junto com os líderes globais, decidimos o que precisamos de implementar em determinado momento”, relata.

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