O renovado edifício da Microsoft: uma conversa com Paula Panarra e Miguel Caldas [Podcast]

No mesmo lugar para onde foi desenhado o Pavilhão da Realidade Virtual para a Expo98, pelas mãos do arquiteto Manuel Vicente, onde foram mostradas ao mundo as tecnologias mais avançadas nesta área na época, está há sete anos instalado o edifício-sede da Microsoft Portugal.

Snoplastia: Evander Manuel

O renovado edifício-sede da Microsoft Portugal reflete uma profunda mudança de mentalidades.

A subsidiária portuguesa da Microsoft completa 30 anos em terras lusas no próximo ano. Tendo iniciado a sua atividade no nosso país, no Alto da Barra, em Oeiras, num pequeno escritório onde trabalhavam 30 pessoas. Hoje a Microsoft Portugal é composta no total por cerca de 900 funcionários.

Quando a Microsoft se mudou para o Parque das Nações, em abril de 2012, Claudia Goya, inaugurava um novo conceito, que chamou de Microsoft Lisbon Experience, o edifício tinha então pretensões de ser uma montra viva da mais poderosa empresa de software no mundo. A ideia era colocar a tecnologia ao serviço da inovação, da eficiência, aberta aos agentes nacionais, empresas, instituições públicas, escolas e universidades, organizações sem fins lucrativos, particulares e a todos os interessados em geral. A empresa estava no auge da liderança de Steve Ballmer, e já respirava a sua exuberância. Algumas mudanças de mentalidade começam então a notar-se naturalmente, os serviços ganham espaço ao software, e a cloud inica o seu caminho de protagonista da companhia.

Passaram sete anos e novo edifício-sede, procura agora refletir a cultura implementada por Satya Nadella, onde se notam as mudanças que fez na companhia. A Microsoft tem implementado um modelo de trabalho, que começa a ser cada fez mais usado por outras companhias, nomeadamente pequenos negócios de serviços de gestão ou de desenvolvimento informático.

Não ter de estar fisicamente presente nas instalações ou decidir estar todos os dias é uma opção que cabe a cada funcionário, que tem ao seu dispor, um conjunto de ferramentas da própria Microsoft. Nesta empresa é possível trabalhar de casa ou do café. Por exemplo, na empresa todos sabem que a CFO, Rita Piçarra, não está nas instalações a terça-feira, mas todos podem agendar reuniões, e caso pretendam tirar dúvidas com a CFO, ou esta requisitar o apoio de algum colaborador, podem faze-lo como se estivessem na empresas, basta ligarem-se através da aplicação, Microsoft Teams, e tudo acontece de forma tranquila e normal, inclusive podem vê-la sem se aperceberem onde está. O que conta é que o trabalho se realize com o rigor definido, e que os resultados não se desviem um milímetro dos objetivos. Mas da mesma forma que uns se ausentam fisicamente em alguns dias, outros precisam de estar presentes quase sempre, Miguel Caldas, o “baby boomer” da companhia, precisa de níveis de concentração por vezes incompatíveis com a alegria diária com que os seus netos lhe invadem a casa, então recorre as instalações da empresa com bastante frequência. O edifício-sede da Microsoft Portugal é de fato um exemplo de inclusão, e integração, tendo como preocupação número um, os modelos de vida adotados para cada um dos seus colaboradores.

Sete anos depois de inaugurar o edifício instalado no Parque das Nações, a evolução do negócio e os ciclos de Transformação Digital exigiam uma nova arquitetura de espaço. Segundo um estudo interno, realizado através da sensorização e IoT (Internet of Things), revelou que apenas 38% das áreas do espaço anterior eram usadas ativamente pelos colaboradores.

Esta análise determinou a criação de novos espaços, de um aumento da área dedicada exclusivamente a clientes e parceiros e uma envolvência mais familiar, propícia à criatividade e colaboração. O novo espaço tem agora mais de 500 workstations, 105 salas – todas equipadas com o sistema Microsoft Teams Room, com exceção das salas designadas de Phone Booths, pensadas para a realização de chamadas telefónicas.

A nova Casa Microsoft mantém a política de hot seat e clean desk – ninguém tem lugar designado e não existem gabinetes pessoais – e apresenta diferentes tipologias de salas: Phone Booths, Focus Rooms, Conference Rooms, Scrum Rooms – para brainstorm Design Thinking – e Multipurpose Rooms – adaptadas a servir múltiplos propósitos.

Paula Panarra, líder da Microsoft Portugal, esboça um enorme sorriso quando diz que fizeram questão de manter no edifico um forte cunho de portugalidade através da utilização de materiais tipicamente portugueses, como a cortiça, o burel, as cerâmicas e têxteis nacionais, os azulejos, as cadeiras “Gonçalo” e outras peças de design nacional. Mas foram mais longe ao dar as salas do edifício nomes de cidades, rios e serras, praias e monumentos nacionais, “num espaço que convida a abraçar a geografia portuguesa”.

Um escritório mais ágil, multicultural e inclusivo

A operação da Microsoft em Portugal aumentou substancialmente ao longo dos últimos anos. A tecnológica tem quase 500 engenheiros que suportam clientes da Microsoft em todo o mundo, a que se somam cerca de 190 pessoas a apoiar o negócio local e 200 baseadas em Lisboa, mas a servir outras regiões como Western Europe ou EuropeMiddle East e Africa (EMEA). No total, cerca de 850 pessoas a trabalhar a partir da Casa Microsoft, num ambiente multicultural com cerca de duas dezenas de nacionalidades.

Diferentes equipas com múltiplos backgrounds e necessidades plurais não é problema devido ao espírito One Microsoft que se promove. A diversidade e a inclusão são pilares da organização que incluiu no novo espaço uma casa-de-banho gender freepainéis de informação em braille, todo o edifício acessível a pessoas com mobilidade reduzida e uma sala de amamentação. 

Um escritório mais sustentável

A CFO da Microsoft Portugal, Rita Piçarra, falou-nos das características do edifício ligadas a sustentabilidade, que inevitavelmente estão diretamente ligadas a redução de custos, o que para uma CFO é sempre um tema muito agradável, mas a CIO PT, sabe que não é só por aí, a ex- campeã regional de surf, e ex-campeã nacional de Kick Boxing, é genuinamente preocupada com as questões da sustentabilidade.  Por isto, e alinhado com os compromissos globais assumidos pela Microsoft Corporation, também o escritório de Lisboa passou a ter mais cuidado com as questões ligas sustentabilidade. Tendo um consumo mensal de 3.000 talheres e 9.000 copos de plástico estes foram reduzidos a zero; a Microsoft instalou no seu edifício mecanismos nas torneiras que permitem poupanças que rondam os ¾ de água face aos consumos anteriores; todo o edifício está equipado com luzes LED e sensores de movimento; o parque automóvel é já composto por 26 viaturas híbridas e foram instalados 8 postos de carregamento elétrico.

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