Dicas CIO: O que importa saber antes de implementar Blockchain?

Quais são as principais skills necessárias, onde está a escassez de mão de obra e quais estratégias definir.


Por Lucas Mearian

De acordo com um novo relatório da KPMG, as empresas que estão a explorar aplicações do blockchain estão a procura de candidatos a vagas de emprego com habilidades específicas. Para além da compreensão sobre o funcionamento da tecnologia, estas organizações procuram que os interessados entendam sobre negócios e tenham capacidade de aplicar o blockchain para a resolução de questões específicas.

Visão de negócios
Para a KPMG, o primeiro requisito para se tornar um profissional na área é saber como aplicar o blockchain no mundo dos negócios. Em segundo lugar, os interessados devem entender a diferença entre diferentes tecnologias para saber quando usar mecanismos e plataformas diferentes.

“Isso ajudará a garantir que eles possam entender como o blockchain interage dentro de um ecossistema de tecnologia existente e como esse ecossistema impactará a solução de blockchain”, explica a KPMG. “E para aqueles que estão a planear o trabalhar do lado do desenvolvimento do blockchain, algum conhecimento de codificação (JavaScript, HTML, etc.) é útil.”

Isto significa que as empresas procuram developers de blockchain com visão de negócios, além da capacidade de entender os dados gerados nas plataformas para utilizá-los em determinados contextos. Uma das principais características do blockchain é sua capacidade de abranger uma organização e seus parceiros, conectando várias entidades por meio de um único registro eletrônico. Por isso, é fundamental que os profissionais tenham capacidade analítica de avaliação das melhores formas de implantação da tecnologia.

Capacidade para resolver problemas
Os interessados em trabalhar com desenvolvimento ou engenharia de blockchain devem pensar como um hacker e ter capacidade de pensar nos objetivos do negócio. Além disso, os profissionais precisam de entender as implicações e o valor da tecnologia “para cada um dos participantes e então [definir] a arquitetura e o fluxo geral da solução”, diz a KPMG. “É essa abordagem colaborativa que leva a uma aplicação bem sucedida do blockchain.”

Por ser uma tecnologia relativamente nova, os profissionais devem estar abertos a explorar e experimentar a solução. Apesar da maioria dos técnicos que têm o blockchain nas suas qualificações sejam especialistas em linguagens de programação como Java ou Python, esse não é um pré-requisito para a aprendizagem da tecnologia. Hoje, os principais cargos na área são estagiários, gestores de projeto, developers, engenheiros, consultores jurídicos, advogados e web designers.

“Os projetos Blockchain não terão sucesso ou dimensão sem uma equipa multifacetada que vá para além dos técnicos”, alerta a KPMG. “Esperamos que mais que universidades integrem blockchain em cursos futuros, o que ajudará a preparar os utilizadores finais e aqueles que serão responsáveis ​​pela criação, implantação e gestão de blockchain.”

Escassez de mão de obra
Atualmente, há uma falta significativa de developers que trabalhem com blockchain. Essa escassez é um dos principais obstáculos para as empresas que querem implantar a tecnologia, por isso, o mercado de trabalho para os interessados é grande.

Um relatório de empregos publicado pela Hired mostra que engenheiros de softwares com conhecimento em blockchain estão a ser muito requisitados. Segundo os dados, o número de vagas aumentou substancialmente. Um detalhe interessante sobre o assunto é que, apesar das skills de blockchain serem as mais procuradas pelos contratantes, apenas 12% dos profissionais de tecnologia consideram o blockchain como a principal solução que desejam aprender e trabalhar.

Outro problema que afeta o interesse dos profissionais é a dificuldade em encontrar vagas que ofereçam formação. Em geral, um em cada cinco engenheiros de software é autodidata. Nesse contexto, a expectativa dos especialistas é de que nos próximos anos surjam novos cursos de capacitação em blockchain, com a criação de disciplinas específicas em universidades de todo o mundo.

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