Como manter o cérebro 100% conectado

Neurocientista elenca seis passos indispensáveis para que o cérebro de pessoas adultas continue a aprender.

Diferente do que se pensava há anos atrás, o cérebro adulto também consegue concentrar-se e aprender novas tarefas. Não exatamente como o cérebro de uma criança, explica Carla Tieppo, professora e investigadora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. O cérebro mais velho consegue absorver novas habilidades por permanecer plástico até o fim da vida.

“A capacidade de plasticidade do cérebro tem variações ao longo da vida. Durante a infância e a adolescência, a neuroplasticidade flui. Na vida adulta, surgem vários travões moleculares e fisiológicos que agem para desligar essa neuroplasticidade, mas isso não acontece totalmente”, afirma a neurocientista.

Diferentemente de um bebé que tem um cérebro que experimenta “plasticidade para tudo”, o adulto precisa de um esforço a mais. Um bom exemplo disso são os atletas, cirurgiões, músicos e grandes nomes da literatura e da arte que, além do talento inato, também investem horas praticando.

“Se pudéssemos mapear os cérebros dessas pessoas, poderíamos ver um excepcional desempenho que é adquirido durante aproximadamente dez anos de prática. E essa prática não é um simples treinamento. É uma atividade altamente estruturada em que a pessoa se envolve com o objetivo específico de melhorar sua performance. E isso envolve repetições, esforço e feedback do treinador ou mentor”, diz Carla Tieppo.

Aliados à prática, existem outros fatores que ajudam as pessoas a aprender uma nova habilidade, como motivação, pensamento positivo e visualização do objetivo.

Estes são os seis passos para conectar o cérebro e aumentar sua plasticidade e domínio:

1 – Encontre um motivação

  • Qual é seu objetivo? Qual habilidade, comportamento ou mentalidade que você quer aprender, mudar, dominar ou aperfeiçoar?
  • Ter clareza em torno do seu objetivo gera confiança, motivação e excitação invés de medo e incerteza;
  • Saber qual é o seu objetivo permite estabelecer “metas mínimas”;
  • Essas metas mínimas vão prepara-lo para algumas vitórias fáceis iniciais. Vitórias fáceis que fecham um ciclo de feedback e disparam os caminhos de recompensa da dopamina no cérebro. Recompensa aumenta o aprendizado e ativa motivação.

2 – Envolva-se com a tarefa

  • Foque-se em aprender uma nova habilidade;
  • Seja determinado com uma tarefa é vital (multitarefa leva ao esgotamento cognitivo);
  • Tenha um professor, treinador ou guia para que dê feedback;
  • Um aviso para professores, treinadores ou guias: deve agir como um recurso e não como um microempresário do processo. Motivação vem da autonomia e do domínio. Todos nós  respondemos a recompensas internas e não externas.

3 – Encontre o ponto principal entre o tédio e o medo

  • Encontre seu fluxo. Do ponto leve ao moderado de ativação, o cérebro está em ótimo estado para aprender. Em níveis muito baixos ou muito altos de estimulação, a aprendizagem é inibida. Nós vemos isso em todos os níveis neurobiológicos desde a sinapse até o comportamento;
  • Tédio é um sintoma de subexcitação – talvez a nova tarefa não o esteja a testar. Tente preparar um objetivo maior, mudar alguns pontos do objetivo ou mudar o ambiente em que está a treinar.
  •  Medo é um sintoma de excesso de excitação – talvez a tarefa esteja muito difícil. Isso supera seu nível de habilidade? Talvez você não tenha “vendo” seu desafio em partes ou projetos viáveis.

4 – Imagine

  • Pensar e fazer estão no mesmo cérebro. As mesmas áreas do cérebro são ativadas quando completa uma atividade motora e quando ensaia mentalmente a mesma tarefa;
  • Músicos e atletas usam ensaio ou visualização mental para ajudar a ativar o domínio;
  • Pode ensaiar mentalmente como vai responder emocionalmente a um evento. Tente ensaiar como vai responder emocionalmente se acertar um obstáculo ou falhar;
  • O ensaio mental pode ser pensado como prática quando você não consegue praticar.

5 – Repita

  • Pratique (pratique e pratique) a sua nova habilidade, comportamento e mentalidade;
  • Neurônios que “acendem” juntos, ficam ligados. Neurônios que estão fora de sincronia falham quando se  conectam;
  • A prática supera o talento. O gênio não nasce gênio. Em vez disso, constrói sua capacidade de dominar o que quer fazer;
  • É aqui que a determinação entra. Detalhe, a prática nem sempre é divertida.

6 –  Amplie. Saia da sua zona de conforto

  • Repetir a mesma tarefa várias vezes não é o suficiente para melhorar. Deve praticar no limite da sua capacidade;
  • Os amadores praticam até fazerem tudo corretamente. Profissionais praticam até que não possam errar.
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