Infraestruturas de TI: Menos “verdes” por culpa da proteção dados?

No mundo atual das TI, há dois objetivos que, à primeira vista, parecem contraditórios: por um lado, o estabelecimento de mecanismos de proteção de dados; por outro, o respeito pelo meio-ambiente. As novas arquiteturas Green IT estão a contribuir significativamente para a redução da pegada dos centros de dados, e cada vez mais surgem novas soluções de armazenamento e de servidor económicas e energeticamente eficientes. Há, inclusive, quem mova todo o centro de dados para zonas climatericamente mais adequadas. Mas, perante um panorama de ciberameaças cada vez mais amplo e requisitos de privacidade cada vez mais exigentes, os esforços para garantir uma infraestrutura de TI mais “verde” podem ver-se frustrados.

Por Israel Serrano | Infinidat

A proteção de dados é uma necessidade

O Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), atualmente em vigor na União Europeia, requer a tomada de numerosas medidas para fazer com que as infraestruturas de TI sejam mais seguras de uma forma geral e, em particular, os dados pessoais. A mudança: agora os dados devem estar encriptados a todo o momento. A encriptação, por sua vez, implica tempo de processamento. Pode ser feita através dos sistemas de processamento principais, ou de coprocessadores. A potência de processamento adicional necessária para a encriptação não só requer mais energia para a operação dos processos, como também gera mais calor residual. Os gestores de centros de dados também deverão, portanto, ter em conta o aumento no consumo que seguramente não deixará de ocorrer.

Crescentes necessidades de energia

Mas as necessidades de energia adicional para o processamento e refrigeração não contam a história toda. Os operadores de centros de dados enfrentam outros desafios no armazenamento. Durante muito tempo, alguns baseavam-se exclusivamente (ou em grande medida) no armazenamento SSD. Embora estes meios sejam mais rápidos que as unidades de disco, requerem muito mais espaço para armazenar conteúdo encriptado, já que funcionam com uma compressão de encriptação inerente para poder abarcar a maior quantidade de dados possível no seu armazenamento e oferecer um preço por gigabyte mais baixo. As unidades SSD utilizam a sua própria encriptação, bem como padrões recorrentes nos dados, que podem ser combinados (daí a poupança de espaço), mas se os dados estiverem encriptados – como manda a Lei – estes padrões já não são gerados e é quase impossível comprimir ainda mais o conteúdo encriptado. É, portanto, necessário utilizar muitas mais unidades para um volume de dados encriptado, e, como resultado, há um maior custo de energia e refrigeração que no caso das unidades de disco.

Qual poderá, então, ser a solução? Talvez a chave possa residir num modelo híbrido Flash/disco, a funcionar sob uma gestão comum, onde a parte Flash realizaria o armazenamento em cache para aproveitar a sua velocidade, enquanto os dados pessoais -que devem ser encriptados – seriam guardados em disco, e os dados de trabalho ou de aplicações em unidades SSD.

Novas normas na estrutura das empresas

Em alguns sectores, as novas normas sobre a proteção de dados pessoais podem representar uma grande mudança. Por exemplo, no sector da saúde existe uma grande quantidade de dados pessoais, mas, uma vez que muitos hospitais têm limitações na ampliação da sua infraestrutura de TI, devem centrar-se não só nos custos de aquisição e na adaptação dos seus sistemas, como também nos custos de energia. Além disso, devem garantir que estes sistemas TI possam ser implementados tanto estruturalmente como do ponto de vista da potência requerida.

É necessária uma nova mentalidade

Tudo o que referi atrás ilustra bem quais vão ser os novos desafios colocados pela necessidade de uma maior proteção dos dados. Mas esta não é a única razão pela qual a eficiência energética deve desempenhar um papel mais importante nas organizações. Para superar este dilema (proteção de dados vs. respeito pelo meio ambiente) é necessário pensar tudo de novo. Por exemplo, deveríamos afastar-nos da visão tradicional das TI como algo isolado, abraçando uma visão mais global da tecnologia, que não ignore o consumo de energia. Nas empresas, estas são muitas vezes questões orçamentais separadas, dependentes de diferentes departamentos. Se for adotada uma visão visão global, pode ser um primeiro passo para uma TI mais ecológica, mesmo com os cada vez maiores requisitos de proteção de dados.

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