Debate dedicado à transformação digital envolve principais fabricantes do setor

A GS1 Portugal realizou no passado dia 22 o Fórum Digital Engagement, dedicado ao tema “ThinkData. The digital journey to connect business”. A iniciativa juntou oradores e entidades de referência para abordar os desafios e oportunidades de tendências como a Blockchain, a Inteligência Artificial e a Data Science, proporcionados pela era da transformação digital. Um debate que integrou dimensões complementares como a otimização de custos a médio prazo, transparência, visibilidade, simplificação de processos e eficiência acrescida.

A Data Science Portuguese Association, Deloitte, Havas Creative, IBM e Microsoft Portugal marcaram presença no painel de oradores convidados, tendo a iniciativa contado ainda com uma sessão de abertura a cargo de Pedro Sá Moreira, Adjunto da Secretaria de Estado da Modernização Administrativa.

João de Castro Guimarães, Diretor Executivo da GS1 Portugal, define a iniciativa como uma oportunidade para “a partilha de conhecimento, associada à missão da GS1 Portugal enquanto facilitador da unidade de ação dos intervenientes na cadeia de valor. Face a uma nova realidade dos mercados, a GS1 Portugal tem procurado acompanhar a dinâmica acelerada de evolução dos negócios e, como tal, a digitalização da economia faz parte das nossas preocupações a curto/médio prazo. Desta forma, trabalhamos continuamente para ajudar as empresas a enfrentar os novos desafios através de soluções que melhorem a eficiência e aumentem a segurança, rastreabilidade e sustentabilidade dos negócios; e, simultaneamente, a criar momentos de partilha de conhecimento, como é o caso do evento que teve hoje lugar”.

Pedro Sá Moreira, Adjunto da Secretaria de Estado da Modernização Administrativa, abordou as iniciativas mais relevantes de transformação digital no contexto do setor público, sublinhando os componentes complementares de “inovação, proximidade e inclusão” presentes neste processo. O investimento em projetos de transformação direcionados para agilizar a relação com os cidadãos e empresas permite garantir que “em 2018 temos a capacidade para nos dirigirmo-nos à população que mais necessita”.

Paula Panarra, General Manager da Microsoft Portugal, apontou a capacidade para, “através da Tecnologia, conduzir ao empowerment, permitindo que pessoas e empresas possam explorar todo o seu potencial”. Uma transformação que conduz a “alterações que estão também a chegar ao mundo do retalho, face a um consumidor cada vez mais influenciado pelo contacto que vai tendo na sua experiência digital e cada vez mais querendo uma personalização na forma como interage com as marcas”. O repto lançado às empresas está em compreender que neste contexto de mudança a “disrupção está a acontecer, cabe-nos perceber como tirar partido disso”. A intervenção da Microsoft Portugal foi aprofundada por Luís Silva, Diretor de Cloud and Enterprise da organização. Os projetos desenvolvidos pela empresa partem da evolução verificada no “aumento exponencial de dados, capacidade de computação e avanços nas redes neuronais”, alinhada com um esforço no sentido de “democratizar a inteligência artificial”.

O momento atual é definido por Fernando Matos, Presidente da Data Science Portuguese Association, como “um mundo a mudar muito rapidamente”. O desafio encontra-se no facto de existir “um gap entre gestores e data scientists; os gestores desconhecem o potencial da data science, os data scientists desconhecem negócio e estratégia”. A introdução de processos desta tipologia nas empresas representa “um desafio muito grande, maior para aquelas que não nasceram digitais”, que exige um papel interventivo e dinâmico dos decisores nas organizações.

A Blockchain aplicada às redes logísticas é apontada por Paulo Rodrigues da Silva, Business Sales and Delivery Executive da IBM, como “o grande paradigma que observamos para os próximos anos”. Esta utilização obriga, contudo, à “adaptação de alguns elementos de Blockchain à realidade das empresas, através da alteração de algoritmos, paradigmas e implementação de redes”. A expectativa para o futuro passa pelo grande desenvolvimento em curso relativamente à relação entre redes, estabelecendo pontos comuns de interseção e a integração de vários blockchains e das entidades que os utilizam, num futuro que pertence a “uma rede de redes”.

Para a Deloitte “a Blockchain constitui uma tecnologia interessante para a resolução de problemas de negócio”, com explicou Pedro Silva, Retail & Consumer Products Associate Partner da consultora. A tecnologia torna-se “particularmente relevante em cadeias de valor complexas, com múltiplos agentes, criando mecanismos de aumento de eficiência e partilha de informação”. Um exemplo é o caso da cadeia de abastecimento, área na qual “as soluções desenvolvidas sobre Blockchain podem ajudar a endereçar temas de contaminação e adulteração de produtos, possibilitando estabelecer mecanismos de transparência, confirmação de proveniência e segurança alimentar”.

Para Miguel Barros, CEO da Havas Creative, “uma disrupção não é uma pequena inovação; cria novos mercados, transforma cadeias de valor e mata parte da indústria quando acontece” motivo pelo qual se torna necessário às organizações garantir um frame of mind orientado a esta questão e processos para implementar a mudança. Apenas assim se torna possível garantir o sucesso das organizações face à disrupção “como mecanismo de sobrevivência e liderança”.

A discussão promovida pela GS1 Portugal acontece num momento que se afigura de revolução, ditada pelo acesso ao mundo digital e impulsionado pelos três grandes drivers para o futuro: transformação digital, inovação e foco no consumidor. A Indústria 4.0 está a transformar os processos de produção e a integração de dados, influenciando a interação entre empresas e entre estas e os consumidores.
Após mais de 30 anos de adoção do código de barras pela distribuição moderna portuguesa, a GS1 Portugal vive esta segunda disrupção como um desafio: atuar numa ótica B2B2C, apoiando as empresas na digitalização do seu negócio e garantindo a resposta às exigências do consumidor. Millenials. eCommerce. Omnichannel. Mobile Marketing. Big Data. O sucesso dos negócios depende cada vez mais da redefinição dos processos, da garantia da qualidade dos dados e da criação de estratégias orientadas para a economia digital

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