Pode a tecnologia tornar os espaços mais humanos?

A ideia de que a tecnologia pode ser usada de forma a tornar os espaços – de trabalho, mas não apenas – de certa forma mais “humanos” pode parecer um contrassenso. E, no entanto, é precisamente isso que hoje é possível (e desejável), através de um conjunto de abordagens que podemos englobar na área da gestão de ativos, ou “facilities management”.

Por André Calixto, CEO da NextBITT

Um edifício moderno concebido como um espaço de trabalho ou lazer, destina-se a ser usado e desfrutado por pessoas que nele trabalham, circulam, fazem compras ou se divertem. São espaços que podem ter sido criados a pensar apenas num tipo de utilização ou, pelo contrário, concebidos para múltiplos usos. Mas todos eles têm algo em comum: não se limitam a uma delimitação física de um espaço e, pelo contrário, destinam-se a ser usados pelas pessoas.

E é aqui que surgem necessidades humanas que os edifícios têm de acomodar: da iluminação à qualidade do ar, da limpeza à segurança, da proteção à manutenção. Um espaço que não seja corretamente gerido tornar-se-á rapidamente inabitável e… menos humano.

A moderna abordagem de “facilities management” já não se limita a possibilitar uma intervenção corretiva sobre vetores como a limpeza e a segurança, acelerando o contacto e seguimento dos recursos necessários à sua gestão, mas vai muito mais além, permitindo uma monitorização em tempo real de parâmetros como a luz ou a qualidade do ar, de forma a gerir equipamentos de forma mais dinâmica, resultando assim num melhor ambiente para quem usufrui do espaço.

Através da sensorização e monitorização de edifícios é possível transformar a maioria das intervenções de manutenção em ações programadas e de antecipação, evitando custos e danos provocados pela falha de equipamentos.

Ocupação e energia

Há cenários em que a forma usar a tecnologia num espaço para o tornar mais humano passa por saber quando esse espaço não está sequer a ser usado. Hoje é possível medir qualidade do ar em tempo real, de forma a saber se uma sala está vazia ou ocupada e fazer ventilação “on demand” e corretamente dimensionada às necessidades.

E os mesmos sensores usados para determinar a ocupação de uma sala podem ser utilizados para detetar a presença de componentes voláteis orgânicos – dessa forma assinalando que um espaço acabou de ser pintado ou alvo de uma intervenção técnica que fez com que ele não possa ser usado num determinado momento.

Numa altura em que as alterações climáticas estão na ordem do dia, ligadas à forma como a energia é consumida e produzida, o “facilities management” é um importante instrumento de poupança energética: a iluminação interna pode ser dinamicamente alterada em função da luz que vem do exterior, a climatização é feita a partir da medição da temperatura em tempo real, a ventilação forçada é ativada após a leitura de determinados valores na qualidade do ar…

Os responsáveis por todos estes espaços podem encarar o enorme leque de possibilidades na forma como os edifícios e os seus equipamentos são sensorizados e monitorizados bem como na capacidade do software de gestão de ativos, como uma forma de otimizar recursos. Mas também podemos olhar para o “facilities management” de outra forma: como uma maneira de tornar os espaços mais humanos.

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