Mesmo vulnerável IoT pode ser útil em Disaster Recovery

Mais processos de recuperação poderão ser definidos sem ser pelo pessoal de TI e as redes poderão servir para antecipar ocorrências.

A proliferação de dispositivos móveis mudou o conceito de perímetro da rede, mas a Internet das coisas (IoT, sigla em inglês) ainda altera mais. Um sensor conectado à rede pode estar localizado no topo de uma montanha, num campo de milho ou mesmo no oceano.

Então, como uma empresa pode incorporá-la num plano de recuperação de desastres ou Disaster Recovery? A IoT cria um desafio único porque está distante e é reconhecidamente vulnerável. Mas também pode tornar-se parte da solução, ajudando a proteger o negócio, de acordo com especialistas.

“A IoT tem um impacto importante o planeamento de DR de várias maneiras importantes”, diz o director de pesquisa na IDC, Phil Goodwin. Em primeiro lugar, no que diz respeito aos dispositivos IoT, a lógica e os dados das aplicações podem estar amplamente distribuídos fora do centro de dados, exigindo que qualquer plano esteja separado dos principais sistemas de TI.

Mas as organizações de TI precisam de alargar o seu plano de análise de ameaças para terem em consideração os dispositivos de IoT. “As ameaças ao datacenter podem ser diferentes das ameaças ao ambiente de IoT”, assinala Goodwin. E diferentes ameaças geram diversas acções de resposta.

Os dispositivos de IoT funcionam geralmente em tempo real e não podem tolerar um prazo de recuperação medido em horas”, alerta Goodwin (IDC).

Em terceiro lugar, “se pensarmos em DR no triângulo clássico constituído por pessoas, processos e tecnologia, não só esta é diferente em IoT, como também as pessoas e os processos”, diz Goodwin. “Na verdade, mais processos de recuperação podem ser definidos e executados pelo pessoal das unidades de negócio do que pela equipa de TI”.

E, finalmente, os acordos de nível de serviço da IoT (SLA, sigla em inglês) podem ser diferentes daqueles estabelecidos para o núcleo das TI, considera Goodwin. “Os dispositivos de IoT funcionam geralmente em tempo real e não podem tolerar um prazo de recuperação medido em horas”, alerta.

IoT útil na redução do tempo de inactividade

Uma forma de considerar a IoT é pensar que envolve instrumentar um processo, recolher dados e actuar sobre esses dados, diz Ian Hughes, analista sénior sobre IoT na 451 Research. “Muito do trabalho realizado em segmentos como o da IoT na indústria fabril usa a instrumentação para reduzir o tempo de inactividade e suportar a manutenção preventiva”, diz Hughes.

Essa mesma abordagem pode ser adoptada para o DR. Os sistemas de IoT, combinados com analítica e aprendizagem de máquina, podem ser usados ​​para detectar sérios problemas antes que ocorram, lembra Hughes. “Vemos o desenvolvimento de gémeos digitais em contexto de IoT, que representam um estado digital actualizado e de uma série de recursos”, diz Hughes.

“São usados ​​na altura do desenho da solução e introduzidos no “runtime, além de serem utilizados ​​para simulação e processos de evolução”. Enquanto o DR não é o principal motivo para criar um gémeo digital na sombra dos processos industriais, essa cópia pode ser usada em numa situação de recuperação de desastres, nota Hughes.

É importante que as empresas incluam os dispositivos de IoT e dados nos seu planeamento de DR, diz Hughes. “O risco é que, como aconteceu com iniciativas de montagem de sites e nas de comércio electrónico, os projectos de IoT são vistos como esboços ou apenas provas de conceito precoces”, assinala.

“Contudo rapidamente se tornam fornecedores essenciais de informação. Em muitas circunstâncias, o armazenamento de históricos de dados de IoT oferece fornece um registo forense capaz de ser usado para recuperar um estado ou reconstruir o último conjunto conhecido de leituras “, diz Hughes.

Uma das características das redes de IoT é que os dados recolhidos não provêem de uma só fonte, mas de múltiplas. E, muitas vezes, essas fontes atravessam fronteiras organizacionais, recorda Hughes.

“Isso deve ser levado em consideração quando uma empresa depende de várias fontes”, assinala. Por exemplo, ao usar um recurso de previsão do tempo para ajudar a gerir o funcionamento do aquecimento e ventilação de um prédio, a empresa deve considerar o impacto de perder esse serviço.

Considerações arquitectónicas

A arquitectura das redes de IoT precisa de garantir as capacidades de gestão e manutenção do estado dos dispositivos remotos, diz Hughes. “A resiliência local com a edge computing precisa de ser gerida tão de perto quanto a resiliência da cloud computing”, recomenda.

“Os terminais na extremidade ainda podem gerar dados significativos durante outras interrupções, e por isso as “caches” de dados podem tornar-se importantes se os sistemas principais estiverem com problemas”. Muitas dessas arquitecturas já existem na automação industrial e agora estão a ser ligadas ao resto da estrutura da empresa como parte de transformações digitais mais amplas, diz Hughes.

“Alguma resiliência pode ser incorporada em arquitecturas distribuídas, como na blockchain”, diz.

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