O que se exige num profissional para projectos de blockchain

Algumas empresas exigem profissionais com experiência no desenvolvimento e acompanhamento de sistemas de registos em produtivo.

Se um profissional de TI tiver interesse em trabalhar em sistemas de blockchain de topo, precisa de reunir algumas competências e qualificações de base. A bitcoin chegou às primeiras páginas dos jornais, recentemente, devido ao contínuo incremento do valor da moeda. Em Outubro já ultrapassava os 5000 dólares (Mais de 4100 euros), mas é óbvio – para muitos – que o interesse tem-se vindo a virar para a tecnologia blockchain subjacente.

Está a tornar-se consensual que o sistema de registo distribuído utilizado para a autenticação de pagamentos em cripto-moedas pode ser adaptado a uma gama muito mais alargada de processos.

O Computerworld UK falou com Niamh O’Connell e Gavin Pacini do laboratório de blockchain da Deloitte EMEA para recolher alguns conselhos sobre como se pode um profissional de TI tornar num programador de blockchain. À medida que as empresas, e até a Administração Pública, tomam consciência do potencial dos sistemas baseados em blockchain, a procura de peritos para desenvolver projectos piloto e lançar produtos tem crescido acentuadamente.

Sectores que estão procuram profissionais

Em primeiro lugar é preciso verificar onde está a procura de empregos. Há indícios de que o crescimento da contratação está a ter lugar em vários sectores e verticais da indústria. Alguns têm as estratégias blockchain mais desenvolvidas, outros, como os bancos Barclays ou BBVA, estão a investigar a tecnologia, enquanto que outros já têm conhecimento, mas estão ainda a testar o terreno.

Competências para se tornar programador de blockchain

As empresas estão a contratar vários perfis relacionados com blockchain. Para alguns algumas isto significa recrutar peritos com experiência no desenvolvimento e acompanhamentos de sistemas de registos em produtivo.

Mas por vezes, grandes organizações preferem criar uma equipa em torno de um núcleo de peritos em blockchain. Neste caso, o que precisa, além de fortes competências em programação de software e engenharia , é ter conhecimentos sólidos sobre os princípios que refém os sistemas de blockchain.

Naturalmente, o blockchain é apenas mais uma peça na engrenagem da tecnologia. Os engenheiros especializados em redes ou segurança, por exemplo, têm um papel vital a par daqueles com competências específicas em desenvolvimento de software.

Conhecer ferramentas modernas como a de contentores Docker ou arquitecturas de micro-serviços é também uma vantagem.

Qualificações necessárias para ser programador de blockchain

Obviamente, em primeiro lugar, necessita de conhecimentos em ciências de computação ou engenharia. A partir daí é possível fazer cursos de formação em blockchain adicionais. No entanto, esses cursos são escassos, uma vez que a tecnologia ainda é recente. A experiência em funções de desenvolvimento de back-end é crucial, sendo que é essencial ter algumas noções de cifra.

Se o programador tiver essas bases pode começar a aprender mais sobre as diversas plataformas blockchain, o que vai acabar por se tornar mais sistematizado explica Gavin Pacini do laboratório de blockchain na Deloitte. Existem algumas opções em de linguagem de programação para blockchain, mas Pacini diz que muitas das API e dos SDK desenvolvidos, são criados em Javascript, mais especificamente, Node.js. “Sendo uma plataforma relativamente nova e de rápida implantação, as pessoas na indústria do blockchain estão a tentar acompanhar o ritmo e não querem usar tecnologias antigas”, explica.

De qualquer modo os engenheiros de software poliglotas, que são capazes de programar em várias linguagens, parecem estar entre os preferidos. Conhecimentos de Java e C++ a estão entre os requisitos de muitas ofertas de emprego.

Expectativas de salários

Com em qualquer tecnologia emergente a pouca oferta e o crescimento da procura por peritos significa que muitas empresas estão dispostas a pagar prémios. Os rendimentos dos especialistas em blockchain variam consideravelmente. As startups pagam entre 40 mil e 60 mil libras anuais por alguém sem experiência e depois procura dar-lhes formação. Em alguns casos podem oferecer participações na empresa.

Para as grandes corporações, como bancos os valores podem ser significativamente mais elevados, a partir de 100 mil libras para programadores com cinco anos de experiência ou mais até 150 mil libras em alguns casos. De uma perspectiva de negócio, aceder às competências pode ser um desafio significativo. Alguns estimam que – no Reino Unido – haverá cerca de 250 programadores que percebem de facto de blockchain. Atrair potenciais colaboradores a partir deste pequeno grupo de peritos é complicado.

Muitos dos que estiveram envolvidos desde o início com o blockchain na forma de requisitos de permissões abertos de bitcoin, poderão estar interessados na criptomoeda ethos. Mas ir trabalhar em requisitos privados para um banco internacional poderá não ser o seu objectivo.

Além do mais, tendo em conta que a tecnologia blockcain continua um nicho, inclusivamente chegar ao contacto com a pessoa ideal pode ser difícil.

Manter-se a par das tendências da indústria

Num ambiente novo e dinâmico é importante para os programadores ser responsáveis pela sua aprendizagem, especialmente se pretende crescer na carreira. Deverá procurer pessoas nas suas redes que o podem ajudar a contruir o seu portefólio e participar em eventos com oradores que considere interessantes.

Pacini sugere utilizar o Reddit, para se manter a par das discussões relevantes na indústria, e o GitHub, um site para projectos de desenvolvimento de software, para aprender com os seus pares e partilhar código. “Desenvolver as suas próprias competências e conhecimento é importante. Temos sorte, porque o laboratório de blockchain na Deloitte opera como num ‘ambiente de startup’, pelo que é fácil partilhar informação, mas outros ambientes, é bom olhar para essas plataformas online”, acrescentou.

Ser ágil

Se pretende trabalhar em blockchain é necessário ser  adaptável e ter vontade de se envolver. Tendo em conta a natureza de novidade do espaço do blockchain, não existe muitas vezes documentação para se apoiar e os programadores precisam de se sentir confortáveis na busca de código de opensource e em aprender a fazer. “Não é uma plataforma consolidada, por isso não existe ainda uma curva de aprendizagem real. Tivemos casos em que tivemos de pesquisar ao longo do código fonte dos projectos de código aberto que normalmente não é necessário quando se utilizam tecnologias mais antigas, mas com o blockchain não temos hipóteses. As pistas são colocadas à nossa frente e a nossa função é fazer a melhor utilização delas”, disse Pacini.

Considerar os casos de estudo

O’Connel acredita que ter e compreender o caso de negócio além da tecnologia é extremamente importante para trabalhar em blockchain. Um dos desafios únicos do seu papel no laboratório tem sido educar os clientes sobre as características únicas da tecnologias e analisar se é ou não bom para os seus negócios. “O interesse no blockchain tem vindo a aumentar, especialmente no último ano, e isto significa que as pessoas estavam interessadas em utilizá-lo,, sem compreender de que modo é que deve ser utilizado em comparação com uma base de dados tradicional”, disse. “Descobimos que os clientes vinham ter connosco com casos de uso que pretendiam explorar e, depois de algumas sessões de formação, concluímos que o blockchain não fazia sentido para os seus negócios”, acrescentou.

Ter interesse genuíno

Tal como muitas coisas na vida, quanto maior o empenho, maiores os resultados. Pacini assinala que se se pretende ter de facto ter sucesso como programador de blockchain, é importante ter um interesse genuíno na área. Não apenas ficará mais motivado para trabalhar empenhadamente  e continuar a aprender fora das horas de trabalho, mas também terá mais probabilidades de sair vencedor.

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