Como a Indústria 4.0 tende a recuperar a produção em offshoring

Detlef Züehlke director do SmartFactory KL, instituto de para a indústria fabril inteligente, previu que o aumento da procura de produtos personalizados mas produzidos em massa levará ao encurtamento da cadeia logística.

Detlef Zühlke, director da SmartFactory KL

Nos próximos anos, a forma como o fabrico de produtos, os mercados e as economias funcionam poderá alterar-se fundamentalmente, com a crescente procura de produtos personalizados individualmente, mesmo que produzidos em massa. A previsão é de Detlef Zühlke director do instituto de indústria inteligente mais antigo da Alemanha, SmartFactory KL e orador da conferência Huawei Eco-Connect realizada em Berlim na semana passada.

O responsável disse que os mercados que atendem a serviços personalizados mudarão as economias e processos de fabrico para linhas de produção localizadas mais perto das sedes das empresas. Um exemplo são as “speedfactories'” da Adidas na Alemanha rural, onde são robôs a dar os retoques finais em sapatilhas de corrida.

De acordo com Zühlke, o termo “Indústria 4.0” foi inventado quase acidentalmente, quando a chanceler alemã Angela Merkel, na década de 2000, apresentou uma conferência sobre sistemas ciber-físicos de produção. Para simplifica, alguém chamou a isso de Indústria 4.0 e o termo permaneceu .

Em 2004, a Alemanha avançou com a ideia de uma organização sem fins lucrativos, onde os produtos da indústria 4.0 pudessem ser testados e em 2005 foi construído o SmartFactory KL. Actualmente a organização tem 50 parceiros, incluindo pequenas empresas e multinacionais como a Cisco.

A mentalidade convencional considera que quanto mais barato for o fabrico melhor é. Mas a crescente procura por produtos personalizados e encomendados para dali a dias ou mesmo horas, significa que a produção terá de mudar para locais mais próximos de modo a suportar isso.

“De certa forma, haverá um processo cada vez maior de ‘reshoring’ da produção”, considera Zühlke. “O futuro está em mais personalização, mas em massa e isso significa maior produção local, porque temos de encurtar a cadeia logística, do lado da produção para o lado do consumidor”.

Os blocos constituintes das fábricas inteligentes serão individualizados e equipados com seus próprios micro-servidores, executando os seus próprios endereços IP, e, como na Internet, não apenas estarão conectados a ela mas farão parte da mesma, antevê Detlef Zühlke (SmartFactory KL).

Não será claro como o cenário ficará configurado em termos práticos, por algum tempo. Mas pode significar, diz, colocar a produção muito mais próxima do cliente em vários mercados regionais, talvez distribuídos pelo continente, com sites de produção baseados em cada uma.

“Isso levará a uma nova estrutura económica mundial”, considera. “Todos os países do mundo reconhecem isso e estão a preparar-se para essa mudança especialmente a China”.

O potencial cenário criará novos requisitos comerciais, face às fábricas de hoje, disse Zühlke, que têm uma “estrutura rígida”. Esse modelo terá de mudar para uma abordagem mais modular, efectivamente a funcionar como peças de “lego” ‒ para as empresas que executam fábricas inteligentes poderem instalar e conectar vários componentes.

“Precisamos de fábricas mais ágeis”, avisa. “Os mais pequenos blocos constituintes das nossas fábricas serão modulares”.

Traduzir-se-ão em blocos individuais em fábricas inteligentes para serem equipados com seus próprios micro-servidores, executando os seus próprios endereços IP, e, como na Internet, não apenas estarão conectados a ela mas farão parte dela.

E para que esses vários componentes funcionem de forma eficaz, a infra-estrutura subjacente também terá de ser compatível, fundada em novas normas. Por exemplo, na transição do uso da Ethernet para Ethernet TSN, e da mudança de 4G para 5G.

A 5G permitirá a criação de redes públicas não só para dispositivos móveis, mas também com bandas seguras para a indústria, e sub-redes a funcionarem de baixo das primeiras e que as organizações poderão considerar como suas.

Quando o fábrica inteligente começou em 2005, a indústria fabril estava solicitar maior progresso na área das tecnologias de comunicação sem fio, Wi-Fi, Bluetooth e entre outras. Mas ficou claro que essas tecnologias sem fio não eram adequadas para uso industrial pesado, especialmente porque funcionavam em bandas de rádio públicas.

No entanto, a 5G, deve permitir conectividade em tempo real com tecnologia como micro-células com latência de apenas 1 milissegundo. E o surgimento da tecnologia 5G terá uma abordagem completamente diferente daquela registada com a 4G.

Permitirá a criação de redes públicas não só para dispositivos móveis, mas também com bandas seguras para a indústria, e sub-redes a funcionarem de baixo das primeiras e que as organizações poderão considerar suas.

Infelizmente, diz Zühlke, ainda vai demorar um certo de número de anos até as tecnologias estarem a funcionar para a indústria fabril. Mas, entretanto, as organizações podem preparar-se, testando o uso de dispositivos inteligentes e fazendo um esforço suplementar para proteger dados, formar e requalificar equipas, monitorizar activos com chip RFID ou tecnologias similares.

Podem também fazer experiências com a criação de sistemas próprios.

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