Chaves para uma estratégia de teletrabalho

Conseguir que uma estrutura de trabalho à distância funcione é difícil, mas uma abordagem orientada por missão e tecnologia eficaz tende a garantir bom retorno.

O trabalho remoto ou à distância pode ser uma oportunidade vantajosa para empregados e para as organizações. Os benefícios no envolvimento, retenção e o moral dos funcionários, bem como a sua capacidade de expandir a equipa e repositório de competências, são bem conhecidos. Além de se obter maior capacidade de atrair recursos talentosos.

Todavia o trabalho à distância implica desafios únicos que as empresas devem resolver para aproveitar ao máximo as estratégias adoptadas. Manter uma sensação de conexão com funcionários fora da empresa, garantindo que a tecnologia ajuda, em vez de dificultar a colaboração e a inovação, são aspectos do tema nas quais a maioria das empresas tem dificuldades.

Mas trata-se também de suplantar o risco de os funcionários se sentirem isolados e excluídos. Vários especialistas oferecem estratégias e boas práticas recomendadas que podem tornar o suporte, capacitação e desenvolvimento de uma força de trabalho remota significativamente mais fácil.

Defina a razão para o trabalho à distância

Em primeiro lugar, as organizações precisam de identificar suas motivações para implantar ou melhorar as suas políticas de trabalho à distância, diz Vip Sandhir, CEO e co-fundador da plataforma promotora do envolvimento de empregados, HighGround.

“O que está a tentar concretizar? Seja para atrair os melhores recursos humanos ou proporcionar aos funcionários actuais contratos com maior flexibilidade, é fundamental entender por que a construção de directrizes de tele-trabalho vale o tempo e energia empregues”, diz Sandhir.

A partir daí, os empregadores devem estabelecer directrizes formais para abordar quais os cargos elegíveis para o tele-trabalho e com que frequência os funcionários podem trabalhar fora do escritório. Definir e fazer cumprir as expectativas é fundamental para a estratégia funcionar.

Por isso, importa assegurar que os funcionários compreendem as políticas para trabalhar remotamente ‒ incluindo a necessidade de estar online durante determinadas horas ou desloca-se ao escritório numa base quinzenal, por exemplo, diz Sandhir.

Para tornar a estratégia de tele-trabalho bem sucedida, é preciso ter uma atitude deliberada nesse sentido, começando com uma compreensão das necessidades exclusivas da sua organização, da sua equipa e dos seus funcionários individualmente, diz Omer Moldan, CEO e co-fundador da Vervoe, fornecedor de um sistema de rastreio de candidatos e de uma plataforma de videoconferência que substitui entrevistas presenciais com vídeo e simulações.

“Escolha uma forma de trabalhar que se adapte à sua equipa, comunique as suas expectativas com clareza e assim colocar todos num caminho de sucesso”, diz ele.

Faça a tecnologia funcionar

O suporte à comunicação é fundamental para garantir que as estratégias de tele-trabalho são eficazes e oferecem os benefícios que prometem, diz Sandhir. Uma estratégia bem sucedida de trabalho remoto exige que os gestores e os funcionários comuniquem entre si excessivamente, pelo menos no início, até que todos estejam confortáveis ​​e esteja estabelecido um nível de confiança razoável, diz ele.

Isso, acrescenta, começa com a certeza de que se está a usar tecnologia adequada às necessidades da empresa e dos trabalhadores. “Para garantir uma comunicação eficaz, as empresas precisam de equipar os trabalhadores remotos com as ferramentas certas ‒ como a Slack e as de vídeo-conferência,‒ que os faz sentirem como parte da equipa e não fora”, diz Sandhir.

Neste contexto, os fornecedores e funcionalidades específicas das plataformas interessam menos do que encontrar soluções que realmente funcionem bem para os funcionários, diz Erika Van Noort, directora sénior de contratação de recursos humanos da Softchoice.

As empresas precisam de garantir que os funcionários a trabalhar à distância possam trabalhar da mesma maneira que numa mesa de escritório, diz Van Noort. “Muitas vezes, as organizações avançam para a implementação de tecnologia sem primeiro examinar como ela se integrará com os processos existentes e com outras tecnologias que os funcionários já utilizam.

Tal pode prejudicar a adopção por parte dos utilizadores “, o que, por sua vez, afecta negativamente a produtividade e o envolvimento do profissional, diz Van Noort. As ferramentas de tecnologia adequadas não apenas facilitam a boa comunicação e colaboração, mas também ajudam os funcionários em tele-trabalho a conectarem-se num âmbito pessoal com os colegas, ajudando-os a sentir que fazem parte da cultura do escritório, tal como se estivessem fisicamente no local, diz Van Noort.

Esta constitui uma das principais dificuldades uma estratégia de tele-trabalho bem sucedida que muitas vezes é negligenciada. “Utilizar ferramentas como a video-conferência e a partilha de ecrã contribui bastante para que os trabalhadores se sintam incluídos e ajuda-os a sentir que estão no mesmo ‘espaço’ que os seus colegas de trabalho, mas ‘na mesma página’”, explica.

“Reduzir os sentimentos de isolamento e de falta de envolvimento que surgem entre os trabalhadores remotos é extremamente importante para aumentar a produtividade”. “A personalização é especialmente importante nos esquemas montados para tele-trabalho, especialmente quando se trata de envolver funcionários que trabalham regularmente em casa”, considera Sandhir.

Embora não se esteja fisicamente na mesma sala, o responsável considera importante tirar tempo para ter uma interacção directa e pessoal com os funcionários. “Estes momentos ‘check-in’ proporcionam aos funcionários uma oportunidade de abordar quaisquer preocupações com os gestores, dar retorno e monitorizar o progresso face aos objectivos”, diz.

Defende também que os supervisores dos trabalhadores remotos devem reconhecer os sucessos à medida que acontecem, em vez de ignorar os esforços positivos e apenas apontar erros.

Missão é denominador comum

Há ainda outros pontos cruciais que muitas vezes é negligenciado nas discussões sobre o tele-trabalho: missão, valores e propósito, assinala Moldan. “A receita para a produtividade está em ser orientada por missões, com estas a serem o denominador comum, em vez da geografia”, aponta. As pessoas que se preocupam com a empresa e estão apaixonadas pela sua missão, no seu entender, estarão auto-motivadas e alimentam a sua própria produtividade, diz o CEO.

Autores
O seu comentário...

*

Top