EDP quer acelerar a sua transformação digital

Em debate na última conferência IDC Directions, o director de TI da empresa, Vergílio Rocha, revelou que os projectos já serão liderados pelas áreas de negócio.

A “Cloud Portefólio Manager”, plataforma para disponibilizar serviços de cloud aprovados para uso das unidades de negócio, é uma das peças fundamentais no plano de transformação digital da EDP, confirmou Vergílio Rocha. Em debate na 20ª edição da conferência IDC Directions, o director de TI da empresa revelou que esta “aprovou recentemente um plano de aceleração digital” o qual, “já é liderado” pelas unidades de negócio e com recurso àquela estrutura.

Qualquer direcção de negócio pode comprar os serviços constantes no portefólio sem ter de pedir aprovação ao departamento de TI. Este já fez a avaliação prévia das soluções de acordo com três critérios principais: segurança, arquitectura e enquadramento contratual. “É impossível ser digital sem usar a cloud”, considerou.

O recurso à cloud é considerado como uma alavanca fulcral também para o progresso das PME, mais de 95% da empresas em Portugal, e muito mais pequenas do que a EDP. Mas Gonçalo Oliveira, COO, da Tranquilidade, considerou que grande parte delas ainda está numa primeira fase de evolução que não de transformação digital.

Especialmente fora de Lisboa e Porto. É uma etapa marcada pelo uso dos “canais digitais” e sem adaptação de processos, caracterizou. A própria Tranquilidade tem trabalho a fazer, especialmente na experiência oferecida ao cliente ou na gestão de sustentabilidade ambiental da actividade da empresa: por exemplo, no controlo de gastos de energia nos locais de trabalho, com maior automatização, reconhece.

O CTO da Altice Portugal também admitiu que muitos processos na operação não estão “transformados”. “Há uma aptidão natural mas isso não quer dizer que se traduza nos processos de negócio”, afirmou. Desenvolver a configuração mental necessária é mais importante do que criar um “innovation office” (departamento de inovação), sem sustentação, considera.

Apesar de se reconhecer que estes são aqueles que “pagam as contas”, convém serem “resilientes”, como condição para a transformação digital, detalhou Gonçalo Oliveira (Tranquilidade)

“As pessoas são centrais, porque têm de mudar” ajudou Vergilio Rocha, o qual afastou a ideia de a EDP ser já uma “empresa digital”. Isso é um atributo para a Google ou Amazon, no seu entender, porque “fugiram ao paradigma“ vigente e re-iventaram as TI para funcionarem a favor do negócio”.

Conseguem entregar alterações na oferta, sem exigir aprendizagem relevante e “sem grandes custos de licenciamento”, exemplificou. Enquanto a EDP ainda tem, muitos sistemas legados, lembrou.

Apesar de se reconhecer que estes são aqueles que “pagam as contas”, convém serem “resilientes”, como condição para a transformação digital, detalhou Gonçalo Oliveira. Mas a EDP tem também um plano de transformação digital com quatro eixos, explicou Rocha:

‒ aplicação de analítica em todas as áreas;
‒ uso de cloud computing;
‒ adopção de metodologias ágeis para alinhamento entre TI e negócio;
‒ recurso a metodologia DevOps para maximizar automatização da gestão de TI.

Como resultado da gestão de projectos Agile, Rocha avança que a empresa já consegue disponibilizar aplicações com as funcionalidades estritamente necessárias ao sucesso do negócio. Adoptando o conceito de “minimum viable product”, ou produto minimamente viável, procura evitar o investimento em funcionalidades acessórias.

“Usando metodologia Agile conseguimos disponibilizar funcionalidades em pouco tempo”, garante. Se resultam em negócio, ressalva, já depende da capacidade das unidades comerciais. O CIO da seguradora Fidelidade, Rogério Campos Henriques, diz que as unidades de negócio “por vezes nem imaginam as oportunidades “, possíveis com as TIC.

Mas cabe aos responsáveis de TI compatibilizar as oportunidades com as ameaças, num processo de ganho de competitividade. Neste processo, destacou a importância de as empresas se abrirem à colaboração com entidades externas para aprenderem e inovarem.

É uma abordagem ao “mundo novo” que emerge, mas merece cautelas, segundo Gonçalo Oliveira. Regista-se uma alta taxa de mortalidade de startups, lembra, e o uso de algumas tecnologias são consideradas de forma “superficial”. É o caso da blockchain que para o responsável constitui de certa forma, uma reinvenção da roda, tendo em conta a existência de sistemas já “muito optimizados nos custos”.

Por outro lado, Campos Henriques revela que muitas soluções disponibilizadas pela Tranquilidade não são plenamente usadas pelos clientes. E por isso destaca a importância de sensibilizar as pessoas para o uso dos suportes digitais, os quais, diz, se evidenciam como críticos em áreas como as da saúde, para efeitos de prevenção, acesso e eficiência.

“Espero que não se esqueçam de quem tem mais de 25 anos”

O desafio relacionado com a gestão de recursos humanos e talento tem várias frentes e Alexandre Fonseca referiu a do acolhimento de uma nova geração de trabalhadores. O CTO elogia-lhes a propensão para questionarem a forma como os processos evoluem.

É um factor de inovação, que tem de ser bem acolhido mas exige “envolvimento colaborativo” e “humildade” dos recursos humanos. Campos Henriques reforçou a importância de preparar as organizações para receber esses novos trabalhadores, e neutralizar a “legacy mindset”, mas antes o veterano Vergílio Rocha lançava uma provocação: “Espero que não se esqueçam dos que têm mais de 25 anos!”

Acabou por suscitar não só gargalhadas mas também aplausos. E para defender a o valor dos profissionais mais experientes e reforçar a sua ironia explicou que as primeiras pessoas a lidarem com os serviços de cloud na EDP não foram os mais jovens. Tinham acima de 50 anos.

Alinhado com o director, Gonçalo lembrou que muitas vezes nos recursos mais experientes de TI existem “reservas de competências” que não existem entre os executivos de negócio.  O presidente da eSPap, Jaime Quesado, apontou que há um envelhecimento muito profundo dos recursos humanos na Administração Pública.

Mas, mais importante e sobre os de TIC, considerou que Portugal “pode ter de criar um movimento muito sério de passos para reforçar a retenção de profissionais”. É um dos temas centrais da transformação digital da AP, que diz estar menos avançada no seu plano interno, e que exige uma “reorganização da estrutura do Estado” e “redefinição da matriz de governação central e local”.

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