Volkswagen muda cultura para abordagem com open source

O director de TI do fabricante de automóveis, Carsten Schade, faz uma actualização sobre a transformação digital da empresa.

A Volkswagen está no meio de uma “fase experimental”, a caminho de adoptar mais open source e de uma transformação digital mais ampla. O director de TI da empresa, Carsten Schade, diz que a empresa tem concentrado esforços em torno de vários desafios técnicos associados à implementação de Cloud Foundry e OpenStack nos vários campus da empresa.

Mas para uma organização global que fabrica 10 milhões de veículos por ano, o processo de mudança cultural ainda está em curso. “Há alguns anos, criámos uma situação de laboratório para executar certas aplicações em Berlim”, diz Schade.

“Montámos um sistema com Cloud Foundry, que temos usado e agora temos uma plataforma muito estável e muito conhecimento [sobre a matéria]. Constitui uma espécie de modelo para a empresa em que tentamos adaptar as coisas tanto quanto é possível numa grande empresa como a Volkswagen”, defende.

“Agora estamos com uma evolução firme e começámos uma mudança cultural”, acrescenta antes de revelar que tem a expectativa de contratar profissionais “em grande escala” nos próximos meses. Temos grandes planos e a Cloud Foundry, insiste, é uma das principais plataformas.

Em Setembro do ano passado, na Cloud Foundry Summit, o chefe de arquitectura de TI da Volkswagen, Roy Sauer, avançou que a empresa estava focada na mudança para ser um “provedor de serviços de mobilidade”, em vez de um fabricante de automóveis tradicional.

Carsten Schade nota que a arquitectura implanta da Volkswagen, com recurso a Openstack, provoca alguns problemas com as dependências na estrutura abaixo da Cloud Foundry.

Para começar, isso significou fazer provas de conceito e gerir um processo para descobrir que fornecedores e plataformas de tecnologia poderiam ser os melhores. A VW acabou por optar por uma abordagem com múltiplas clouds e escolheu a Pivotal, em detrimento da HPE, para obter a sua camada de desenvolvimento de aplicações sobre OpenStack em cloud privada.

Hoje, explica, a Volkswagen está a implantar os seus ambientes de cloud pelo mundo fora. E acabou de abrir um centro de dados numa fábrica da Skoda, na República Checa.

Haverá mais dois ainda em 2017, com sete adicionais no próximo ano. Ele diz que a maioria das tarefas típicas necessárias para configurar um ambiente de cloud totalmente privada estão agora automatizadas e podem começar a funcionar em alguns dias.

Há, é claro, desafios que envolvem complexidades com as várias camadas de cloud. “Com a [tecnologia] Pivotal, em que nos concentramos numa coisa, o nosso ambiente OpenStack não é exclusivo, também executamos tecnologia Kubernetes ou o que se quiser”, diz Schade. “De uma perspectiva de programador, na Volkswagen é possível usar este ambiente OpenStack de várias formas, como configurar as suas próprias VM, ou recorrer à matriz Cloud Foundry.

“Isso provoca alguns problemas com as dependências na estrutura abaixo da Cloud Foundry. Não é tão fácil lidar com isso. As equipas da Pivotal sugeriram que poderíamos ter um ambiente OpenStack exclusivo para Cloud Foundry e outro para diferentes volumes de trabalho. Estamos a discutindo a melhor maneira de contornar isso actualmente”.

Ao mesmo tempo, as mudanças organizacionais estão em andamento por toda a empresa, incluindo a gestão a um nível superior. Todo o grupo de TI, diz Schade, ajustou-se para ser acolher a metodologia DevOps. E as TI estão a tornar-se mais integradas com o resto dos processos de negócio, uma tendência que só vai continuar.

“Nós temos diferentes e novos papéis para a maioria das pessoas, o que é uma grande mudança organizacional para nós”, explica. Segundo Schade, a empresa está apenas a meio do projecto e por isso não é tão fácil. “É preciso descobrir o caminho certo para fazer as coisas.

Temos milhares de pessoas e com certeza há algumas que estão ansiosas e muito interessadas em fazer coisas novas”, considera. Por outro lado, o responsável observa que existem restrições legais e todo tipo de assuntos com os quais não é fácil lidar, de modo a desenvolver situações de ganhos para todas a partes. “É um desafio para os próximos dois meses”, prevê.

Embora haja expectativas de se obterem economias financeiras, Schade diz que a Volkswagen está na fase “experimental”. Mede os benefícios para a velocidade de desenvolvimento, o “foco principal” do lado da TI actualmente, com o open source a ser fundamental para isso.

“Constitui um caminho a seguir para nós porque achamos que os produtos open source trazem a maior inovação”, sustenta. “Uma das razões porque estamos aqui na Cloud Foundry Summit, somos membros ‘ouro’ e temos um espaço de exibição é a ideia de reunir todas as competências e ter uma plataforma que não é crítica para todos, mas ajuda todos a colocarem elementos críticos para o negócio, e isso é algo que é bem entendido no mundo das TI “.

Volkswagen quer influenciar mundo open source 

A Volkswagen está a tentar entrar no mundo open source e quer influenciá-lo porque tem muitos programadores e pessoas com boas ideias, de acordo com o responsável. A empresa está em vias de criar um novo projecto para os próximos meses para “extirpar” a sua infra-estrutura e aplicações legadas, revela Schade.

Tudo isso sustenta o que a empresa planeia entregar ao cliente. No ano, você pode esperar mais aplicativos e cooperação com cidades inteligentes para construir sistemas de estacionamento inteligentes e muito mais. “Por outro lado, estamos trabalhando em projectos do lado do IoT, com certeza”, diz Schade.

“Nós temos milhões de carros em todo o mundo e haverá mais. Construímos 10 milhões de carros por ano e cada um deles é um tipo de dispositivo. Portanto, é necessário que possamos usar o máximo de dados possível para oferecer mais conforto aos nossos clientes e até mesmo criar aplicações para pessoas que não são proprietárias de carros da Volkswagen”, explica.

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