Competências em IoT mais procuradas

Ao mesmo tempo que se multiplicam os projectos IoT, aumenta a procura dos escassos especialistas em IoT, com as qualificações específicas. Saiba quais as competências mais procuradas.

A Internet das Coisas (IoT) está em fase de crescimento acentuado, à medida que surgem cada vez mais dispositivos conectados. Mas há um problema: não existem pessoas suficientes com as competências adequadas para gerir e executar projectos de IoT. Sendo assim, ao mesmo tempo que a IoT é vista como uma grande oportunidade de emprego na área das TI, a insuficiência de pessoas e ausências de competências estão entre as principais barreiras identificadas pelas organizações que pretendem implementar e beneficiar da IoT, assinala uma pesquisa da Gartner.

Além disso, o programa de pesquisa Immersat revela que 33% das organizações beneficiariam de competências adicionais, enquanto que 47% aponta para a falta de competências em IoT como um todo. E quais são as aptidões específicas que faltam nas organizações? Aquelas referentes a segurança de dados, ciência dos dados e suporte técnico.

Sem estas capacidades, 30% das organizações dizem que irão procurar fornecedores externos para fazer algum desenvolvimento de IoT, enquanto 46% diz que irá recorrer a fornecedores externos “tanto quanto possível”.

“As empresas de TI estão definitivamente a consolidar as suas estratégias de IoT, mas o que estamos a constatar é que não têm processos e pessoas em casa para que seja possível fazer acontecer. De facto, a Gartner diz que três quartos dos projectos de IoT vão prolongar-se duas vezes mais do que deviam, devido à insuficiência de recursos humanos em áreas-chave”, refere Rich Pearson, director de categorias na Upwork, um mercado global de freelancer. Ao rastrear dados da base de dados da Upwork, Pearson e a sua equipa identificaram as 10 principais competências que as empresas necessitam para levar a bom porto uma estratégia de IoT.

Os dados obtidos são da base de dados da Upwork e baseiam-se no crescimento anual de propostas de trabalho e de procura de competências, medidas pelo número de postos de trabalho que menciona essas competências publicados no Upwork entre 1 de Janeiro e 31 de Março de 2017.

Aprendizagem automática: mais 220%

Os algoritmos de aprendizagem automática ou machine learning ajudam a criar dispositivos, aplicações e outros produtos mais inteligentes, através da utilização de sensores de dados e outros dispositivos conectados. Aqueles algoritmos podem ser utilizados para fazer previsões com base na identificação de padrões de dados a partir daqueles dispositivos, mas são necessários especialistas em gestão de big data e aprendizagem automática, diz Pearson. “A procura da competência em machine learning, sem surpresas, aumentou mais de 200% em relação ao período homólogo anterior. Todas as empresas estão a tentar recolher mais dados a partir de dispositivos conectados e precisam de especialistas não só para extrair os dados, mas também para desenvolver algoritmos para ajudar separar o trigo do joio e retirar conclusões dos dados recolhidos”, sublinha Pearson.

AutoCad: mais 108%

O AutoCad é o principal software de design para aplicações de engenharia e a procura destas competências têm registado um forte crescimento a par do incremento do número e complexidade dos dispositivos IoT. Produtos inteligentes e conectados necessitam muitas vezes de um novo conjunto de princípios de desenho que permitam quer a normalização do hardware quer a personalização.

E o AutoCad permite, por exemplo, que os processos de desenvolvimento de produto sofram alterações de design numa fase mais avançada do projecto, de uma forma rápida e eficiente, assinala o responsável.

Node.js: mais 99%

O Node.js é um ambiente de código aberto para o desenvolvimento web, no servidor utilizado para gerir dispositivos conectados com os Arduino e os Raspberry Pi, entre outros. Com a disponibilização de placas como a Raspberry Pi, o Node.js está a tornar-se a plataforma de eleição para programadores que querem incrementar as competências existentes na construção de aplicações para IoT, assinala Pearson, e, ao longo dos últimos 12 meses, o ambiente amadureceu ainda mais. “A maioria das empresas está a utilizar esta solução como base para as iniciativas de IoT, porque requer poucos recursos e se está a tornar incrivelmente estável e acessível. Isto é particularmente importante em dispositivos de pequena dimensão como os “wearables”, mas estamos também a observar o incremento da utilização em grandes empresas como a Netflix, a Paypal ou a Uber e também na Upwork”, refere Pearson.

Segurança de infra-estruturas: mais 83%

A segurança da informação e os receios face ao aumento da exposição dos dados, já para não mencionar a segurança física e dos dispositivos são alguns dos principais impeditivos para o desenvolvimento do IoT, segundo uma pesquisa da TEKsystems, devido ao incremento da escala e da complexidade da conectividade, comunicações e dos próprios sensores de IoT. “A segurança tornou-se primordial. Tudo o que está ligado à Internet cria risco, por isso qualquer competência em torno da segurança, em particular software e segurança nos sensores é crítica no domínio do IoT, refere Pearson.

Engenharia de segurança: mais 83%

A segurança é uma das principais preocupações no IoT. Para além da segurança da infra-estrutura, as recentes violações de dados mais mediáticas aumentaram a consciência dos consumidores em relação a questões de privacidade e segurança que podem ser afectadas se um dispositivo conectado tiver falhas ou for pirateado expondo os dados, assinala Pearson. Para ajudar a mitigar os riscos potenciais, as empresas estão a investir na engenharia de segurança e a procurar pessoas qualificadas para identificar ameaças físicas e lógicas para incluir em sistemas como os controladores locais ou “gateways” e determinar o risco ao nível do dispositivo, acrescenta Pearson.

“Dentro da maior procura de qualificações em segurança, estamos a assistir a um grande crescimento na necessidade de avaliação de vulnerabilidades e segurança dos dispositivos terminais. Assiste-se também ao renascimento da necessidade de segurança de hardware”, sublinha Pearson. Em apenas 60 dias, registou-se um aumento substancial da procura de pessoas com qualificações em soluções específicas de segurança IoT como CloudFlare ou Orbit.

Big Data: mais 71%

O IoT aumentou substancialmente a quantidade de dados disponível e gerou enormes volumes de dados para as organizações analisarem. As empresas precisa recolher os dados que são relevantes para os seus negócios ao mesmo tempo que retiram os dados redundantes e protegem esses dados.

Isto requer mecanismos altamente eficientes, incluindo inteligência artificial, software e protocolos, diz Pearson. “Estamos ainda a verificar uma forte procura de cientistas de dados e engenheiros de back-end que possam desenvolver algoritmos, recolher, organizar, analisar e organizar todas essas diferentes fontes de dados. E, utilizar a inteligência artificial combinada com big data pode ajudar as empresas a fazer tudo isto mais rápida e eficientemente”, refere.

Desenvolvimento GPS: mais 44%

O mercado de GPS está a renascer graças ao IoT, em particular os dispositivos corporais ou “wearables”, veículos inteligentes e empresas de logísticas. Os analistas da ABI prevêem que o mercado de GPS atinja os 3,5 mil milhões de dólares em 2019, à medida que as empresas e os consumidores aderem aos dispositivos com localização GPS. Também existe ainda uma procura grande de profissionais que podem ajudar a desenvolver tecnologia GPS para wearables, veículos inteligentes e outras aplicações IoT, acrescenta Pearson.

Engenharia electrotécnica: mais 41%

A criação da próxima geração de dispositivos conectados requer conhecimentos de software e engenharia electrotécnica. É por isso que se regista uma procura cada vez maior de engenheiros electrotécnicos. Estes estão a ser contratados para ajudar no desenvolvimento de dispositivos integrados para aplicações móveis e na engenharia de radiofrequência/analógica e de microondas para comunicações e GPS em dispositivos, refere Pearson.

Design de circuitos: mais 18%

Os dispositivos conectados exigem que as empresas ajustem a adoptem o design e desenvolvimento de micro-processadores para fazer face aos novos requisitos de sistema. Por exemplo, as aplicações que dependem de baterias de longa duração poderão precisar de ter placas de circuitos especialmente desenhadas para optimizar o consumo de energia, ou ter vários micro-processadores e sensores numa única placa de circuitos. Isto significa uma maior procura na área de design para impressão de placas de circuito (PCB) e design 3D, sublinha Pearson.

Programação de micro-controladores: mais 12%

O IoT é composto por milhares de milhões de pequenos dispositivos interconectados, muitos dos quais necessitam de pelo menos, um micro-controlador para adicionar inteligência ao dispositivo e ajudar nas tarefas de processamento. Os micro-controladores são processadores embebidos, baratos e com baixo consumo de energia que têm programação e memória integrada no sistema. Requerem linguagens específicas, como Arduino que é utilizada em sensores e projectos de automação, assinala Pearson.

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