Desigualdade de género na tecnologia está a esbater-se

Já ultrapassámos algumas das maiores questões relacionadas com a diversidade de género, diz Owen Jones da empresa de recrutamento Davidson Technology.

O número de mulheres no sector da tecnologia aumentou 8% no ano passado, de acordo com um novo relatório da empresa australiana de recrutamento Davidson Technology.

Naquele país, actualmente, as mulheres já representam 39% da totalidade da força de trabalho no sector tecnológicos. A representatividade das mulheres nos níveis executivos no sector das TI também aumentou para 17,6%. Pelo menos na Austrália. A subida foi assinalável, uma vez que era de apenas 3,6% no ano anterior.

A Davidson tem trabalhado com a rede social profissional LinkedIn, onde estão registados cerca de 547 mil profissionais de TI daquele país, para reunir dados para a segunda edição do relatório DiverIT. “Registou-se um aumento de 25,7% no número de pessoas que se registaram como trabalhando na área de TI durante o ano passado”, assinala o relatório.

Owen Jones, director geral de tecnologia da Davidson, disse à CIO Australia que as administrações das organizações estão activamente a criar indicadores (KPI) e a procurar a diversidade de género ao longo dos últimos anos  o que se está a traduzir em resultados.

“As maiores organizações estão a começar a fazê-lo e tem realmente impacto. As empresas estão a olhar para a [igualdade de género] com mais seriedade, estão passar a mensagem aos Recursos Humanos, através de KPI e estão a incluir mulheres nas selecções finais. Quero acreditar que é por isso que estamos a ter mais mulheres a passar as diferentes fases de recrutamento e ser seleccionadas para aquelas vagas”, assinala

Por tipo de trabalho de TI, registou-se um aumento de 7% no número de mulheres contratadas como engenheiras de dados durante o ano de 2016. De um total de 6000 engenheiros de dados registados no LinkedIn este ano, 40% são agora mulheres, revelou a análise. Chegou-se a um equilíbrio de género 50:50 no mercado de interface de utilizadores/consultores de experiência do utilizador.

Mas, apesar destes sinais positivos, e ainda sobre o mercado australiano, Jones assinala que ainda existe um desequilíbrio de género, mais visível em áreas com perfis de nicho mais específicos, como é o caso da cibersegurança.

De facto, cargos como CIO (6000 no total), CDO (3000), director de TI (7000), engenheiro de redes (7000) e engenheiro de segurança (3000) continuam a ser dominados por homens. Existem menos de mil mulheres no LinkedIn a ocupar aquelas funções.

As funções com o maior número de mulheres incluem gestor de projecto de TI, programador/programador analista, designer, analista de negócio, gestor/director de programa e arquitecto.

Jones sublinha que os clientes da empresa de recrutamento assinalam que é “extremamente difícil alterar o balanço da diversidade, uma vez que as organizações já contrataram, anteriormente, grandes equipas masculinas. Acrescenta que ser a única mulher numa equipa de 10 homens pode ser intimidante”.

“Mas, a partir do momento que os dados são lançados, e que existem pelo menos duas ou três mulheres em cada equipa de 10, então torna-se mais fácil atrair outras três, quatro ou cinco [mulheres].  Já ultrapassámos alguns dos maiores obstáculos que existiam inicialmente e as organizações estão a procurar atrair e incluir mulheres nas suas equipas”.

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