Ordem dos Engenheiros prepara integração de cibersegurança

O projecto tem várias etapas. Entre elas está prevista a preparação de profissionais para serem encarregados de protecção de dados (DPO) que deverá estar concluída em Março de 2018.

A Ordem dos Engenheiros está a preparar a integração de uma especialização em cibersegurança, no quadro  de actos da profissão de engenheiro informático. A agenda do projecto tem uma reunião marcada para 11 de Julho visando discutir temas relacionados, por exemplo, com a designação da especialização, o âmbito da mesma e a definição da actuação dos especializados.

“Há um conjunto de dúvidas” sobre várias matérias incluindo como é que o profissionais têm de ser especializados e se os actos já previstos, devem  ser alargados, explicou Ricardo Machado. O presidente do Colégio Nacional de Engenharia Informática colocou ainda a hipótese de se atribuir maior responsabilidade aos profissionais no teste de software usado, por exemplo.

Os trabalhos implicam ainda avaliar a “eventual necessidade de formação complementar e específica”, acrescentou o engenheiro durante uma sessão sobre cibersegurança na sede da Ordem Mas um dos objectivos do colégio é procurar garantir que os engenheiros informáticos não fiquem arredados da posição de encarregado de protecção de dados ou “data protection officer” (DPO), nas organizações.

A APCiber já alertou que haverá exiguidade de profissionais para o cargo, com a implantação prática do novo regulamento de protecção de dados. Contudo de acordo com o cronograma de trabalhos revelado por Ricardo Machado, a entrega do relatório final e pedido de criação da especialização só está prevista para 31 de Março de 2018, quando as obrigações previstas com a legislação comunitária passam a ser efectivas.

Em Setembro do corrente ano o colégio nacional, e aqueles regionais, discutem as competências a atribuir assim como o tema da formação. Só perto do final de Outubro deverão concretizar-se os trabalhos sobre processos de avaliação e acreditação.

O assunto estará aberto a discussão pública durante o congresso da Ordem, 23 de Novembro num última etapa antes da entrega do relatório. Para a concepção oficial da especialização, Ricardo Machado pretende contar com o contributo de entidades como a APDSI, A3ES (certificação) e da ASSOFT, entre outras.

Falta de profissionais será barreira na economia

Também empenhado na formação de profissionais de cibersegurança , José Tribolet, docente do IST e presidente do INESC, enfatizou que a falta dos mesmos tende a ser um factor de atraso económico para Portugal. A declaração podia ser exagerada, mas só deixando de ter em conta outro apontamento do docente: o roubo de patentes aumento nos últimos anos e tendo como autores agentes patrocinados por Estados, argumentou.

O coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), Pedro Veiga, deu maior sustentação aos argumentos de Tribolet e concordou que a cibersegurança é um problema de questão organizacional. A título de exemplo, o responsável lembrou que o CNCS, no quadro das suas competências, já organizou um guia de intervenção rápida para organismos da Administração Pública.

Trata-se de evitar, por exemplo, que uma decisão atempada fique pendente da disponibilidade de um chefe de gabinete. Pedro Veiga lamentou ainda que a actual Estratégia Nacional de Cibersegurança esteja muito centrada na administração central.

Artigos relacionados

O seu comentário...

*

Top