Engenheiros de redes devem procurar pensar como um programador

As redes definidas por software são um desafio para os engenheiros formados em tecnologias de redes. As opções passam por aprender a programar ou por aprender a pensar como um programador. Talvez seja mais importante a segunda hipótese.

Face à voragem da evolução das tecnologias de redes, os engenheiros formados nessa área não devem precipitar-se a aprender uma linguagem de programação. Mas para competir no novo mundo de redes definidas por software, talvez seja mais importante começar a pensar como um programador.

A ideia emergiu reforçada esta semana num debate do Open Networking User Group e gerando resposta favorável da audiência. Os dias de gestão de “switches” individuais e “routers”, passados a configurá-los com interfaces de linha de comando (CLI, sigla em inglês) proprietárias tendem a acabar, disseram os quatro participantes no painel da conferência de Primavera, da organização em São Francisco, durante a última semana.

Embora as tecnologias de Software Defined Networks (SDN), não tenham entrado em todas as empresas, as novas abordagens para as tecnologias de informação empresariais e a disponibilidade de “clouds” públicas levam as organizações a utilizar redes mais ágeis e automatizadas, confirmam. As equipas internas de gestão das redes vão precisar de igualar a velocidade de evolução dos fornecedores de cloud em tarefas como a criação de novas máquinas virtuais, avisa o professor da Universidade de Stanford, David Cheriton (na foto).

“A dado momento, o CIO vai perguntar, ‘Por que é que nos custa tanto nos leva muito mais tempo a fazer?'”, ilustra Cheriton. As SDN absorvem muitas tarefas de configuração que alguns engenheiros de rede passaram as suas carreiras a fazer manualmente, gerando preocupações sobre a segurança dos seus empregos e como esses técnicos devem evoluir.

Libertados das tarefas de configuração de “portas e rotas”, alguns engenheiros de rede estão já a assumir funções mais sofisticadas, como projectar sistemas melhores. Com essas mudanças, alguns profissionais de rede começarão a codificar. Mas isso não significa escrever software a partir do zero e recomeçar a carreira como programador.

Os engenheiros de redes têm muito a aprender com o mundo do software e não apenas como escrever código, alerta Robert McCarthy (Ernst & Young).

“O que será bom para a carreira e  para as empresas onde se trabalha é conseguir ter uma compreensão clara do que se está a tentar construir e encontrar forma de se integrar tudo”, disse Truman Boyes, CTO e chefe de redes na Bloomberg. Isso pode envolver a aprendizagem de algum “Python”, assim como de outras linguagens e ferramentas, mas apenas se estas se adequarem ao trabalho em mãos, considera.

Os engenheiros de redes têm muito a aprender com o mundo do software e não apenas como escrever código, alerta Robert McCarthy, gestor sénior de transformação digital na Ernst & Young. “Mas não acho que precisem de entender a programação, tanto quanto precisam de perceber as boas práticas de programação”, declarou.

E cita a verificação interactiva de sintaxe, os testes a componentes e a eliminação de redundâncias, com a escrita de código capaz de ser usado muitas vezes. É hora de adoptar as normas e práticas de revisão de código, reforçou Cheriton (Stanford).

“Tudo isso faz parte das normas da engenharia de software cuidada e não necessariamente do que vemos na prática em operações de rede”, aponta . Deixar automatizações a meio, com o software a executar funções de rede, mas sem aqueles princípios de programação, já prejudicou algumas empresas, garante.

“Ficaram com um grande monte de ‘scripts’ em Perl, de que todos na empresa dependem, mas que ninguém entende, porque o profissional que os escreveu saiu para um emprego em Itália”.

Programação está mais fácil de aprender “do que saber a sintaxe para as CLI”

Com as linguagens modernas e um número crescente de API, a programação está mais fácil de conhecer, do que saber a sintaxe para as CLI de cada fornecedor, considera Boyes, da Bloomberg.

Mas os engenheiros de redes tradicionais deverão evoluir em direcções diferentes, conforme as empresas mudam, e alguns ficarão para trás, alerta disse Ernest Lefner, vice-presidente sénior de engenharia de rede, no Bank of America. Os gestores de TI precisam de descobrir como mantê-los, dado o valor que podem adicionar à empresa.

Isso implica saber “como vão obter as competências de que precisam”, adiciona.

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