Computação cloud poderá não ser suficiente para a IoT

Peter Levine, antecipa o esmorecimento da tendência de crescimento da cloud computing, à medida que mais capacidades de computação se movem para os chamados dispositivos de extremo da rede.

Peter Levine, sócio da Andreessen Horowitz

A tendência generalizada para a adopção de cloud computing poderá esmorecer se o investidor de capital de risco, Peter Levine, estiver certo. O sócio da Andreessen Horowitz afirmou numa conferência, que conforme mais capacidades de computação se movem para os chamados dispositivos de extremo da rede, a cloud computing deverá desaparecer lentamente.

No conjunto de equipamentos estão incluídos desde carros de condução autónoma e drones até dispositivos de Internet das Coisas (IoT). “Uma grande parte da computação realizada na cloud deverá voltar ao extremo”, previu Levine num evento da Wall Street Journal CIO Network.

O investidor considerou que os veículos auto-conduzidos, equipados com mais de 200 CPU constituem verdadeiros “centro de dados sobre rodas”. São um excelente exemplo de dispositivo auto-suficiente, em capacidades de computação, sublinhou.

Levine alerta que colocar um veículo autónomo dependente da cloud para receber dados, acabaria por passar sinais vermelhos e causar acidentes devido a problemas de latência (associada à transmissão de dados do carro para a cloud). A cloud também deverá paralisar muitos cenários de aprendizagem automática, dependentes da velocidade de computação para fornecer decisões mais rápidas.

A “edge computing” é menos uma novidade do que talvez o próximo ciclo de computação, disse Levine. Há décadas atrás, a maior parte da computação também estava centralizada em mainframes.

Levine prevê que vários factores de disrupção da cloud surgirão nos próximos cinco a 10 anos.

Muitos foram desactivados para dar espaço à era das arquitecturas cliente-servidor descentralizada. A cloud é essencialmente o novo mainframe hospedado no centro de dados de um fornecedor, referiu.

Se o fluxo e refluxo natural na evolução das TIC se mantiver, os extremos vão acelerar a próxima etapa da computação distribuída. E isso significa que a cloud “desaparecerá num futuro não muito distante”, argumentou Levine.

A previsão é assustadora para milhares de fornecedores e mas também clientes de cloud computing. Durante a última década, a Amazon Web Services (AWS), Google, Microsoft, Salesforce.com, entre outros, têm preparado aplicações, infra-estrutura, armazenamento e praticamente todos os tipos concebíveis de tarefas de computação imagináveis , para serem serviços.

Mas o trabalho de um investidor de capital de risco é fundamentar uma visão mais ampla e longo prazo, de modo a antever que inovações vão surgir. E Levine prevê que vários factores de disrupção da cloud surgirão nos próximos cinco a 10 anos.

Diana McKenzie, CIO da Workday, fornecedor provedor de aplicativos de negócios em nuvem, desvalorizou a “provocação” de Levine na mesma conferência. Prevê, antes, uma coexistência.

Por exemplo, acredita que as empresas vão querer agregar dados recolhidos de dispositivos de extremo numa plataforma de cloud computing para efeitos de analítica e, idealmente, a obtenção de perspectivas aprofundadas sobre o negócio.

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