Como desenvolver uma estratégia de Internet de Coisas

John Rossman, antigo executivo da Amazon, partilhou a sua “checklist” para o desenvolvimento de uma estratégia de Internet das Coisas na sua organização.

IoT imagens

A Internet das Coisas (IoT) poderá representar a maior oportunidade para as empresas desde os primórdios da Era da internet e, talvez mesmo, ainda maior. O Gartner prevê que existirão perto de 20 mil milhões de dispositivos IoT em 2020 e que, nessa altura, os fornecedores de bens e serviços IoT vão gerar receitas acima de 300 mil milhões de dólares (cerca de 284,5 mil milhões de euros).

Tirar partido desta oportunidade, combinando sensores, conectividade, armazenamento em cloud computing, processamento, analítica, machine learning para transformar modelos e processos, obriga um plano.

No seu livro “The Amazon Way on IoT: 10 Principles for Every Leader from the World’s Leading Internet of Things Strategies”, John Rossman refere que ao longo da sua carreira planeou e executou centenas de projectos. Rossman esteve envolvido, durante quatro anos, no “Marketplace” da Amazon.

Antes mesmo de começar a desenhar o hardware e o software e de envolver os programadores, é necessário colocar um outro conjunto de questões.

“Conduzir uma equipa para obter bons resultados em projectos complexos, implica compreender os passos a dar, os recursos necessários, os papéis que cada um desempenha e todos os riscos e dependências inerentes”.

Antes mesmo de começar a desenhar o hardware e o software e de envolver os programadores, é necessário colocar um outro conjunto de questões.

Rossman diz que há três partes principais para desenvolver uma estratégia de IoT de sucesso. Apesar de apresentados sequencialmente, na prática muitos dos pontos referidos decorrem em simultâneo e podem ser abordados de muitas maneiras diferentes.

 

Parte 1. Desenvolver e articular a estratégia

Antes de mais, diz Rossman, as opções devem ser definidas e priorizadas. O IoT é uma fonte de oportunidades. O sucesso depende da compreensão do mercado, da avaliação ponderada das oportunidades e de encontrar o ponto exacto para agir.

Análise da envolvente

Tudo começa com a análise da envolvente. É necessário compreender profundamente a indústria e os concorrentes: pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças (análise SWOT). Esta análise ajuda-o a compreender as megatendências e as forças em jogo no seu espaço.

“Fazer uma análise da envolvente e da cadeia de valor da sua indústria é muito importante”, diz Rossman à CIO.com. “Estudar o mercado: o que dizem sobre IoT na sua indústria? Compreender qual é o pior momento para o cliente: onde é que os clientes ficam frustrados? Que dados ou eventos podem melhorar a experiência do consumidor? Qual é o sensor ou a oportunidade IoT que disponibiliza esses dados?”

Análise da cadeia de valor e dos negócios do sector

Deve ter uma visão da indústria e não ceder à tentação de olhar apenas para o seu próprio negócio.

Depois, diz Rossman, é necessário fazer uma análise da cadeia de valor e das empresas que actuam no seu sector. Deve ter uma visão da indústria e não ceder à tentação de olhar apenas para o seu próprio negócio.

Em alguns casos, pode implicar a criação de uma empresa em algum ponto da cadeia de valor para ganhar perspectiva sobre a restante cadeia e para identificar outras oportunidades de negócio.

Análise dos parceiros, concorrentes e fornecedores

Identificar outros fornecedores de soluções na sua área de negócio para perceber claramente o que cada um deles faz, quais são os principais clientes e quais são os seus casos de utilização de IoT. Rossman aconselha mesmo reunir com alguns. Utilize este processo para compreender as necessidades dos clientes, a forma inteligente como essas necessidades já foram satisfeitas e onde é que há ainda oportunidade.

Necessidades dos clientes

“O maior erro que se pode fazer nesta matéria é construir as soluções para mostrar e não para funcionar”, escreve.

O próximo passo, diz Rossman, é documentar uma necessidade não satisfeita dos consumidores e procurar identificar pontos de fricção que os futuros clientes estão actualmente a experienciar.

“Seguir o caminho do início até ao resultado pretendido pode ajudá-lo a identificar detalhes e prioridades que, de outro modo, poderiam ocupar demasiados recursos ou pelo contrário ser ignoradas”, assinala.

Rossman avisa que criar perfis de cliente fortes é um caminho complicado e poderá ser necessário começar várias vezes até acertar.

“O maior erro que se pode fazer nesta matéria é construir as soluções para mostrar e não para funcionar”, escreve. “Não se preocupe com o aspecto do produto que está a desenvolver até que tudo esteja a concluído (se é que chega a essa fase). Preocupe-se sim em recolher opiniões, em falar com os clientes e em validar as suas conclusões com outros que possam trazer mais-valias e desafios para o seu trabalho”.

Métricas de avaliação

Poderá considerar avançar com algumas iniciativas IoT apenas para ganhar experiência, sem esperar daí retorno do investimento (ROI), assinala Rossman.

Crie formas de verificar o sucesso do seu trabalho. “Tal inclui a compreender a viabilidade do projecto, os pontos de clivagem e de que modo se integram com outras estratégias empresariais da sua organização”, escreve Rossman.

“Por vezes, especialmente se a sua organização está a dar os primeiros passos no campo dos dispositivos conectados, o sucesso do seu projecto deverá ser medido em termos do que pode aprender a partir desse projecto e não de métricas que tradicionalmente contribuem para se considerar um sucesso.”

Poderá considerar avançar com algumas iniciativas IoT apenas para ganhar experiência, sem esperar daí retorno do investimento (ROI), assinala Rossman.

Articulação estratégica

A partir do momento em que tem esta análise concluída, é necessário partilhar o que aprendeu com a restante equipa. Rossman diz que teve sucesso na passagem do conhecimento através do desenho de sistemas de negócio (flywheel model) e do desenvolvimento de um modelo de negócio.

 

Parte 2. Construir o seu roteiro IoT

Depois de explicar a “grande ideia” e por que motivo deve a sua organização alinhar, será necessário criar um “mapa IoT” para o ajudar a planear e a comunicar com outros como irá ser o percurso, o que está a ser construído e como irá funcionar.

Ao criar esse mapa, Rossman aconselha a seguir uma das estratégias favoritas da Amazon: “pense grande, mas dê pequenos passos”.

Ao criar esse mapa, Rossman aconselha a seguir uma das estratégias favoritas da Amazon: “pense grande, mas dê pequenos passos”. Por outras palavras, é necessário que tenha uma visão, mas não deve fazer uma grande aposta. “Faça pequenas apostas para testar os conceitos. Tal pode envolver o desenvolvimento de um protótipo, de um produto minimamente viável ou o desenvolvimento em parceria de um projecto com clientes e parceiros”.

Rossman sugere quatro métodos que podem ajudar a articular esse roteiro

– Futuro comunicado de imprensa. Crie um artigo simples, mas específico do produto. Tal irá força-lo a clarificar a sua visão, diz Rossman.

– FAQ para o seu plano IoT. Antecipe algumas das questões que provavelmente lhe vão fazer sobre o produto e crie um documento com “questões frequentemente colocadas” para as responder.

– Manual do utilizador. Crie um manual de utilizador para o seu dispositivo IoT. Deverá ter como destinatário o utilizador final. Se o produto recorrer a API, também deverá incluir um manual de utilizador para o programador.

– Carta do projecto. Escreva-a. Este documento apresenta uma visão global do projecto, descrevendo as principais etapas do mesmo.  Este documento deverá ajudá-lo a perceber que recursos serão necessários para realizar o projecto, quais são as principais fases e o cronograma.

 

Parte 3. Identificar e mapear os requisitos IoT

A última fase é identificar e mapear os requisitos do seu IoT: as capacidades técnicas que necessita para que a solução se torne um sucesso.

“As organizações utilizam vários tipos de abordagens desde casos de uso, histórias de utilizadores, fluxos de processos, perfis, especificações de arquitectura entre outras para documentar estes requisitos”, escreve Rossman.

Seja qual for a metodologia de requisitos que escolha, Rossman assinala que o importante é responder a questões sobre “insights” (dados e eventos), analítica e recomendações, desempenho e ambiente e custos operacionais.

“À medida que constrói os seus planos, lembre-se que, apesar do IoT poder dar resposta a algumas necessidades, não é o primeiro prémio do Euromilhões (golden ticket)”.

Criar uma simples solução IoT não é sinónimo de sucesso. De qualquer modo, se se focar em fornecer valor sólido aos seus clientes através de produtos e serviços novos ou renovados ao melhorar as operações da empresa ou criando modelos de negócio novos ou mais eficientes, será muito mais provável encontrar o sucesso.

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