“IT as a Service” será responsável por 35% da despesa de TI

A despesa em IT as a Service vai aumentar substancialmente nos próximos anos, prevê a Deloitte. Os sistemas de travagem automática vão salvar vidas e os smartphones vão aprender sozinhos e integrar soluções biométricas.

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A despesa em “IT as a Service” (seja em centros de dados, software ou serviços) vai ascender a perto de 550 mil milhões de dólares em 2018, avança a Deloitte, na 16ª edição do estudo anual Technology, Media and Telecommunications (TMT) Predictions 2017. O valor compara com os 361 mil milhões registados em 2016,

Ainda assim a consultora assinala que estes modelos de negócio mais flexíveis, baseados no consumo de facto, não serão ainda ubíquos em 2018, representando, ainda assim, mais de um terço (35%) da despesa mundial em tecnologias de informação e registando um nível de crescimento acelerado.

O aumento das vendas de TI no modelo “as a Service” irá começar a transformar o modo como a indústria compra e vende tecnologia a nível global nos diferentes tipos de negócio.

Para o corrente ano, António Lagartixo, sócio e líder na área de tecnologia, media e telecomunicações na Deloitte, assinala que as tecnologias, os media e as telecomunicações se vão tornar ainda mais móveis. “Combinadas com capacidades mais inteligentes e mais rápidas, estas inovações vão obrigar as empresas, os governos e os consumidores a desenvolverem a forma como operam e a criar oportunidades para uma transformação mais abrangente em todas as indústrias”, conclui.

Aprendizagem automática

A Deloitte destaca que mais de 300 milhões de smartphones vão integrar, já este ano, capacidade de aprendizagem automáticas. O número é ainda mais impressionante se se considerar que um quinto das unidades vendidas em 2017 vão integrar essa capacidade de aprendizagem. Os smartphones terão essa capacidade ainda que sem ligação à rede móvel, potenciando o “modo como os humanos interagem com a tecnologia, de forma transversal a todas as indústrias, mercados e na sociedade”.

A aprendizagem automática irá passar dos smartphones para dezenas de milhões (ou mais) de drones, tablets, automóveis, dispositivos de realidade virtual ou aumentada, instrumentos médicos, dispositivos IoT e em novas tecnologias ainda desconhecidas.

A consultora aponta ainda uma outra tendência nesta matéria: com o decorrer do tempo, a aprendizagem automática irá passar dos smartphones para dezenas de milhões (ou mais) de drones, tablets, automóveis, dispositivos de realidade virtual ou aumentada, instrumentos médicos, dispositivos de Internet das Coisas (IoT) e em novas tecnologias ainda desconhecidas.

“A aprendizagem automática (…) vai revolucionar a forma como realizamos simples tarefas como a tradução de conteúdos, mas terá também consequências importantes no campo da segurança e da saúde, que permitirão melhorar a sociedade”, afirma António Lagartixo. “A aprendizagem automática é, por exemplo, um bom ponto de partida para melhorar a resposta em casos de acidentes, salvar vidas através dos veículos autónomos e até reverter a batalha que travamos contra os ciberataques”.

Travagem autónoma

Os sistemas de travagem autónoma são outra importante tendência apontada pela consultora e poderá contribuir para reduzir 16% (seis mil em números absolutos) as vítimas mortais em acidentes rodoviários até 2022, face a 2017, apenas nos EUA.

Os analistas assinalam que o factor com maior impacto nesta redução será a tecnologia de travagem automática de emergência (automatic emergency braking – AEB). “Espera-se que os sistemas AEB sejam amplamente adoptados, económicos e bem-sucedidos no que respeita a salvar vidas, de tal forma que poderão mesmo desacelerar a adopção de carros autónomos”, refere a consultora em comunicado.

Biometria nos dispositivos móveis

Mil milhões de dispositivos equipados com leitores de impressão digital estarão em funcionamento, pela primeira vez, já desde o início do corrente ano. A segurança biométrica, ficção científica há bem pouco tempo, chega assim a milhares de milhões de utilizadores.

Coloca-se agora o desafio: aplicações adicionais poderão integrar leitores de impressão digital e outros sensores biométricos, para garantir formas de autenticação mais rápidas e seguras?

Em média, cada sensor será utilizado 30 vezes por dia, o que implica um total agregado de 10 milhões de milhões de utilizações anuais. De acordo com a Deloitte, o ritmo acelerado de adopção desta tecnologia acarreta desafios adicionais: determinar que “aplicações adicionais poderão integrar leitores de impressão digital e outros sensores biométricos, para garantir formas de autenticação mais rápidas e seguras”.

Ataque DDoS mais difíceis de mitigar

Os ataques de Distributed Denial-of-Service (DDoS) vão aumentar substancialmente em 2017. Estes ciberataques “serão mais difíceis de mitigar e irão aparecer com maior frequência”.

A Deloitte aponta para que, em média, aconteça “um ataque de escala terabit/s (Tbit/s) por mês, mais de 10 milhões de ataques no total e uma média de 1.25 e 1.5 gigabits por segundo (Gbit/s) por ataque”.

O aumento das ameaças DDoS deve-se ao crescimento dos dispositivos IoT, e à disponibilização online de metodologias de malware, que facilitam a vida a cibercriminosos pouco experientes.

Este incremento das ameaças DDoS deve-se em grande parte ao crescente número de dispositivos de IoT, à disponibilização online de metodologias de malware, que permitem que cibercriminosos com pouca experiência explorem equipamentos IoT não protegidos e os utilizem para lançarem ataques e acederem a cada vez maiores velocidades de largura de banda.

Menos tablets vendidos

As vendas de tablets deverão baixar 10% em 2017 de 185 milhões de unidades em 2016 para 182 milhões de vendas no corrente ano. A Deloitte arrisca dizer que “já passámos o pico da procura por estes equipamentos”.

A consultora salienta, no entanto, que a utilização de dispositivos varia de país para países (nomeadamente no que respeita aos dispositivos de eleição para várias actividades) existindo actualmente três equipamentos que estão à frente dos tablets por uma margem considerável: as televisões, os smartphones e os computadores.

Renascimento do vinil

A Deloitte aponta para a continuação da tendência de crescimento do mercado de vinil durante 2017. As vendas no mercado de vinil e de equipamentos a ele associados deverão aproximar-se do milhar de milhões de dólares pela primeira vez este milénio, concretiza a consultora.

As receitas de vinil deverão crescer a um ritmo de dois dígitos pelo sétimo ano consecutivo em 2017.

As novas receitas de vinil deverão apresentar um crescimento de dois dígitos pelo sétimo ano consecutivo em 2017, contabilizando já 6% das receitas totais globais do mercado de música, que valerá, no global, cerca de 15 mil milhões de dólares em 2017.

Navegação digital de precisão entre paredes

Mais distante, esta previsão aponta para que, a partir de 2022, pelo menos um quarto de todas as utilizações humanas ou computorizadas de navegação digital de precisão deverão ocorrer praticamente (ou totalmente) dentro de portas. Esse valor é de apenas de 5% em 2017.

“Conseguir localizar pessoas e objectos dentro de um espaço será uma experiência transformadora, e deverá beneficiar a maioria dos sectores verticais, assim como ter significativo impacto em governos, empresas e consumidores”, destaca a consultora.

Vem aí a 5G

Em 2017 serão dados passos significativos e tangíveis quanto à implementação da 5G, a quinta geração de rede móvel.

A Deloitte assinala que os planos de desenvolvimento das redes 4G, assim como o desempenho das primeiras implementações limitadas de 5G, deverão dar a conhecer aos utilizadores e operadores algumas das mais importantes funcionalidades e vantagens das redes 5G.

A 5G vai permitir velocidades significativamente superiores, latência mais baixa e capacidade para dispositivos e sensores IoT de baixa taxa de bits e reduzido consumo energético.

É o caso de “velocidades significativamente superiores, a latência mais baixa e a capacidade para dispositivos e sensores IoT de baixa taxa de bits e reduzido consumo energético”.

Publicidade na TV resiste

A receita de publicidade televisiva nos EUA deverá manter-se inalterada face a 2016. O futuro da indústria aparenta ser estável. “A despesa vai manter-se inalterada devido a vários factores, incluindo a continuidade dos hábitos de consumo de TV, o facto de poucas pessoas optarem por ‘saltar’ os anúncios televisivos, de os americanos mais idosos estarem a consumir cada vez mais conteúdo televisivo e de as plataformas de streaming continuarem a não contar com o argumento do consumo de massas da TV, determinante para certos anunciantes”.

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