“Transformação digital exige mudanças de fundo nos parceiros”

Enquanto se mostra focada no suporte aos clientes e empresas portuguesas, a Microsoft aponta para a necessidade de mudança nos parceiros das organizações.

Paula Panarra, directora-geral da Microsoft Portugal

Paula Panarra, directora-geral da Microsoft Portugal

A Microsoft mostra-se focada em dar suporte aos clientes e às empresas portuguesas em geral, no processo de desenharem os seus caminhos para a transformação digital. Mas nesta evolução sobretudo os parceiros das organizações, como os do fabricante, precisam de mudanças profundas, assinalou Paula Panarra, directora-geral da Microsoft Portugal, à margem de uma conferência promovida pelo fabricante.

Durante o evento foram apresentados casos de transformação digital, portugueses e internacionais.

A executiva assumiu interinamente a posição de director-geral da Microsoft em Outubro de 2016, tendo sido confirmada no cargo há cerca de um mês.

Computerworld ‒ Como está a evoluir o negócio de cloud computing da Microsoft em Portugal?

Paula Panarra ‒ Claramente a mudança está a acontecer, estamos muito satisfeitos com os resultados que temos conseguido nesta área de cloud. Hoje já representa uma percentagem muito significativa daquilo que é a nossa receita em Portugal e isso denota uma aposta que está a ser feita não só pelos clientes, mas também pelos nossos parceiros naquilo que é a nossa tecnologia de cloud.

Temos hoje em dia um ecossistema cada vez mais preparado para abarcar este novo paradigma. A área cloud já representa uma percentagem muito significativa daquilo que é a nossa receita em Portugal.

CW   Cresce mais do que o tradicional?

PP  O negócio de cloud está a crescer muito mais exponencialmente do que o tradicional. Acredito que o mercado está a fazer-se.

Este será aquilo que todos nós em conjunto – a indústria, os parceiros e depois o mercado a adoptá-lo quisermos fazer dele. É a nossa aposta de futuro.

CW Quantos clientes novos conquistaram em 2016 e quais as previsões para 2017?

PP  Não vou quantificar, mas o crescimento da Microsoft, à escala mundial, e particularmente em Portugal, passa precisamente pela aquisição de novos clientes, estejam ou não, nesta nova economia digital. É com gosto que vemos muitas das novas startups tecnológicas passarem a usar plataformas da empresa, ou seja são novos clientes.

No entanto, é  também importante o desenvolvimento destas novas tecnologias em clientes que já tínhamos, mas que estavam ainda em modelos mais tradicionais de tecnologia.

CW  Sendo o tema, a transformação digital, o que pretende transformar na Microsoft?

PP  O caminho da Microsoft Portugal vai ser continuar a ajudar o país no caminho da inovação, no caminho das competências digitais e no caminho da competitividade das empresas através da transformação digital.

Isto significa, enquanto organização, que nós também continuaremos a nossa transformação, a abarcar novo talento, talento jovem, talento diverso e desenvolvimento do talento interno para abarcar os desafios que esta transformação vai precisar.

CW  No mercado português, qual é o grande foco da empresa na evolução da transformação digital?

PP  Neste momento, é ajudar os clientes e as empresas em Portugal a desenharem este caminho. É um desafio muito abrangente e acreditamos que só é possível quando há uma decisão tomada por parte da liderança das empresas para poderem de facto abraçar [a transformação] como uma mudança estratégica.

Vemos essa mudança a acontecer em quatro principais áreas: na forma de trabalhar – adopção de maneiras de trabalhar mais digitais –, no desenvolvimento de novas experiências digitais para os seus consumidores ou clientes, na optimização das operações ou até, no limite, na criação de novos produtos ou serviços.

A transformação digital requer mudanças de fundo tanto nos processos organizacionais, como nos recursos e do talento nas empresas, e acima de tudo, dos parceiros que, juntamente com as empresas, vão fazer acontecer essa mudança.

O que estamos a fazer [na Microsoft] é um caminho em conjunto com os nossos clientes, começando por fazer na maioria dos casos um diagnóstico de onde estão nessa maturidade digital. [Pretendemos também] validar onde estão as empresas nesta intenção estratégica por parte da liderança da empresa, porque a mudança requer transformações de fundo quer a nível dos processos organizacionais, quer dos recursos e do talento nas empresas, quer, acima de tudo, nos parceiros que, juntamente com as empresas, vão poder fazer acontecer essa transformação digital.

CW Qual é o panorama considerando as diferentes variáveis?

PP  Temos em Portugal algumas empresas que já estão bastante maduras nesta transformação digital. Basta vermos que temos já algumas “startups”, nativas digitais, muito desenvolvidas e com uma posição de mercado já muito relevante.

De todas as revoluções por que o mundo já passou esta é aquela que permite a um país pequeno como Portugal não se preocupar com a [dimensão] do território, do tempo ou do espaço, porque, a partir de Portugal, pode nascer uma empresa de valorização de mil milhões à escala mundial. E já temos algumas nessas circunstâncias.

Depois temos algumas empresas que têm estado a fazer a adopção de algumas variáveis desta transformação, mas não com uma visão integrada deste caminho sustentado de futuro.

Eu diria que nós não estamos, e até dos estudos que temos, muito longe daquilo que é a média europeia.  No entanto, nas empresas mais pequenas, mais tradicionais, é talvez onde a nossa economia precisa de mais reinvenção.

Também aí estamos a colocar o nosso esforço para tornar as pequenas empresas portuguesas mais competitivas com estas novas tecnologias num mundo que é, todo ele mais digital.

CW  Em que tipo de empresas se vão focar?

PP  A ferramenta de  “assessment” que lançámos com a IDC cobre as várias dimensões de empresas. O estudo pode ser feito com qualquer empresa. Quisemos fazê-lo desta forma para podermos cobrir um leque mais abrangente de empresas e de todas as dimensões.

Estamos igualmente a trabalhar nesta transformação com as grandes empresas em Portugal. Obviamente que é um trabalho diferente, aquele que se pode fazer com uma empresa grande, com uma estrutura já estabelecida, e com mais capital e capacidade de investimento do que aquele que uma PME pode abarcar.

No entanto, a grande vantagem das tecnologias de cloud computing – e é por isso que nos preocupamos tanto com as PME também – passa por ser uma tecnologia como um serviço, em que qualquer empresa pode ter acesso àquilo que, no passado, só uma grande empresa, com muito investimento, podia fazer acontecer.

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