A liderança da transformação digital não pode ser delegada

Em Portugal, “do ponto de vista da verbalização” a transformação digital já está na agenda do CEO, mas “na prática ainda não está”, alerta Paulo Simões, partner da Egon Zehnder.

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Paulo Simões, partner da Egon Zehnder, acredita que “a liderança digital não pode ser delegada, vem do CEO, e tem de estar no primeiro ponto da agenda” desse responsável.

Em Portugal, “do ponto de vista da verbalização” já está na agenda CEO, mas “na prática ainda não está”, alerta.

Durante a conferência “The Transformers”, promovida pela Microsoft, explicou que a transformação digital “não se faz sem pessoas, sem cultura, sem liderança e sem protagonistas”.

Paulo Simões assinala que ao longo dos últimos três anos a Egon Zehnder têm falado com centenas de CEO em todo o mundo e que as perguntas variam de muito genéricas até questões mais próximas da gestão do dia-a-dia.

De um modo geral, a transformação digital é encarada de formas totalmente distintas nas organizações. “Há clientes que ainda estão a tentar perceber porque é necessário haver uma transformação, outros querem tentar perceber como é que se faz essa transformação, outros  já estão a experimentar fazer essa transformação digital e, finalmente, existem os nativos digitais que pensam sobretudo como é que podemos continuar dia após dia a ser os protagonistas da disrupção do negócio”.

Em regra, quanto mais detalhadas são as questões, mais próximas das questões do dia-a-dia, mais aproximado está o “Chief Digital Officer” (CDO) da comissão executiva da empresa. É “importante que esta pessoa tenha responsabilidades de trazer resultados para os accionistas”, defende Paulo Simões.

Paulo Simões, partner Egon Zehnder

Paulo Simões, partner Egon Zehnder

A Egon Zehnder aponta um caminho de sete passos relevantes para as empresas conseguirem verdadeiramente enveredar na transformação digital. Em primeiro é necessário começar com o cliente, depois definir o que significa “ser digital” para o negócio, cuja resposta é diferente consoante os protagonistas.

Em seguida deve procurar perceber-se o que significa a transformação digital para os recursos humanos dentro das organizações. Na fase seguinte a consultora procura saber que tipo de estrutura organizacional é necessária para ter sucesso na transformação digital, de modo a atrair o talento certo para atingir os objectivos.

Em sexto lugar, importar perceber como se deve receber e integrar as pessoas captadas e finalmente, como conseguir fazer uma cultura digital nas nossas organizações.

Para os cargos de CDO, a Egon Zehnder procura não só pessoas com visão estratégica, mas também pessoas com potencial para ser um líder da mudança. Este deve perceber quem são os interlocutores importantes, estabelecer quais são as prioridades que esses “stakeholders” devem ter e conseguir conduzir e adaptar a organização num determinado caminho.

Deve ainda ter “paixão pelo cliente”, tem “de ter capacidades analíticas muito superiores àquelas que eram habituais há 20 anos” e tem de “ser capaz de  trabalhar com ambiguidade”. Afinal não há profissionais com potencial para este cargo com vinte anos de experiência no posto, porque este cargo não existe há duas dezenas de anos.

Paulo Simões assinala que para desenvolver um processo de transformação digital é importante haver um determinado nível de erros. Caso não existam erros suficientes é porque não se está a tentar o suficiente. É uma forma diferente de ver o mundo dos tradicionais executivos das empresas. Devem inclusivamente existir KPI para esta variável.

Paulo Simões assinala que a maior dificuldade de todas é mesmo encontrar o CDO. Há muito mais procura que oferta.

O CDO deve também ser ajudado por uma equipa de pessoas, sem a qual não consegue executar a transformação digital planeada. Mas a maior dificuldade de todas é mesmo encontrar o CDO. Porque há muito mais procura que oferta. Acresce ainda que a motivação destes profissionais se prende mais com o papel que vai ter na empresa do que com questões de status ou remuneratórias.

Exemplos de transformação digital

Paula Panarra, directora-geral da Microsoft

Paula Panarra, directora-geral da Microsoft

O Banco CTT e o BPI são dois exemplos de organizações que já estão em processo de transformação digital, com o apoio da Microsoft. Paula Panarra explicou que, em qualquer dos casos, já é possível abrir uma conta a partir do telemóvel, sendo que ambos os bancos já passaram por processos de desmaterialização e optimização de processos.

Durante o evento “The Transformers”, a directora-geral da Microsoft Portugal, explicou que no caso do Banco CTT, que já nasceu no mundo digital, “todas as ferramentas de colaboração entre os empregados já são de total mobilidade”, representando “uma nova forma de estar no mercado”.

A directora-geral da Microsoft apresentou outros casos de soluções inovadoras já em curso. São casos internacionais, porque, apesar de a tecnológica já estar a trabalhar com empresas em Portugal, especialmente através de parceiros, os exemplos ainda não são públicos.

A ThysenKrup está a utilizar a tecnologia Hololens, de realidade aumentada, para optimizar o trabalho de colaboração e manutenção.

Paula Panarra demonstrou como é que ThysenKrup que está a utilizar a tecnologia Hololens, de realidade aumentada, para optimizar o trabalho de colaboração e manutenção de ascensores e escadas rolantes e como é que a funcionalidade de reconhecimento de voz e tradução em tempo real (voz ou transcrição), aplicada à ferramenta de comunicação Skype, permite colocar crianças de escolas em diferentes países a falar, sem o obstáculo da língua. Paula Panarra assinala que estas ferramentas poderão ser aplicada em novos modelos de trabalho em empresas com escritórios em localizações distintas.

A Microsoft e a IDC criaram um programa que permite às organizações ficar a saber qual o seu nível de transformação digital. Para além do diagnóstico, a plataforma aponta caminhos a seguir através de sessões de trabalho gratuitas ajustadas às necessidades das empresas.

Actualmente, a percentagem de empresas em Portugal com níveis mais elevados de transformação digital está “significativamente abaixo da média europeia” e norte-americana, segundo a IDC.

Recorde-se ainda que o Fórum Económico Mundial aponta para uma quarta revolução industrial em curso e que é imperativo que as organizações a abracem para garantirem a Transformação Digital nas suas organizações.

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