Trump tenta relacionar-se com sector da tecnologia

Ambos os lados devem tentar resolver algumas questões numa reunião que decorre esta semana em Nova Iorque, nomeadamente sobre os empregos do sector nos EUA.

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, vai reunir-se esta semana em Nova Iorque com executivos do sector tecnológico, incluindo os CEO da Oracle, Safra Catz, Tim Cook (Apple), Satya Nadella (Microsoft) ou Larry Page, CEO da Alphabet (Google).

Os convites para a reunião foram assinados pelo genro e conselheiro de Trump, Jared Kushner, pelo chefe de gabinete Reince Priebus, e pelo bilionário investidor em tecnologia Peter Thiel, um investidor em Silicon Valley e apoiante de Trump.

A relação entre as empresas tecnológicas e Trump tem sido difícil, com alguns executivos de topo do sector abertamente a apoiarem a sua rival democrata Hillary Clinton, nas vésperas das eleições presidenciais. O presidente eleito e as empresas de tecnologia também parecem ter opiniões diferentes sobre questões como imigração, “outsourcing“, energia limpa, neutralidade da rede, criptografia, vigilância e restabelecimento de postos de trabalho perdidos nos EUA.

Trump, por exemplo, criticou a recusa da Apple em ajudar o Departamento de Justiça a obter informações sobre o iPhone usado por um terrorista de San Bernardino, na Califórnia, num ataque em Dezembro passado. “Boicotem todos os produtos da Apple até que a Apple dê informações do telemóvel às autoridades sobre o casal terrorista radical islâmico”, escreveu Trump em Fevereiro. A Apple disse que ajudar o FBI a aceder ao dispositivo exigiria que desenvolvesse uma nova versão do sistema operativo iOS e enfraquecia a sua segurança.

Durante a campanha, Trump também disse que conseguiria que a Apple fizesse os seus computadores nos EUA em vez de noutros países, como parte da sua agenda para trazer empregos de volta aos Estados Unidos. A Apple afirma no seu site que os seus “produtos e inovações levaram a quase dois milhões de empregos nos Estados Unidos – dos nossos engenheiros e funcionários de lojas a fornecedores, fabricantes e programadores de aplicações”. Trump também visou a IBM em Novembro, dizendo que “despediu 500 trabalhadores em Minneapolis e mudou os seus trabalhos para a Índia e vários outros países”. A IBM considerou que a declaração estava incorrecta.

Trump, entretanto, nomeou dois adversários das actuais regras da neutralidade da rede para a sua equipa encarregada de supervisionar a transição na Comissão Federal de Comunicações (FCC), levando a preocupações de que a sua administração pode tentar reverter as regras aprovadas no ano passado para impedir que os fornecedores selectivamente bloqueiem ou ofereçam priorização paga do tráfego na Web.

A reunião na próxima quarta-feira pode, assim, proporcionar uma oportunidade para uma aproximação entre a equipa de transição de Trump e executivos-chave da tecnologia dos EUA, embora o presidente eleito também possa usar a oportunidade para afirmar as suas posições. Trump pode tentar obter promessas de empresas como a Apple e outras para fazerem os produtos localmente e manterem os empregos no país, em acordos semelhantes aos que atingiu recentemente com a Carrier. Ele também pode tentar obter compromissos de empresas para fazerem a TI e trabalho de design de produto localmente, em vez de em locais como a Índia.

A reunião contará com cerca de uma dúzia de executivos.

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