Tem a sua equipa preparada para a Internet das Coisas?

As organizações estão ansiosas por iniciativas de IoT mas os esforços são dificultados pela escassez de profissionais qualificados.

As plataformas da Internet das Coisas (IoT) devem gerar economias para as empresas, melhorar a tomada de decisões através do acesso a novas fontes de dados, aumentar a produtividade e proporcionar melhores experiências para os clientes. O McKinsey Global Institute prevê que o ecossistema de IoT terá um impacto económico total de 11 biliões de dólares até 2025.

Os dispositivos IoT podem ser usados em quase todas as indústrias para capturar dados valiosos. Por exemplo, os prestadores de cuidados de saúde olham para as tecnologias no sentido de melhorar o atendimento ao paciente, enquanto os retalhistas estão interessados em oportunidades para encontrar novos clientes e melhorar a experiência de compra.

De acordo com a CompTIA, seis em cada 10 empresas dos EUA têm algum tipo de iniciativa IoT em andamento – formal ou experimental – e uma escassez de capacidades nete domínio, apontada como uma das grandes dificuldades para a implementação de projectos. E não são apenas pessoas com capacidades em novas disciplinas, como a gestão de redes ou a análise de grandes quantidades de dados que estão em falta. Os profissionais de segurança – já escassos – também são necessários.

O ecossistema de IoT é complexo e os trabalhadores no sector tecnológico terão que ter algum conhecimento sobre cada aspecto desse ecossistema, diz Seth Robinson, director sénior de análise de tecnologia da CompTIA.

“Não se trata apenas de construir um sistema técnico competente que possa realizar uma tarefa para a operação diária”, diz. “Trata-se de usar esta tecnologia para avançar em novas áreas. Tem que haver esse conhecimento do que o negócio está a tentar fazer”.

Sete domínios de especialização
Mas quais são as características que esses profissionais de IoT deverão ter? Analistas do sector e líderes de TI que já estão com projectos de IoT partilham as suas opiniões e experiências.

Uma coisa é certa: os profissionais de TI precisarão de expandir os seus domínios primários de infra-estrutura, desenvolvimento, segurança e captura e análise de dados para incluir capacidades relacionadas com a IoT, mas também precisarão de conhecimentos na gestão de projectos e perspicácia de negócios, diz Robinson.

Existem centenas de capacidades relacionadas com a IoT. As empresas que realmente produzem os dispositivos, ou “coisas”, que compõem a rede interconectada de sistemas de IoT precisam de pessoas com determinadas capacidades.

As organizações que usam esses dispositivos para recolherem dados precisam de pessoas com experiência em hardware e software necessária para conectar os vários componentes, bem como especialistas em Big Data e analítica capazes de extrair o valor dos dados.

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Vejamos, ponto a ponto:
1 – Segurança
Os profissionais de TI mais procurados actualmente, os especialistas em cibersegurança, vão ser ainda mais requisitados, já que a quantidade de dispositivos capacitados para IP aumenta o número de vulnerabilidades. O ataque DDoS lançado em Outubro contra a Dyn apenas confirma esta necessidade.

“Os salários na segurança aumentaram 17% nos últimos 12 meses”, diz David Foote, co-fundador e analista-chefe da Foote Partners, empresa de recrutamente em TI. Os profissionais de segurança qualificados em avaliação de vulnerabilidades, segurança de infra-estrutura de chaves públicas (PKI), hacking ético, análise de intrusão, defesas corporativas, forense e segurança de redes sem fios estarão entre os mais procurados.

2 – Hardware e rede
Praticamente qualquer dispositivo pode ser equipado com um sensor que reune, armazena e transmite dados. Serão necessárias redes robustas para transmitir todos esses dados. Os profissionais de TI que já se especializam em infra-estrutura precisarão de entender todos os tipos de redes necessárias para conectar dispositivos IoT, diz Robinson.

A especialização em tecnologias de redes definidas por software (SDN) também emergirá com a disseminação da IoT. “Muitas empresas ainda não exploraram as SDN até este momento”, refere Robinson. “Elas realmente não tiveram essa necessidade de virtualizar a rede e obter esse controlo fino sobre o tráfego que está a passar por ela. Mas com a quantidade de tráfego que vai transitar pelas redes [graças ao IoT] essa será uma questão maior”.

3 – Software e conectividade
O software é necessário para tornar os dados em informação útil e a conectividade para partilhar esses dados com todo o sistema.

“Algumas pessoas são muito boas num sistema”, diz Bennett. “Num ambiente IoT, os mais bem sucedidos já descobriram como vincular vários sistemas, e como vincular os dados deles para realizar um segundo objectivo. Entendem como o sistema A se comunica com o sistema B para executar algo”.

4 – Big Data
A grande força que pode impulsionar as implementações de IoT é a grande quantidade de dados que ela é capaz de gerar. “Mesmo que a sua empresa ainda não tenha pensado em fazer uso de Big Data, as hipóteses são de que vai usar qualquer dispositivo IoT e, por isso, precisará de ter pelo menos algum conhecimento funcional sobre o mesmo”, diz Foote.

A Foote Partners lista o Apache Hadoop, os NoSQL e NewSQL e o Apache Spark entre as capacidades mais procuradas.

Na GE Aviation, uma transformação digital orientada para o IoT levou à criação de novas posições – incluindo a de chefe de dados e “líder de fábrica”. Da mesma forma, as iniciativas de desenvolvimento de software da empresa passaram a requerer pessoas com um amplo conhecimento de Big Data, diz o CIO da empresa, Jude Schramm.

“Estamos à procura de pessoas versáteis, capazes de lidar com Hadoop, Cassandra, Greenplum. Estamos investindo em contratar ou transformar funcionários existentes para serem muito competentes nessas capacidades”, diz Schramm, enfatizando que a GE Aviation não quer que as pessoas se tornem especialistas. Ele diz que procura “um especialista em Big Data e generalistas em todas as tecnologias relacionadas”.

4 – Analítica
Outro motor dos projectos de IoT é o desejo de tomar melhores decisões, o que exige análise para apresentar as conclusões de uma forma útil.

Cerca de 60% das empresas inquiridas pela LNS Research disseram que não têm conhecimento interno suficiente para lançar um projecto de IoT por falta de profissionais para a analítica de dados. Matthew Littlefield, presidente e analista principal da LNS, diz que os 40% restantes – aqueles que dizem ter essas capacidades – “não entendem realmente o tamanho deste desafio”.

Quase um quarto das empresas sem capacidades analíticas planeiam usar uma empresa de consultoria com conhecimentos analíticos e um terço dos entrevistados disse não saber como resolverão o problema.

A comunidade analítica também enfrenta uma “divisão” em relação às funções de ciência dos dados quando se trata de IoT, diz Littlefield. Com a analítica tradicional, os analistas podem apresentar respostas predictivas, diagnósticos ou prescritivos usando modelos, simulações e programação estatística. “Num mundo de IoT, está-se apenas a recolher dados de muitas fontes diferentes e as relações entre essas fontes não são conhecidas de antemão”, nota.

“Não é algo que se possa modelar efectivamente ou simular de forma eficaz, e realmente não se entende a física subjacente do que se está a tentar modelar. Então, formar especialistas do sector sobre como fazer ciência de dados em IoT é um dos grandes desafios. Há um novo conjunto de regras em torno da ciência dos dados, e os especialistas da indústria são cépticos sobre elas”.

5 – Cloud Computing
À medida que os dados são gerados, o armazenamento torna-se um problema, e os sistemas baseados em nuvem tornam-se a infra-estrutura ideal para as iniciativas de IoT.

As empresas vão abrir mão dos seus centros de dados e terão de trabalhar com fornecedores de serviços em nuvem, diz Foote. Isso aumentará a procura por pessoas que entendam a computação em nuvem e saibam como gerir dados de forma eficiente e torná-los rapidamente disponíveis para análise.

6 – Gestão de projectos
As empresas não estão a afastar-se dos grupos centrais de uso de TI quando adoptam tecnologias IoT, mas as relações e conexões da TI com outros grupos da organização estão a mudar, diz Robinson. Uma área em que essa tendência é evidente é a gestão de projectos, diz, porque estes “estão a tornar-se mais complexos e esses grupos estão mais multidisciplinares”.

7 – Perspicácia nos negócios aliada ao domínio da tecnologia
Com a ascensão da IoT, os profissionais de TI precisarão de entender bem o negócio da empresa porque “a tecnologia estará sendo aplicada a mais um nível relacionado com ele”, alerta Robinson. “As empresas estão a perceber que podem ligar a tecnologia à geração de receitas”.

Bennett diz que os profissionais de TI precisarão “da capacidade de entrar num departamento e descobrir rapidamente através de conversas com a liderança sénior quais os dados” que querem monitorizar. “Ter um profissional de TI que pode descobrir o que é realmente importante em termos de medição de desempenho permite-nos ser uma organização baseada em dados”, acrescenta.foote-partners

Uma nova classe de trabalhadores
A natureza colaborativa dos sistemas IoT exigirá que os profissionais de TI tenham conhecimento de tecnologias fora das suas áreas de especialização. Muitas empresas já iniciaram a formação cruzada de progamadores de hardware e software – especialmente no sector industrial, como parte da convergência da TI para a OT (tecnologia operacional) industrial, diz Littlefield.

“Eles estão a treinar o pessoal de TI para entender melhor a lógica do PLC e do controlo da automação, e vice-versa – eles estão a pegar em engenheiros de controlo e a ensinar-lhes a TI no lado de redes”, refere.

A GE Aviation está a formar o seu pessoal de TI através de uma nova equipa chamada Digital League, composta por 35 funcionários formados em partes iguais por profissionais de TI, gestão de operações/cadeia de fornecimentos e engenharia. A equipa reúne-se diariamente para colaborar na criação da analítica que vai gerir o inventário, melhorar o tempo de actividades e automatizar a fábrica.

Formação na indústria
Os líderes de IoT concordam que as futuras equipas de tecnologia serão maiores, mais inteligentes e mais rápidas.

Empresas e profissionais de TI devem preparar-se agora. “Certifique-se de que os seus líderes são como atletas polivalentes que podem trabalhar com código mas, ao mesmo tempo, entender por que estão a fazer essa programação em termos de referência estratégica e de KPIs, para ter a certeza de que estará as medir as coisas de forma certa”, diz Bennett.

Por seu lado, Foote recomenda a criação de centros de formação. “O treino de capacidades inovadoras deve ser combinado no ambiente de trabalho diário de uma maneira prática” para se ser eficaz, diz.

Já os profissionais de TI independentes devem “educar-se sobre o que esses sistemas podem fazer, e quais são as componentes do ecossistema de IoT”, diz Robinson, para se “ficar confortável para ver e reconhecer padrões”, complementa Foote.

O reconhecimento de padrões representa uma parte essencial de uma competência de “pensamento associativo”, e também recomenda aprender uma linguagem de programação ou uma plataforma de analítica.

“Tente-se especializar pela indústria”, diz Littlefield. “Cada uma dessas indústrias tem os seus próprios consórcios ou grupos que estão focados em tópicos de IoT”.

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