A Google discrimina nas ofertas de emprego?

Uma acção judicial contra a Google por discriminação etária passou a ser uma acção colectiva. A média de idades na empresa está nos 29 anos – e a “Googleyness” pode estar em causa.

Um processo de discriminação etária contra a Google foi aprovado na passada semana como uma “acção colectiva” por um juiz do tribunal federal em San Jose (Califórnia). A decisão significa que certos tipos de engenheiros de software, com 40 ou mais anos de idade, que foram rejeitados para empregos na Google desde Agosto de 2014, e após uma entrevista pessoal, podem juntar-se à acção judicial.

Isto significa que milhares de pessoas podem ser elegíveis e a decisão da juíza Beth Labson Freeman pode ser lembrada como um desafio a Silicon Valley.

“Como é que a idade afecta a ‘Googleyness’?”, escreveu Freeman no início de uma decisão de 17 páginas que põe em marcha uma investigação sobre práticas de contratação e cultura corporativa da Google.

“Googleyness” é um termo com que os candidatos a emprego na Google podem estar familiarizados. A empresa explica-o, no seu site, desta forma: “Googleyness: partilhe como trabalha individualmente e em equipa, como ajuda os outros, como navega na ambiguidade e como se esforça para crescer fora da sua zona de conforto”.

A decisão judicial conclui aprovando uma “acção colectiva” que permite a uma certa classe de candidatos a emprego na Google juntarem-se ao processo. Será igualmente feito um esforço para contactar pessoas afectadas.

Quatro rejeições

A acção judicial contra a Google foi requerida por Robert Heath, que tinha 60 anos em 2011 quando se candidatou a emprego e foi entrevistado por telefone, mas não em pessoa

A programadora Cheryl Fillekes juntou-se mais tarde à queixa. Foi entrevistada pelo Google em quatro ocasiões distintas, incluindo entrevistas pessoais, sendo rejeitada.

A juíza limitou o caso a pessoas que tinham tido uma entrevista pessoal, o que significa que os candidatos a emprego que só tiveram entrevistas telefónicas não podem ser considerados.

Os autores da queixa acreditam que dezenas de milhares de pessoas pode ser elegíveis para participar neste processo.

A Google respondeu à decisão do tribunal por email. “Acreditamos que as acusações não têm mérito e vamos continuar a defender a nossa posição vigorosamente. Temos fortes políticas contra a discriminação com qualquer base ilícita, incluindo a idade”, escreveu um porta-voz.

“Qualquer um que se encaixa na definição pode optar por se juntar à queixa”, disse Daniel Low, advogado dos queixosos. “Para aqueles entrevistados pessoalmente na Google para posições de engenheiro de software, engenheiro de fiabilidade de sites ou engenheiro de sistemas quando tinham 40 ou mais anos, e souberam a ou após 28 de Agosto de 2014 que lhes tinha sido recusado emprego, terão a oportunidade de participar na acção coletiva contra a Google”.

Os queixosos estão a negociar com a Google para obterem os endereços de email das pessoas que se encaixam. A Google não tem as datas de nascimento de candidatos a emprego, por isso é provável que as datas de saída da faculdade ou de empregos noutras empresas possam ser usadas para determinar a idade.

Importância para a Google e para Silicon Valley

Low disse que o caso pode ter importância para Silicon Valley, bem como para a Google. Terá “um efeito dissuasor maior sobre a discriminação etária na Google e na indústria da tecnologia se tiver sucesso “, disse Low.

Na sua decisão, Freeman deu peso aos argumentos de Fillekes de ter sido vítima de discriminação etária. Fillekes faz “alegações substanciais”, escreveu a juíza, de “que os putativos membros da acção eram juntos vítimas de uma única decisão, política ou plano”.

O processo aponta que a idade média dos funcionários na Google é de 29 anos, com base em dados recolhidos pela empresa de análise de recursos humanos PayScale, que a juíza citou na sentença.

Ela refere ainda que a declaração da Equal Employment Opportunity (EEO) da Google não é suficiente para proteger a empresa.

“Ter uma tal política não protege necessariamente uma empresa de um processo de discriminação, particularmente à luz das provas e alegações aqui apresentadas”, escreveu Freeman, que disse que a maioria, se não todas as empresas, “estão bem versadas na lei anti-discriminação e fazem grandes esforços para garantir que as suas políticas escritas cumpram essa legislação”.

A decisão judicial não significa que a Google vá perder o caso. A juíza disse que a prova de um empregador “não é pertinente na primeira fase do processo de certificação, que é focada simplesmente na notificação ser divulgada aos potenciais requerentes” da acção.

A Google defendeu-se previamente dizendo que Fillekes foi contactada pela empresa quatro vezes, em 2007, 2010, 2011 e 2013, e teve entrevistas pessoais. Porque “fazer perder tempo aos funcionários da Google” com “cinco ou seis entrevistas presenciais apenas para rejeitar o candidato com base na idade”, disse a empresa na sua argumentação.

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