Como está o mercado brasileiro de TI?

Estudo compara as TI no Brasil perante outros países. nomeadamente com outras nações da América Latina.

A Federação das Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro) e a Federação Iberoamericana de Entidades de Tecnologia da Informação e Comunicação (Aleti) divulgaram recentemente os dados do Censo de TI relativos ao ano de 2015.

A quarta edição do estudo reuniu respostas de 950 empresas, de 23 países em quatro continentes. As empresas brasileiras correspondem a 55% do total da amostra, o que permitiu uma comparação do cenário local em âmbito regional e global. [Portugal também foi contemplado no inquérito mas ainda não foram publicados os dados finais].

Quais são as notas mais relevantes sobre o sector no Brasil, comparado com outros dados relativos a países da América Latina?

1. Empresas maduras compõem o mercado de TI
Num sector que valoriza as startups, são as empresas maduras que compõem grande parte do mercado das tecnologias de informação: 55% das empresas foram fundadas ainda no século XX – ou seja, têm mais de 15 anos de actuação na área. No Brasil, este número é um pouco maior: 60% estão nesta categoria.

2. Caiu o número de empresas com crescimento na facturação
67% das empresas registaram um aumento nas receitas em 2015, um índice dez pontos percentuais menor do que o obtido no ano anterior. O Brasil acompanha a má tendência do exterior: apenas 59% das empresas registaram crescimento em 2015 – no estudo anterior, este número era de 77%. Além disso, 20% responderam que estagnaram no ano passado.

3. Poucos colaboradores foram contratados
No ano passado, 57% das empresas participantes do Censo contrataram até oito funcionários, enquanto 12% não aumentaram o quadro de empregados. Nas empresas brasileiras, os números são semelhantes: 58% dos entrevistados contrataram até oito pessoas, enquanto que 15% não fizeram qualquer aquisição no mercado de trabalho.

4. Contratações cobriram despedimentos de funcionários
As contratações foram feitas apenas para repor mão de obra. No geral, 28% das organizações não variaram na força de trabalho e outras 15% tiveram um incremento de até 10% no total de colaboradores. No Brasil, o índice é alarmante: 31% das empresas registaram mais demissões do que contratações e mais 30% ficaram estáveis nesse quesito.

5. Exportação ganha espaço
É um movimento tímido mas as exportações começam a ganhar espaço nas empresas participantes do Censo. No total, a grande maioria ainda não vende para o mercado externo (56%), mas o índice é menor do que o obtido em 2014 (64%). O mesmo fenómeno também acontece com as empresas brasileiras: 79% delas não exportaram em 2015 – um número quatro pontos percentuais menor do que em 2014.

6. Despesa em Investigação e Desenvolvimento (I&D) ganha espaço
As empresas ainda investem pouco em I&D. No Censo, 20% admitiram não realizar este investimento – em contrapartida, 32% começaram a investir até 2% da facturação nessa área. No Brasil, os índices são semelhantes: 24% não apostam em I&D, mas três em cada 10 empresas destinam até 2% das receitas para esse investimento.

7. Empresas brasileiras não realizam inovação agressiva
Quando o assunto é inovação agressiva (desenvolvimento de soluções que tenham apelo para o consumidor), o Brasil ainda está atrás de outros países analisados. Um quarto dessas empresas confirmou que não tem este tipo de estratégia e apenas 17% afirmou adoptar de forma contínua ou frequente. No total do Censo, 21% das empresas não adoptam inovação agressiva, enquanto 21% confirmaram utilizá-la constantemente.

(CIO Brasil)

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