Impressoras 3D podem ser alvo de sabotagem industrial

Produtos defeituosos podem resultar de ciberataques a impressoras 3D industriais.

As impressoras 3D podem fabricar brinquedos, roupas e até mesmo alimentos. Mas a tecnologia também mostra um potencial uso para a sabotagem industrial, advertem alguns investigadores.

Imagine-se um fabricante de automóveis que usa impressoras 3D para a criação de componentes descobrir que as peças contêm defeitos não detectáveis – até que seja tarde demais.

Um hacker com acesso às impressoras 3D pode fazer isso acontecer, revelou uma equipa de investigadores num artigo recente. Isso poderia resultar num “impacto devastador” para os utilizadores e levar à recolha de produtos e processos judiciais, disse Nikhil Gupta, professor da Universidade de Nova Iorque e autor principal do artigo.

A impressão 3D também é conhecida como “fabricação aditiva”, porque se trata de imprimir camada após camada de um material para criar um objecto, como uma estatueta de plástico ou mesmo uma casa.

A tecnologia pode agilizar a fabricação e a indústria automóvel já a está a experimentar. No passado, as empresas usaram impressoras 3D principalmente para criar protótipos mas os avanços recentes vão expandir o uso da tecnologia para criar produtos reais, antevê a analista Gartner.

Se isso acontecer, as empresas devem estar precavidas para o potencial uso indevido.

Muitas impressoras 3D estão ligadas à Internet, permitindo o seu controlo remoto, disseram os investigadores. Hackers podem ser capazes de atingir essas impressoras e secretamente introduzir defeitos no processo de fabrico.

Por exemplo, os produtos podem ser feitos para lidar com uma menor tensão, levando-os a partirem-se ao longo do tempo. Os defeitos podem ser tão pequenos que mesmo a imagiologia ultra-sónica terá dificuldade em detectá-los.

Isso pode ser uma ameaça letal se os componentes defeituosos forem impressos para automóveis ou aviões.

“Outsourcing” é igualmente perigoso

A indústria aeronáutica tem vindo a utilizar impressoras 3D para criar peças de reposição, observou Steven Zeltmann, um dos outros autores do estudo e estudante também na Universidade de Nova Iorque.

O potencial para a sabotagem também pode crescer se os fabricantes optarem por usarem o modelo de “outsourcing” da sua impressão 3D comercial a terceiros menos fiáveis, alerta Zeltmann.

Os riscos de segurança das impressoras ligadas à Internet vão para lá da própria produção. Dado que as impressoras 3D usam ficheiros de design, uma violação pode comprometer a propriedade intelectual de uma empresa.

Para evitar estes riscos de segurança, Zeltmann recomenda que os fabricantes desliguem as suas impressoras 3D da Internet e cifrem os ficheiros.

As empresas podem esconder os seus ficheiros de design e usar criptografia de modo a que somente a impressora 3D designada saiba como os “ler”. “Uma impressora sem o conhecimento certo do que ignorar/seguir irá imprimir um objecto totalmente diferente ou apenas uma grande porcaria”, explicou Zeltmann.

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