Redefinir a privacidade como forma de segurança

O investigador em cibersegurança, Paulo Veríssimo recorda que os activos portugueses “não são desprezíveis”, mas sacrificar a privacidade “significa destruir valor”.

Paulo-Veríssimo_-Universidade-do-Luxemburgo“Vivemos num estado não declarado de ciberguerra, de baixa intensidade”, avisou Paulo Veríssimo, professor e investigador da Universidade do Luxemburgo, perante uma plateia recheada de militares. Durante o 10º Simpósio Internacional “Estratégia da Informação Nacional”, na Academia Militar, o docente disse existir uma proliferação de ciberarmas, sem o enquadramento urgente de uma “Convenção de Genebra para o ciberespaço”.

Considera não ter havido ainda um acto claro de ciberterrorismo, mas prevê que haverá. Apesar de tudo, manifestou optimismo e sustentou que Portugal tem argumentos para um papel na “geopolítica do ciberespaço”.

Assentam na qualidade do ensino universitário e investigação em cibersegurança, mas também num tecido de empresas competentes nesta matéria. Junta-se o acolhimento da NATO Communications and Information Systems School (NCISS) além da cultura de neutralidade e diálogo, assinalou o líder do laboratório  CitriX, do SnT da referida universidade.

“A soberania digital portuguesa é capaz de ser mais fácil de conseguir, embora haja um caminho a fazer”, sustentou. O cenário caracteriza-se por ser necessário cada vez menos competência para se obter maior sofisticação em ciberataques.

Paulo Veríssimo defende ainda que a ciberdefesa, com missão claramente definida, deve ter capacidade de contra-atacar “em caso de potencial dano”.

Ao mesmo tempo, há correlações de dados antes impossíveis e agora alcançáveis, com a enorme quantidade de dados disponível. As  fragilidades de anonimização, clarifica, estão a ser ampliadas com base nos metadados. “Em Big Data, estes são dados”, exclamou.

Enquanto as vulnerabilidades aumentam e os riscos têm sido ignorados, a dependência da sociedade face à TIC está maior e existe delegação de controlo de soberania digital. Os activos de Portugal “não são desprezíveis” e “constituem informação e conhecimento importantes para recuperar a economia”, alertou.

Paulo Veríssimo sustenta ainda que a ciberdefesa, com missão claramente definida, deve ter capacidade de contra-atacar “em caso de potencial dano”. Mas a defesa do ciberespaço deve constituir também a protecção da sociedade e reger-se por princípios democráticos, disse.

“As empresas têm de perceber que a informação que obtêm gratuitamente, tem um valor”, declarou Paulo Veríssimo

Importa “proteger a informação privilegiada sobre os seus cidadãos”. O sacrifício da privacidade em massa, frisou, “significa destruir valor”.

Os indivíduos fazem também parte de colectivos, são unidades de organizações. E existe um conflito de interesses entre os Estados e as empresas.

“As empresas têm de perceber que a informação que obtêm gratuitamente, tem um valor”, declarou. Por isso também, defende a necessidade de se “redefinir a privacidade como forma de segurança”.

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