Oracle propõe matriz de “sGovernment” para a AP

Os temas do envolvimento com o cidadão, mas também da interoperacionalidade, tornaram-se inevitáveis no “Public Sector Summit”, realizado em Lisboa.

OracleA Oracle explicou esta semana a sua visão para a transformação dos serviços de Administração Pública AP) e os seus SI, centrando-a naquilo que pode ser considerada uma iteração mais ou menos iminente do eGovernment: a “sGoverment”. Mais do que uma estrutura beneficiária das redes sociais, o fabricante propôs durante a “Public Sector Summit”, uma arquitectura de suporte a um maior envolvimento com o cidadão.

A sugestão surgiu bastante a propósito, depois de a secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa, Graça Fonseca ter defendido um dos valores mais importantes da Volta Simplex: descobrir ou confirmar o que os cidadãos percepcionam como problema, numa lógica de experiência do utilizador, na utilização dos serviços do Estado.

A responsável governativa agrupou os resultados da prospecção, à volta de três temas. Aquele mais ligado às TIC é o da exigência desnecessária de introdução da mesma informação múltiplas vezes, num mesmo processo burocrático, para obter e preencher formulários e certificados.

Graça Fonseca diz que algumas das medidas para resolver este problema estão a ser ou já foram  definidas para serem apresentadas a 20 de Maio, quando o Governo conta divulgar o conjunto para o “Simplex +”. Assentam na iniciativa de criar mecanismos de partilha de informação, como por exemplo uma bolsa ou repositório de documentos digitais sobre a indivíduos e organizações, referiu.

A informação constante serviria para oferecer certas garantias aos serviços, incluindo por exemplo certificados de dívidas actualizadas. O presidente da Agência para a Modernização Administrativa (AMA), Pedro Silva Dias, centrou a maior parte dos temas no problema da falta de interoperacionalidade.

Uma das mudanças base para a facilitar a evolução, no entender de Pedro Silva Dias (AMA), será a passagem de uma cultura de “orçamentos sectoriais” para uma prática de “co-promoção de projectos”.

Mas também avançou que em 80% das sessões foi referida a proliferação e falta de articulação de sites e portais da AP. Com mais de 500 sites de interface (sem com contar com os informativos), há o risco de apenas se virtualizarem balcões existentes, sem obter grandes benefícios, avisou.

Além disso, a duplicação de pedidos de informação foi citada em 35% das ocasiões. O mesmo confirma que  o incremento de interoperacionalidade envolverá não só partilha de dados, mas também trabalho no desenho de serviços e na arquitectura de plataformas.

E uma das alterações base para a facilitar a evolução, no seu entender, será a passagem de uma cultura de “orçamentos sectoriais” para uma prática de “co-promoção de projectos”.

Isso facilitará outra perspectiva de mudança, focada na implantação de processos lineares com fluidez, de extremo a extremo, transversais a entidades.

Quatro patamares de SI

É claro que para suportar a sua visão e uma nova geração experiência do cidadão, a Oracle já preparou uma matriz para estruturar os SI, focados no envolvimento digital com o cidadão. A denominada “Digital Engagement Framework” arruma as suas componentes em quatro camadas: canais de interacção com o cidadão, orquestração de interacções, sistemas de negócio, infra-estrutura e entrega de serviços de TI (ver imagem abaixo).

Enquadrado com os projectos em curso na AP, o responsável que apresentou a matriz, Guy Staals, não se esqueceu de referir a oferta do fabricante para cloud computing: preparada para funcionar “dentro de portas”, mas mantendo um modelo de plataforma pública.

Guy Staals_Oracle

Para fundamentar a perspectiva do fabricante, o director de negócio da Oracle na EMEA, para o segmento de Administração Pública, Saúde e Educação, referiu vários aspectos práticos:

‒ várias empresas querem já inscrever nos relatórios de contas os activos de dados mantidos;

‒ a maior parte dos crimes são resolvidos, partindo de informações ou pistas facultadas por cidadãos;

‒ o uso do “rasto” digital deixado pelo uso de telemóveis tem sido importante para a gestão da segurança pública;

‒ as plataformas e canais digitais confirmam-se como maneira de conhecer os problemas quotidianos com que lidam os cidadãos.

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