Primeiro, em 1990 como Andersen Consulting e desde 2001 como Accenture, são já 25 anos de actividade da consultora em e a partir de Portugal.
A CIO falou com José Galamba de Oliveira, Presidente da Accenture Portugal desde 1 de Setembro de 2005, quando sucedeu ao até então responsável Luís Sá Couto, de que era vice-presidente desde 1996.
CIO PORTUGAL – Podemos começar por falar daquilo que a Accenture é e faz: consultoria. O que é hoje um consultor? O que significa a palavra e sobretudo como se traduz na prática?
JOSÉ GALAMBA DE OLIVEIRA – Um consultor é um profissional que, pelo seu know-how e experiência, é procurado para fornecer insights especializados e apoiar as organizações na melhoria de processos, diminuição dos custos e otimização dos recursos, suportando as suas tomadas de decisão.
No caso da Accenture, os nossos consultores pertencem a uma rede de 358.000 profissionais em todo o mundo, das mais diversas áreas de especialização e provenientes de todas as plataformas da Accenture – Strategy, Consulting, Digital, Technology e Operations –, ajudando as organizações nossas clientes a atingirem os seus objetivos.
E como o fazem? Qual é a vossa abordagem?
A nossa abordagem da assenta em dois pilares. Por um procuramos construir relações de confiança duradouras com os nossos clientes e desafiamos os nossos colaboradores a evoluir profissionalmente num ambiente de trabalho dinâmico, interessante e desafiante.
Por outro lado, os nossos consultores têm ao longo da sua carreira várias experiências e a oportunidade de colaborar em diferentes projetos a nível local mas também internacional, nas maiores cidades do mundo.
E os clientes valorizam essa especialização e experiência, e confiam na entrega e competência dos nossos profissionais, bem como no seu conhecimento do sector e na capacidade de fazer com que o seu negócio prospere e cresça.
Qual é a análise que faz da evolução e da importância da consultoria em Portugal nas últimas duas décadas?
O que verificamos é que ao longo destas décadas a exigência do mercado é cada vez maior neste sector, mas também que em Portugal a área de consultoria tem vindo a acompanhar estas novas necessidades dos clientes.
Recorde-se que a origem do sector da consultoria em Portugal surgiu da necessidade de melhoria na eficiência produtiva e das mudanças no sector da indústria e dos serviços, apesar de ter surgido numa fase posterior em relação a outros países europeus.
Vemos com orgulho o nosso contributo para a sociedade e economia portuguesa.
Neste sentido, e respondendo à segunda parte da pergunta, a história da evolução da consultoria é indissociável da própria evolução dos factos políticos que ditaram repercussões sociais e económicas no nosso país.
As primeiras empresas de consultoria no País, nacionais e internacionais, surgiram em força nos anos 80, após a adesão de Portugal à União Europeia. E desde essa altura até agora este tem sido um sector em crescimento e cada vez com maior relevância no negócio das empresas nos seus mais variados sectores de actuação.
E no caso da Accenture? O que nos pode dizer?
Presenciámos os fortes investimentos ocorridos nos anos 90, na sequência da entrada de Portugal na Comunidade Europeia, as privatizações e liberalizações em sectores-chave da nossa economia; a adesão ao Euro ou o arranque de novos sectores como o das comunicações móveis. Estes factores, que colocaram grandes desafios à economia nacional, constituíram também alguns das maiores oportunidades da história da Accenture.
Com efeito, estivemos envolvidos em muitos dos grandes processos de transformação vividos pelas organizações nossas clientes, partilhando a sua visão, capacidade de inovação e excelência de execução.
Vemos com orgulho o nosso contributo para a sociedade e economia portuguesa, porque ao longo dos anos temos vindo a investir na contratação de milhares de quadros, através de um modelo de negócio que assenta no recrutamento de recém-licenciados, a quem damos formação, baseada na nossa cultura empresarial. Muitos destes quadros estão bem posicionados no mercado, em diversos sectores e inclusivamente alguns têm criado as suas próprias empresas.
A Accenture e o IT
O objetivo da Accenture passa sempre por entregar aquilo que os clientes solicitam e ir ao encontro das suas necessidades.
De facto, as transformações do país e do mundo nas últimas décadas levaram-nos a uma forte especialização na área de implementação de sistemas, colaborando com os maiores prestadores mundiais de serviços de tecnologia, e que nos garantiram a liderança de grandes projetos nacionais dos sectores bancário e de telecomunicações, entre outros.
Mas a nossa actividade não se restringe às TI e nos últimos anos a nossa contribuição para o salto qualitativo dado por Portugal em muitos sectores económicos materializou-se também em inúmeros projectos de definição estratégica, e também de desenho e definição de processos de negócios, que levou à criação de um Centro de Operações em 2011, com deals multi-clientes inovadores e procurados por clientes numa óptica de nearshore.
Mais recentemente, com a criação de uma área dedicada ao Digital, procuramos tirar partido da grande variedade de serviços e capacidades digitais (cloud, mobility, analytics, interactive, social media) para desenvolver estratégias transformadoras e implementar soluções tecnológicas que os nossos clientes necessitam para serem bem-sucedidos no mercado e responderem às expectativas do novo consumidor digital.
Pode indicar alguns exemplos ou referências de situações e clientes em que considera que a Accenture Portugal fez ou contribuiu para fazer a diferença?
A Accenture serve clientes em todos os sectores de atividade económica, colaborando com as principais organizações nas áreas da banca e seguros, saúde, comunicações e media, energia e utilities, distribuição e consumo, indústria, construção e transportes e alguns dos principais organismos da administração pública.
Ao longo destes anos, a Accenture esteve presente em vários processos de transformação da Economia Portuguesa. Só para referir alguns, salientava o lançamento do IVA e do IRS, o nascimento do Cartão do Cidadão e as primeiras soluções de homebanking.
Mas a experiência e conhecimento da Accenture em todas as indústrias permitem identificar novas tendências e desenvolver soluções inovadoras para os nossos clientes, quer sejam empresas privadas ou instituições públicas. Temos obviamente, vocação para ser parceiro de grandes organizações, onde as vantagens competitivas da empresa são mais expressivas.
Neste quadro de evolução, a que factores atribui o desempenho conseguido e importância que a Accenture Portugal alcançou no nosso mercado?
Diria que há vários pontos que foram chave para chegarmos onde chegámos hoje.
O primeiro, e talvez o mais importante, o compromisso com o cliente.
Ao longo destes vinte e cinco anos tivemos a capacidade de entender as necessidades dos clientes, perceber os desafios de modernização que enfrentavam e termos tido sempre respostas inovadoras e capazes. Criámos equipas que se envolveram sempre com os clientes e acredito que este foi um dos fatores determinantes.
Outro ponto foi termos conseguido contratar os melhores talentos, quer recém-licenciados quer profissionais com experiência no mercado, pessoas muito motivadas e com vontade de ajudar Portugal no seu progresso.
Também determinante foi a rede internacional da Accenture, pois serviu sempre para que não tivéssemos a necessidade de “reinventar a roda”.
Em síntese, diria que os anos 90 foram, sem dúvida, de crescimento e também de ousadia. No início dos anos 2000, notámos que a economia portuguesa acalmou e os desafios começaram a ser diferentes, nomeadamente a necessidade de internacionalização e de melhoria da competitividade das empresas. Paralelamente, também foi uma década em que a procura pelo outsourcing cresceu e a Accenture foi pioneira na prestação desses serviços aos clientes.
E tem alguma insatisfação nos resultados alcançados nestes 25 anos?
Algo que posso referir é o facto de não termos conseguido crescer tanto quanto gostaríamos nos últimos anos, algo que não dependeu tanto de nós mas sim da conjuntura económica global e que afectou os ciclos de decisão dos nossos clientes.
Mas reagimos.
E neste contexto desafiante e de quebra de atividade em Portugal, também nós procuramos novos mercados e ajudámos a empresa a lançar o escritório em Angola em 2006 e em Moçambique em 2012. Além disso, criámos centros de competência na área da tecnologia e dos processos que prestam serviços desde Portugal, no conceito nearshore, para alguns países do norte e centro da Europa, e que são reconhecidos e procurados pelos clientes da Accenture a nível mundial.
Ao longo destes anos, a Accenture esteve presente em vários processos de transformação da Economia Portuguesa. Só para referir alguns, salientava o lançamento do IVA e do IRS, o nascimento do Cartão do Cidadão e as primeiras soluções de homebanking.
Falando agora sobre o futuro próximo e do desafio da competitividade nacional. Como é a Accenture está a posicionar-se?
Como referi, nos últimos 25 anos milhares de colaboradores, clientes, parceiros e instituições ajudaram a Accenture a transformar e a modernizar Portugal. Ao longo deste quarto de século acumulámos experiência e conhecimento nas diversas indústrias e áreas de negócio.
Muita coisa mudou no país neste quarto de século, as empresas modernizaram-se e os consumidores alteraram o seu comportamento, sendo hoje muito mais exigentes e informados do que eram no passado. Mas nestes anos, podemos dizer que Portugal alcançou um grande progresso, especialmente a nível tecnológico, e que, em muitos casos, somos tidos como referência para empresas estrangeiras.
Paralelamente, a Accenture acompanhou essas transformações, às quais se adaptou, sendo hoje uma empresa necessariamente diferente da que era à data da sua fundação. Contudo, ao longo destes 25 anos, mantivemos sempre a mesma missão, visão e os princípios éticos que determinam a forte cultura empresarial e que nos distingue no mercado.
Somos reconhecidos como uma organização especializada nos vários sectores da indústria. Procuramos sempre estar ao lado dos clientes nas suas necessidades de modernização, de maior eficácia e melhor capacidade de resposta face aos mercados, através da disponibilização de soluções inovadoras.
Que papel poderá desempenhar nos próximos?
Em Portugal, queremos continuar a ser uma empresa líder nas áreas que trabalhamos, que desenvolvemos, e nas quais inovamos. Queremos continuar a ser um parceiro muito relevante para o país, através das empresas nossas clientes, e ajudá-las a responder às necessidades dos consumidores.
A Accenture aposta nas suas pessoas e na gestão desse talento nos setores de atividade em que atuamos, bem como na excelência do desempenho na criação de valor para os clientes. Temos uma gestão portuguesa há 25 anos, com acesso a uma network mundial e somos já uma multinacional líder em consultoria a operar em mais de 120 países com 358 mil profissionais, 1.300 em Portugal – pertencentes a 106 instituições de ensino superior (institutos e faculdades).
Neste âmbito a melhor forma de criarmos um maior envolvimento na economia portuguesa revela-se também pelo facto de sermos uma Empresa-Escola. Fizemos o lançamento de milhares de recém-licenciados na vida profissional, garantindo a estes jovens uma carreira de sucesso e o desenvolvimento de competências muito valorizadas pelo mercado. Em 25 anos foram formados cerca de 4.000 quadros de grande valor, muitos deles a ocuparem hoje posições de destaque nas principais organizações do país.

