IT em Triple Play – As três dimensões de performance do IT

A velocidade alucinante da transformação dos modelos de negócios coloca novos desafios ao IT que é pressionado a entregar rápido, a baixo custo, com elevada qualidade e acima de tudo alavancar vendas através de novos canais e paradigmas tecnológicos. O autor propõe três dimensões para a avaliação do IT: ROI, previsibilidade e competitividade.

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Leandro Pereira, PhD em Project Management, CEO da Winning Scientific Management

1. Contexto

Em pleno século XXI o mundo dos negócios vive a um ritmo alucinante de constante transformação e a uma velocidade extrema. Esta velocidade é transversal à comunicação, aos meios de transporte, à distribuição, ao ritmo das novas necessidades, à criação de novas empresas e ao lançamento de novos produtos e serviços.

Este efeito no mundo económico foi alavancado por diversos factores combinados que culminaram neste desfecho de grande competitividade de mercados e na crescente procura da racionalização de recursos e de um crescimento sustentável.

E se de repente a existência do seu IT fosse posta em causa? Porque não entrega valor, porque falha sempre prazos e orçamentos e porque acima de tudo do mercado soa-lhe que fariam esse projeto em metade do tempo e por metade do custo?

Destacam-se a globalização, o boom da inovação tecnológica no centro da economia (“techonomy”), o fenómeno da obsolescência programa adoptado como uma estratégia de fomentação de consumo, o proliferar das redes sociais (online networking) e a crescente preocupação com a dimensão social e ambiental nos negócios (sustentabilidade).

Como efeito directo no mundo dos negócios surge a redução dramática do ciclo de vida dos produtos, dos processos, dos clientes e até das empresas, conduzindo as organizações a um novo paradigma de estar orientado a projectos e a renovações contínuas do portfolio de produtos e de serviços.

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A redução dramática do ciclo de vida dos produtos (Pereira, 2014)

 

O orçamento do IT sobe assim consideravelmente nos últimos 10 anos de forma a acompanhar o ritmo da transformação.

2. Novos Desafios do IT

A velocidade alucinante da transformação dos modelos de negócios coloca novos desafios ao IT que é pressionado a entregar rápido, a baixo custo, com elevada qualidade e acima de tudo alavancar vendas através de novos canais e paradigmas tecnológicos.

Mais Velocidade: os ciclos de renovação de portfolio são cada vez mais curtos, a concorrência e a inovação tecnologia impõe ritmos agressivos e o cumprimento do time-to-market nunca foi tão importante como agora para garantir quotas de mercado.
Metodologias e plataformas de desenvolvimento Agile vêm para ficar ao permitirem ao cliente ter quick-wins de soluções tecnológicas avançadas num espaço curto de tempo.

Menos Custo: cada vez mais iniciativas, orçamentos limitados, margens reduzidas, competidores com modelos descentralizados (offshoring e nearshoring) de desenvolvimento aproveitando vantagens competitivas de custo.
Soluções de open-source, renting e cloud aliadas a estratégias de near-shoring/off-shoring reduzem consideravelmente os custos de licenciamento, equipamento ou investimento inicial libertando a organização para se concentrar no seu core-business. Soluções de projeto ou de manutenção com recurso a off/near-shoring reduzem o custo dos serviços significativamente.

Mais Qualidade: clientes mais heterogéneos, exigentes e pouco fidelizados, expectativas cada vez mais diversificadas e diferenciadas. Reguladores mais atentos e ativos na proteção ao consumidor, obrigam a padrões de qualidade nunca antes observados.
Soluções de Test as a Service e mecanismos de segmentação avançados, permitem aumentar o grau de fiabilidade técnica e qualidade funcional das soluções através de uma maior especialização do processo. Por outro lado, soluções de segmentação avançadas baseadas no princípio de costumer-centric antecipam potenciais gaps de expectativas na relação B2B ou B2C.

Mais Negócio: novos negócios emergem com recurso a novos paradigmas tecnológicos. Empresas diversificam a sua oferta e entram em novos mercados através da tecnologia, pondo em prática o paradigma “techonomy”, gerando uma forte expectativa de aumento das vendas e atracção de novos clientes.
Soluções Customer Intelligence e Big Data, o acesso permanente a informação sobre o comportamento do cliente e dos mercados introduz na organização novas oportunidades de negócio que podem ser exploradas de forma efetiva. Estes mecanismos permitem à organização perceber porque é que os clientes compram, porque é que os clientes nos abandonam, porque é que vão comprar à concorrência ou o que realmente procuram.

3. Performance do IT

As circunstâncias da actualidade geram profunda instabilidade, incerteza e desafiam os processos, as metodologias ou os paradigmas estabelecidos outrora: insourcing vs outsourcing, infraestrutura vs cloud, waterfall vs agile? Com frequência o IT é ainda visto como um custo pesado, processos desnecessários, lentos, burocráticos e pouco produtivos.

E se de repente a existência do seu IT fosse posta em causa? Porque não entrega valor, porque falha sempre prazos e orçamentos e porque acima de tudo do mercado soa-lhe que fariam esse projecto em metade do tempo e por metade do custo?

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As três dimensões de avaliação do IT

 

Em rigor, a performance do IT é medida em resposta concreta a cada uma destas dimensões. Em rigor, a performance do IT é medida em resposta concreta a cada uma destas dimensões:

  •  ROI do IT. O valor do IT está no valor que este entrega ao negócio para alavancar vendas, reduzir custos, aumentar eficiência ou garantir conformidade legal. De acordo com o Pereira Diamond – A Benefits Management Framework um dos principais mecanismos para medir o valor do IT é através da avaliação de impacto, isto é, qual o impacto gerado no negócio quando o activo tecnológico não está disponível. A percepção de valor acontece no contraste gerado pelo impacto da solução tecnológica estar disponível (cenário 1) ou não estar disponível (cenário 2). A medição deste gap permite medir o ROI do IT.
  • Previsibilidade do IT. Esta dimensão tem vindo a ser trabalhada consideravelmente nos últimos anos. O objectivo é medir o gap que existe entre a estimativa de prazo e orçamento inicial e a realidade dos factos observados. Os modelos paramétricos de macro-estimação, assim como a técnica de EVM para o controlo são duas técnicas das mais usadas para reduzir este desvio. Deste Gap Analysis não podemos nunca descartar o delta entre o âmbito inicial e o âmbito final entregue, sendo este uma das principais causas de desvio. Medir no tempo se estamos a convergir ou a divergir entre a estimativa e o real permite medir a previsibilidade do IT.
  • Competitividade do IT. Tudo é relativo. Só podemos concluir que somos excelentes ou que estamos muito à quem se nos compararmos com o mercado e os nossos competidores ou pares. A métrica de referência é o custo (€) por function point (FP) produzido. Esta perspectiva quando usada de forma integrada, permite comparar equipas de desenvolvimento, tecnologias ou plataformas de desenvolvimento ou até tipos de projecto. Podemos assim realizar benchmarking com o mercado e realizar benchmarking interno, dos quais resultam processos de intervenção com vista ao aumento da competitividade do IT. É importante, porém, notar que mais importante do que onde estamos, é fundamental sabermos o movimento que estamos a fazer.
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