PME portugueses ainda olham o IT como área autónoma e de suporte

O IT e as novas tecnologias ainda estão algo distantes da estratégia e dia-a-dia da PME portuguesas, quer do lado das oportunidades quer dos riscos. No entanto, alguns sinais indiciam que a situação poderá evoluir em sentido inversamente proporcional.

AA035776A terceira edição do “PME: riscos e oportunidades em 2015”, o estudo da Zurich que esta semana foi divulgado, não o diz expressamente, mas uma leitura mais fina, permite inferir duas grandes conclusões.

A primeira é que as PME portuguesas têm uma visão do IT ainda circunscrita, como uma área corporativa autónoma de suporte, e ainda longe do negócio.

A segunda é que, mais tarde ou mais cedo, e pela leitura das principais oportunidades e riscos para o negócio identificadas pelas PME portuguesas, o IT e as novas tecnologias estão já muito presentes nesta dinâmica oportunidades/riscos, de forma indirecta ou colateral e até mesmo embebidos na análise que fazem das oportunidades e risco.

Oportunidades

Com efeito, e segundo o estudo, as PME portugueses não identificam directamente no IT uma oportunidade para o desenvolvimento do seu negócio, em particular quando questionadas sobre a utilização das novas tecnologias de negócio (por exemplo, computação móvel/tablet).

No entanto, se olharmos para as principais oportunidades identificadas – redução de custos e despesas, novos segmentos de clientes e para os novos canais de venda (por exemplo, web-trading) o IT pode ser um driver no apoio e alavancagem dessas oportunidades.

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Não deixa também de ser significativo que o domínio onde mais identificam oportunidades seja na redução de custos e despesas, o segundo domínio seja os novos segmentos de clientes e o quarto os novos canais de venda, nomeadamente o web-trading.

Por outro lado, as plataformas móveis não parecem entusiasmar as PME portuguesas, embora a atenção para novos canais de venda 19,5%) incluindo digitais, tenha aumentado.

Riscos

Do ponto de vista dos principais riscos que as PME identificam que as suas empresas enfrentam, a componente tecnológica (cibercrime e vulnerabilidades tecnológicas/falhas de TI) não merecem grande preocupação, comparativamente com outras áreas do negócio e do ambiente do negócio.

Apesar de uma em cada dez PME dizer que não tem quaisquer dados de negócio armazenados digitalmente, começa a existir um reconhecimento do potencial efeito do cibercrime no negócio, designadamente, em situações de roubo de dados de cliente e de funcionário, utilização maliciosa da sua identidade ou interrupção do negócio por via, por exemplo, de introdução de vírus.

Por outro lado, na percepção de risco, 23% das entidades inquiridas ainda considera o seu negócio demasiado insignificante para ser atingido pelo cibercrime. E apenas 15% aponta o roubo de dados de cliente como o maior risco.pme zurich riscos

Esse problema parece ganhar maior relevância face à subtracção de dinheiro, mas apesar de tudo apenas 13% considera ter protecção actualizada e totalmente funcional. Nos últimos três anos, duplicou o número de PME ávidas por condições de crédito atractivas, diz ainda o relatório.

Ainda neste âmbito, o elevado nível de concorrência e o “dumping” de preços com impacto nas margens de lucro é apontado por 37% dos empresários como o risco mais premente. Seguem-se a inexistência da procura por parte dos consumidores de determinado produto e excesso de stock (30%) e o roubo (19%) como os principais riscos identificados para o negócio.

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